sexta-feira, 12 de agosto de 2022

A Biblioteca Nacional e Universitária da Bósnia e Herzegovina

 

Em 1992, na noite de 25 de Agosto, choveram bombas incendiárias sobre a Biblioteca Nacional e Universitária da Bósnia e Herzegovina, em Sarajevo, a sua capital.

Os responsáveis deste acto hediondo foram os milicianos da milícia sérvia, ao serviço de Slobodan Milošević, presidente da Sérvia. Além dos bombardeamentos, colocaram franco atiradores para atingirem os bombeiros e os trabalhadores da biblioteca que, através de uma corrente humana, tentavam salvar o acervo cultural da mesma. A biblioteca que albergava cerca de 1,5 milhões de livros, mapas, fotografias, manuscritos raros, etc., foi atacada intencionalmente porque os sérvios pretendiam, além de aniquilar militarmente uma população, neste caso muçulmana, aniquilar a memória cultural de um povo e de uma região. 

É bom lembrar que na Bósnia, antes do conflito, viviam amigavelmente Cristãos Ortodoxos, Católicos, Muçulmanos e Judeus.

Os Balcãs tinham uma forte cultura livreira desde a Idade Média, e Sarajevo (palco daquele assassinato infame que deu origem á Segunda Guerra Mundial) era um desses centros livreiros. Os monges de Cister estiveram na Eslovénia, Sarajevo tinha um dos maiores acervos culturais Árabes, Otomanos e Persas, na Biblioteca Gazi Husrev-beg. A comunidade judaica também tinha a sua biblioteca, os Franciscanos idem e os Habsburgos criaram um museu regional com uma biblioteca onde se encontrava a maior joia cultural: a Hagadá de Sarajevo.

A Biblioteca Nacional demorou três dias a arder (25, 26 e 27 de Agosto). Desapareceram no fogo 150 mil livros raros, 500 códices medievais, centenas de incunábulos, e grandes acervos de jornais periódicos.

Este acto terrorista só mais tarde foi noticiado nos jornais! Contudo, o Tribunal de Haia actuou. O general sérvio Stanislav Galić que dirigiu a campanha dos bombardeamentos e dos franco atiradores foi condenado a prisão perpétua em 2006. Mladić, sucessor de Galić, também. A eles se juntaram Karadžić e Milošević.

Foi devido a um gesto heróico do Dr. Rizo Sijarić, morto em 1993, que se salvou a Hagadá de Sarajevo, esse excepcional manuscrito hebraico.

Este conflito na Bósnia em 1992, descrito por Richard Ovenden em livro recentemente publicado (“Queimar Livros”) pela editorial Presença, transporta-nos para o actual conflito Ucrânia / Rússia. Temos esperança que, também neste conflito, o Tribunal de Haia actue chamando a atenção para uma ou outra prática conjuntural praticada (em defesa própria e do seu chão sagrado) pela Ucrânia, mas sobretudo condenando os actos terroristas e bárbaros praticados por Putin e os seus bandoleiros. Incluindo os pseudo referendos (referendos fantoches) nas zonas ocupadas, realizados com uma arma apontada á testa de cada ucraniano!


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