
Dia 23 de Janeiro
completou 70 anos de Jornalismo ininterrupto. Ontem (19) completou 84
de idade.
O nosso fraterno abraço
transmontano, para esta lenda das letras transmontanas.
O seu percurso de vida
é singular. Bairrista e acérrimo defensor de tudo o que cheira a Trás-os-Montes
e Alto Douro.
Nasceu em Codeçoso - Montalegre.

...Um dos meus grandes problemas é assentar-me à mesa e ter que estar à espera que o acaso me traga motivo para escrever a crónica da semana. Não costumo escrever por prazer, nem tão pouco por rotina. Parece-me uma obrigação vocacional, cumprir esta ânsia de procurar no tempo o assunto que magnetiza a minha vontade. Nunca tive pretensões a ser original na arte de escrever, nem tão pouco a ser mestre da mesma arte. Habituei-me a por o melhor de mim, na imitação dos que nasceram para apóstolos das letras e bafejado por esse princípio, procuro dar o máximo das minhas possibilidades. Em contra-partida, conto já com a adversidade dos que na retaguarda, me alcunham de pretencioso, trivial, contraditório. Há sempre quem goste de atacar os fracos, precisamente por reconhecerem que estão desarmados. Eu, que me habituei a valorizar os homens pela súmula das suas possibilidades e não pelo elenco dos seus haveres, defendo os que reagindo contra os acanhados, limites de que a natureza os dotou, se desarmadilham das peias hostis; e persiga os que mimoseados pelo destino, se empenham em combater os inválidos. Nesta guerra constante de defender uns e atacar outros, consiste a parte mais difícil de vitoriar. ... ...
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Barroso da Fonte - In Crónicas do Tempo da Guerra
PENSEI ESCREVER UM POEMA
ResponderEliminarPensei escrever um poema
com esta cor pálida
da tarde a diluir-se
enquanto as pretas se ajeitam
com esses mantos multicolores
falando uma linguagem
que pasma os cães
e faz rir os estrangeiros.
Há neste entardecer
uma alma poética
que faz versos da terra
e gestos simétricos
da sombra dos imbondeiros.
Gosto de ver o céu azul
pintado do sorriso dos pretos
em tardes habituais
nesta terra de palmeiras, capim e mandioca.
Este poema que pensei escrever
com palavras e gestos
tirados do tempo
é um salvo-conduto
para a minha posteridade.
Filiei-me nesta raça primitiva
e quero perpetuar o seu primitivismo
Porque não enxertar as árvores estéreis
se podem dar bons frutos
para matar tanta fome?
(É preciso Amar as Pedras) -In Trinta Anos de Poeta