sábado, 27 de agosto de 2022

Eleições angolanas na sombra da fraude

 

Perante os dados (e os resultados) destas eleições angolanas, não aceites pela direcção da Unita, apresentando como prova a discrepância entre a sua contagem e a contagem do MPLA sobre os resultados de Luanda, existe apenas uma conclusão: O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, morto em combate no Moxico, teve razão quando não aceitou os resultados das eleições em 1992 que deram 40% á UNITA! Esta é, a única conclusão séria retirada das eleições de 2022. Jonas Savimbi era um líder e conhecia bem a Angola profunda. E tinha na mente, ao contrário dos seus detractores, princípios sérios de democracia.

Contudo, o processo angolano, além de complexo, é singular. O MPLA é um partido ideologicamente soviético (ditatorial), basta ver a posição do actual do governo angolano sobre Putin e sobre a guerra na Ucrânia. Percebe-se.

O MPLA é um partido com várias facções que deram origem, ainda no tempo de Neto, á grande carnificina, onde esteve envolvido Nito Alves. Depois disso, José Eduardo dos Santos (Zedú, para os angolanos) governou o país durante 42 anos (!) á moda soviética, onde o partido se confundiu com o Estado, e onde o Estado se confundiu com o MPLA. Surgiu então o mito: Zedú foi o arquitrecto da paz. E para isso contribuiu, em muito, a mediocridade dos políticos portugueses que venderam a “democracia angolana” a troco (alguns) de negociatas e alta corrupção com a filha do ladrocrata (entre outros). Houve, de facto, observadores? Angola é 14 vezes maior do que Portugal. Esses “observadores” ficaram em Luanda, em 1% do território. Portanto, esses “observadores” não passaram de um instrumento do MPLA. Dizerem agora que as eleições foram justas e livres, é uma fantochada em que só os laparotos acreditam.

Zedú foi realmente o arquitecto da paz, á custa da alta corrupção que montou no país através de esquemas, empresas fantasmas e outros pormenores que se observaram agora nestas eleições, quando dirigentes do MPLA , incluindo as filhas (entre elas Isabel dos Santos) do falecido ladrocrata, com o poder do dinheiro que roubaram durante 42 anos ao Povo Angolano, mudaram de trincheira, apelando ao voto na UNITA!

Colocado este introito, avancemos. Os resultados do MPLA têm vindo a cair cerca de 10% por cada eleição desde 2008. O que nos demonstra que a culpa dessa queda constante, em termos políticos, não é de João Lourenço, na medida em que até 2017 quem foi o presidente foi o ladrocrata José Eduardo dos Santos. João Lourenço é apenas responsável pelos resultados de 2022, o que já não é pouco, pois Luanda é hoje, com os resultados eleitorais, um bastião da Unita. E isto é relevante.  

Mas mesmo assim, com todas as contrariedades, conseguiu manter o MPLA no poder. Com todas as contrariedades políticas e com toda a manipulação do que resta do antigo MPLA, como foi bem demonstrado pelas provas apresentadas pela UNITA. Por outro lado, João Lourenço, pelo lado positivo, foi o responsável deste resultado, quando, ao tomar posse em 2017, além de permitir leis no sentido da democracia (imprensa livre e por aí adiante), anunciou caça séria aos chefes da quadrilha que arruinaram o Estado Angolano e colocaram na miséria o Povo Angolano. E deu: Ao Zedú e filhos, e a alguns correligionários. O que já não é pouco para o colocar na História, não só de Angola, mas de África.

Vamos esperar pelos próximos dias para fazermos uma reflexão mais profunda sobre estas eleições angolanas, até porque, como bem sabemos, a contestação destes resultados pela UNITA, não vão dar em coisa nenhuma, por mais provas que tenha.


Uma coisa é certa,  o Presidente João Lourenço, pelas provas que deu, durante destes últimos cinco anos, da sua postura ética, precisa de ganhar sem haver sombra de fraude.


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