Durante
esta campanha nacional para a eleição do futuro Presidente da República, os
portugueses da minha geração têm mais argumentos para ajuizar do que aqueles
que nasceram depois. É óbvio. O voto tem o mesmo valor desde que se passa a ter
o mesmo direito. Ninguém nasce ensinado. A liberdade tem o dever moral de ser
diferente do dever jurídico. Aqueles têm mais força porque têm o suporte na
visão, na audição e na experiência. A estoutros faltam a incidência da
experiência, do contacto e da visualização.
Portugal
vai celebrar, em 24 de Junho de 2028, os 900 anos da “primeira tarde
Portuguesa”. Nasceu aí, na sequência da vitória dos defensores da autonomia
portucalense, liderados pelo jovem Afonso Henriques, contra as tropas de sua
mãe D. Teresa, apoiada pelos ambiciosos condes galegos Peres de Trava. A
vitória na batalha de S. Mamede assinala o nascimento de Portugal. Desde aí até
ao presente, decorreram 897 anos.
O
próximo ato eleitoral vai eleger o Presidente da República Portuguesa. Que eu
saiba ainda nenhum candidato trouxe aos debates este acontecimento histórico. A
nação mais antiga dentro da União Europeia é Portugal. E
este dado deverá ser preocupação imediata do próximo Chefe de Estado e do
Ministério da Cultura.
Portugal,
enquanto estado-nação com fronteiras contínuas e uma identidade nacional
definida, tem a sua fundação tradicionalmente reconhecida com o Tratado de
Zamora em 1143, quando Afonso VII
de Leão e Castela reconheceu D. Afonso Henriques como o primeiro rei de um
reino independente. Este estatuto foi posteriormente confirmado pelo Papa
Alexandre III em 1179, através da Bula Manifestis Probatum.
Será
uma pena se, em 2028, os historiadores portugueses ainda não tiverem
oficializado as mais simbólicas datas nacionais. Nesta campanha eleitoral para
eleger o mais alto magistrado da Nação, congregaram-se diversos fatores de
vária natureza. O meio século de vivência e de convivência social e política,
com este ato eleitoral, já marcado para 18 de Janeiro, resultou de imprevistos
que estão já em franca campanha.
Atualmente
os eleitores têm beneficiado do uso massivo das redes sociais confrontando as
diferentes ideias e tendências para se confrontarem entre si com vista à
vitória do seu candidato favorito a chefe de Estado.
Cada
eleitor que queira manifestar-se, em público, acerca do «seu» candidato, poderá
fazê-lo. Eu próprio já o fiz e tenho-me confrontado com algumas leituras que
faço com aquilo que vou lendo e ouvindo.
No
dia 30 de Novembro li, num jornal regional que se edita em Trás-os-Montes, um
texto sobre a experiência política de alguns candidatos. Um conceituado
jornalista, que desde há muitos anos leio mas não conheço pessoalmente,
desenvolveu meia página em torno de três candidatos que cito, por ordem
alfabética: Almirante Henrique Gouveia e Melo, António José Seguro e Luís
Marques Mendes. Eis alguns trechos desse artigo:
«Um
tema verdadeiramente batoteiro, porque Luís Marques Mendes ou António José
Seguro, por exemplo, antes de ascenderem a lugares da soberania não dispunham
de uma qualquer carreira profissional que determinasse, indiscutivelmente, tais
escolhas.»
«Em
primeiro lugar o Almirante mostra-se preocupado com os portugueses e com o
país. Não será um presidente que atue como mero figurante...»
«António José Seguro tem até um currículo superior ao de Luís Marques Mendes:
foi secretário de estado, ministro, deputado à Assembleia da República e
eurodeputado, e é licenciado, mestre e doutor, tendo exercido, durante anos,
funções académicas em Lisboa. Objetivamente, António José Seguro tem, nestes
últimos domínios, uma qualidade que Luís Marques Mendes nunca teve a
oportunidade de mostrar, ou não o quis fazer.»
«E a grande e reconhecidíssima verdade é que Luís Marques Mendes nunca teve qualquer
experiência política internacional, havendo que ter presente a situação que
hoje se vive ao nível da paz e da guerra no domínio mundial. Em boa verdade,
António José Seguro sempre teve alguma, enquanto eurodeputado».
«Foram
escolhidos [Seguro e Marques Mendes] por estarem nos seus partidos e por
via das naturais e sempre presentes simpatias
pessoais, porque se não estivessem no mundo partidário, quase com toda a
certeza, não teriam sido escolhidos.»
Nota final:
A propósito disto perguntámos à Inteligência Artificial:
- Qual dos candidatos à presidência da república tem mais
experiência e tempo na política?
Eis a resposta, ipsis verbis:
«Nas eleições presidenciais portuguesas previstas para
2026, Luís Marques Mendes e António José Seguro são os candidatos com maior e
mais duradoura experiência política e
tempo em funções governamentais e partidárias.
- Luís Marques Mendes (68 anos) é um "homem que já foi tudo no
PSD", tendo ocupado várias pastas ministeriais e cargos de
liderança partidária ao longo de décadas. A sua experiência abrange múltiplos
governos e períodos no parlamento, sendo um político de carreira com um
currículo vasto.
- António José Seguro tem uma longa
carreira no Partido Socialista, onde foi secretário-geral e ocupou diversos
cargos governamentais e parlamentares. A sua trajetória política também se
estende por várias décadas.
Outros candidatos, como André Ventura,
têm tido um percurso mais recente na política nacional, mas com uma ascensão
rápida. O Almirante Gouveia e Melo, por outro lado, tem um perfil mais
militar e de gestão, com menor experiência na política partidária
tradicional.
A questão da "experiência
política" é, inclusivamente, um dos temas centrais dos debates entre os
candidatos, com Marques Mendes a afirmar que é um fator decisivo para o cargo
de Presidente da República.»
Barroso da Fonte

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