Perante os dados (e os resultados) destas eleições angolanas,
não aceites pela direcção da Unita, apresentando como prova a discrepância entre
a sua contagem e a contagem do MPLA sobre os resultados de Luanda, existe
apenas uma conclusão: O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, morto em combate no Moxico,
teve razão quando não aceitou os resultados das eleições em 1992 que deram 40%
á UNITA! Esta é, a única conclusão séria retirada das eleições de 2022. Jonas Savimbi era um
líder e conhecia bem a Angola profunda. E tinha na mente, ao contrário dos seus
detractores, princípios sérios de democracia.
Contudo, o processo angolano, além de complexo, é singular. O
MPLA é um partido ideologicamente soviético (ditatorial), basta ver a posição
do actual do governo angolano sobre Putin e sobre a guerra na Ucrânia.
Percebe-se.
O MPLA é um partido com várias facções que deram origem,
ainda no tempo de Neto, á grande carnificina, onde esteve envolvido Nito Alves.
Depois disso, José Eduardo dos Santos (Zedú, para os angolanos) governou o país
durante 42 anos (!) á moda soviética, onde o partido se confundiu com o Estado,
e onde o Estado se confundiu com o MPLA. Surgiu então o mito: Zedú foi o
arquitrecto da paz. E para isso contribuiu, em muito, a mediocridade dos políticos
portugueses que venderam a “democracia angolana” a troco (alguns) de negociatas
e alta corrupção com a filha do ladrocrata (entre outros). Houve, de facto, observadores?
Angola é 14 vezes maior do que Portugal. Esses “observadores” ficaram em Luanda,
em 1% do território. Portanto, esses “observadores” não passaram de um instrumento
do MPLA. Dizerem agora que as eleições foram justas e livres, é uma fantochada em
que só os laparotos acreditam.
Zedú
foi realmente o arquitecto da paz, á custa da alta
corrupção que montou no país através de esquemas, empresas fantasmas e outros
pormenores que se observaram agora nestas eleições, quando dirigentes do MPLA ,
incluindo as filhas (entre elas Isabel dos Santos) do falecido ladrocrata, com
o poder do dinheiro que roubaram durante 42 anos ao Povo Angolano, mudaram de
trincheira, apelando ao voto na UNITA!
Colocado este introito, avancemos. Os resultados do MPLA têm
vindo a cair cerca de 10% por cada eleição desde 2008. O que nos demonstra que
a culpa dessa queda constante, em termos políticos, não é de João Lourenço, na
medida em que até 2017 quem foi o presidente foi o ladrocrata José Eduardo dos
Santos. João Lourenço é apenas responsável pelos resultados de 2022, o que já
não é pouco, pois Luanda é hoje, com os resultados eleitorais, um bastião da
Unita. E isto é relevante.
Mas mesmo assim, com todas as contrariedades, conseguiu
manter o MPLA no poder. Com todas as contrariedades políticas e com toda a
manipulação do que resta do antigo MPLA, como foi bem demonstrado pelas provas
apresentadas pela UNITA. Por outro lado, João Lourenço, pelo lado positivo, foi
o responsável deste resultado, quando, ao tomar posse em 2017, além de permitir
leis no sentido da democracia (imprensa livre e por aí adiante), anunciou caça
séria aos chefes da quadrilha que arruinaram o Estado Angolano e colocaram na miséria
o Povo Angolano. E deu: Ao Zedú e filhos, e a alguns correligionários. O
que já não é pouco para o colocar na História, não só de Angola, mas de África.
Vamos esperar pelos próximos dias para fazermos uma reflexão
mais profunda sobre estas eleições angolanas, até porque, como bem sabemos, a
contestação destes resultados pela UNITA, não vão dar em coisa nenhuma, por
mais provas que tenha.

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