quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Conferência de Lviv

 



O essencial da Conferência de Lviv

António Guterres: "Qualquer potencial dano a Zaporíjia é suicídio"

“Qualquer potencial dano a Zaporíjia é suicídio”, previu António Guterres, durante a conferência de imprensa conjunta com os Presidentes da Ucrânia e da Turquia.

O secretário-geral das Nações Unidas reforçou a necessidade da retirada das forças militares russas da central nuclear de Zaporíjia e das áreas envolventes. Um acidente na estação lançaria contaminantes radioativos até à Europa central.

Outro dos temas destacados por Guterres foi o dos prisioneiros de guerra, em particular o ataque à prisão de Olenivka, onde morreram 53 prisioneiros de guerra ucranianos: “O que ali aconteceu é inaceitável. Todos os prisioneiros de guerra são protegidos pelo Direito Internacional Humanitário”.

O secretário-geral da ONU vai estabelecer uma missão para apurar o que aconteceu e vai nomear o general Carlos dos Santos Cruz, do Brasil, para liderar a investigação.

 

Guterres aponta estabilização de preços de alimentos e pede desmilitarização de Zaporíjia

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, identificou hoje sinais de estabilização dos mercados globais de alimentos e pediu, após uma reunião com os presidentes ucraniano e turco, a desmilitarização da central nuclear de Zaporíjia, sob ocupação russa.

“Desde a invasão russa da Ucrânia, tenho sido claro: não há solução para a crise alimentar global sem garantir acesso global total aos produtos alimentícios da Ucrânia e alimentos e fertilizantes russos. Quero expressar a minha gratidão a todas as partes pelo apoio” na implementação do acordo de exportação de cereais via Mar Negro, disse Guterres numa conferência de imprensa em Lviv, Ucrânia, ao lado do chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, e do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

 

Erdogan: "Mantivemo-nos ao lado dos nossos amigos ucranianos e vamos continuar a fazê-lo"

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse na conferência de imprensa em Lviv (Ucrânia) que um dos principais focos da reunião com o Presidente ucraniano e o secretário-geral das Nações Unidas foi sobre como acabar com a guerra na Ucrânia, de acordo com a agência de notícias turca Anadolu Ajansi.

Erdogan reforçou que a Turquia defende a integridade territorial e a soberania da Ucrânia sobre o seu território — agora parcialmente ocupado pelos militares russos.

Enquanto potencial mediador das negociações diplomáticas, o Presidente turco disse: “Mantivemo-nos ao lado dos nossos amigos ucranianos e vamos continuar a fazê-lo”.

A repatriação dos escravos de guerra ucranianos a partir da Rússia foi igualmente discutida na reunião a três e destacada por Erdogan na conferência de imprensa conjunta: “A Turquia dá muita importância a este assunto”.

O papel do líder turco, junto do Kremlin, para o desbloqueio da exportação dos cereais ucranianos foi elogiada por Volodymyr Zelensky e por António Guterres, que destacaram a importância para combater a atual crise alimentar a nível mundial.

Na nossa reunião trilateral avaliámos a possibilidade de transformar a atmosfera positiva criada pelo Memorando de Istambul [sobre os cereais] em paz duradoura”, disse Erdogan. “Salientámos especialmente que a comunidade internacional deveria assumir mais responsabilidade na revitalização do processo diplomático.”

O próximo passo para o Presidente turco é perceber qual o impacto das reuniões de hoje no lado russo e junto do Presidente Putin. “Acredito que é possível relançar as negociações com base nos parâmetros definidos em Istambul em março”, reforçou Erdogan. “Estamos prontos a fornecer todo o tipo de apoio para este objetivo e a desempenhar novamente o papel de facilitador ou mediador.”

Ponto de situação. O que aconteceu durante a manhã e tarde?

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, encontrou-se com o homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, e com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para uma conversa centrada na situação da central nuclear de Zaporíjia.

Numa conferência de imprensa, o líder ucraniano afirmou que as negociações com a Rússia só poderão ser retomadas quando o complexo de Zaporíjia for desocupado, quando for resolvida a situação dos prisioneiros de guerra ucranianos e quando os militares russos saírem dos territórios ocupados.

A Ucrânia e a Rússia trocaram acusações sobre uma possível “provocação” na central nuclear de Zaporíjia na sexta-feira. Kiev diz que foi anunciado um dia de folga inesperado no complexo. Já Moscovo prevê um acidente nuclear com o objetivo de culpar as forças russas.

França não ficou convencida com a proposta do chanceler alemão, Olaf Scholz, sobre a construção de um gasoduto que ligue a Península Ibérica à Europa central. Considera que o projeto seria demorado, acabando por não ajudar na atual crise.

 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia admitiu que o Kremlin pode vir a utilizar armas nucleares, mas só “em circunstâncias de emergência” e “em resposta” a um ataque.

Pelo menos 11 pessoas morreram, incluindo três crianças, e 35 ficaram feridas num ataque russo em Kharkiv, disseram as autoridades ucranianas.

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou que três caças MiG-31, armados com mísseis hipersónicos Kinzhal, foram deslocados para a base aérea de Chkalovsk, no enclave de Kaliningrado, no âmbito de “medidas adicionais de dissuasão estratégica”.

Um modelo do Instituto Hidrometeorológico da Ucrânia mostra que, no caso de um desastre na central nuclear de Zaporíjia, a radiação poderia chegar até à Europa central, afetando a Bielorrússia, os países Bálticos, a Polónia, a Hungria e a Roménia.

O grupo de piratas informáticos russo KillNet reivindicou um ciberataque a 207 instituições públicas e privadas estónias, incluindo sistemas de pagamento. O subsecretário para a Transformação Digital, Luukas Ilves, confirmou o ataque, que descreveu como o maior no país desde 2007.

Um navio partiu do porto de Chornomorsk, na Ucrânia, com um carregamento de milho. São já 25 os navios com cereais que saíram da Ucrânia através do mar Negro, ao abrigo do acordo mediado pelas Nações Unidas e Turquia.

O ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano confirmou que o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica aceitou o convite de Kiev para permitir a entrada de uma delegação na central nuclear de Zaporíjia.

A China e a Rússia, entre outros países, estão a organizar um exercício militar conjunto. O ministério da Defesa chinês assegurou que essa operação “não está relacionada com a atual situação internacional e regional”.

Oleksiy Arestovych, um dos mais importantes conselheiros do Presidente ucraniano, disse que a Rússia conquistou apenas “avanços mínimos” no território ao longo do último mês e que a guerra chegou a um “impasse estratégico”.

 

Turquia e Ucrânia assinam acordo para reconstrução de infraestruturas

O ministro do Comércio turco, Mehmet Muş, acompanhou o Presidente Erdogan na visita à Ucrânia e assinou um acordo com o ministro das Infraestruturas ucraniano, Oleksandr Kubrakov, para a reconstrução das infraestruturas destruídas pela guerra, noticiou a agência de notícias turca Anadolu Ajansi.

Na lista de infraestruturas a recuperar estão estradas, pontes, ligações de água e eletricidade, hospitais e escolas.

No encontro bilateral entre a Turquia e a Ucrânia, foram discutidas as possibilidades de melhorar a cooperação e solidariedade entre as duas nações, algo que tem sido objeto de conversa há seis meses, disse o Presidente turco na conferência de imprensa conjunta, em Lviv.

Zelensky diz que não é possível negociar com a Rússia enquanto continuar a invasão

Volodymyr Zelensky disse que as negociações com a Rússia só poderão ser retomadas quando for resolvida a situação dos prisioneiros de guerra ucranianos, quando a central nuclear de Zaporíjia for desocupada e quando os militares russos saírem dos territórios ucranianos ocupados.

As declarações do Presidente ucraniano foram feitos na conferência de imprensa, sem transmissão instantânea, que se seguiu a reunião com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

A mensagem de Erdogan nesta reunião, tal como já havia feito no encontro com o Presidente russo, Vladimir Putin, é que só será possível acabar com esta guerra na mesa de negociações e ofereceu-se formalmente para servir de mediador nestas negociações.

O líder ucraniano congratula-se com a abertura desta janela a um acordo para a paz, mas diz que do outro lado da janela, do lado russo, estão armas russas para os atacar, de acordo com o relato do repórter da CNN Portugal no local.

Ergodan e Guterres apelaram à desmilitarização da central nuclear de Zaporíjia para evitar um acidente com impactos internacionais, mas a Rússia já rejeitou essa possibilidade, admitindo vir a desligar algumas das unidades.


FONTE: https://observador.pt/liveblogs/antonio-guterres-encontra-se-com-zelensky-em-lviv-esta-quinta-feira/

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