Os responsáveis deste acto hediondo foram os milicianos da milícia sérvia, ao serviço de Slobodan Milošević, presidente da Sérvia. Além dos bombardeamentos, colocaram franco atiradores para atingirem os bombeiros e os trabalhadores da biblioteca que, através de uma corrente humana, tentavam salvar o acervo cultural da mesma. A biblioteca que albergava cerca de 1,5 milhões de livros, mapas, fotografias, manuscritos raros, etc., foi atacada intencionalmente porque os sérvios pretendiam, além de aniquilar militarmente uma população, neste caso muçulmana, aniquilar a memória cultural de um povo e de uma região.
Os Balcãs tinham uma
forte cultura livreira desde a Idade Média, e Sarajevo (palco daquele
assassinato infame que deu origem á Segunda Guerra Mundial) era um desses
centros livreiros. Os monges de Cister estiveram na Eslovénia, Sarajevo tinha
um dos maiores acervos culturais Árabes, Otomanos e Persas, na Biblioteca Gazi
Husrev-beg. A comunidade judaica também tinha a sua biblioteca, os Franciscanos idem e os Habsburgos criaram um museu regional com uma biblioteca onde se
encontrava a maior joia cultural: a Hagadá de Sarajevo.
A Biblioteca Nacional
demorou três dias a arder (25, 26 e 27 de Agosto). Desapareceram no fogo 150
mil livros raros, 500 códices medievais, centenas de incunábulos, e grandes
acervos de jornais periódicos.
Este acto terrorista
só mais tarde foi noticiado nos jornais! Contudo, o Tribunal de Haia actuou. O
general sérvio Stanislav Galić que dirigiu a campanha dos bombardeamentos e dos
franco atiradores foi condenado a prisão perpétua em 2006. Mladić, sucessor de Galić, também. A eles se juntaram Karadžić e Milošević.
Foi devido a um gesto
heróico do Dr. Rizo Sijarić, morto em 1993, que se salvou a Hagadá de
Sarajevo, esse excepcional manuscrito hebraico.






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