Há 50 anos o
caso Watergate correu mundo. Dele resultou a demissão do Presidente Nixon,
depois de uma investigação do Washington Post, através de dois jornalistas (Carl
Bernstein e Bob Woodward) que em 1974 escreveram um livro sobre a coisa. O
jornal público de ontem trás a história que ficou para a História – apenas a
versão do Washington Post.
E qual é o
interesse de hoje revermos esse assalto de há 50 anos? Pela simples razão de
que esse escândalo, conduziu à demissão de Nixon, após dois anos de
investigação por uma comissão de inquérito do Senado americano. Uma
investigação em tudo
diferente das pífias comissões que tem havido neste portugalinho corrupto,
sobre escândalos de proporções incomensuravelmente maiores do que aquele.
Se as comissões parlamentares de inquérito a diversos escândalos nacionais tivessem funcionado como a comissão que investigou o caso Watergate,
o país seria outro, com outras instituições e outro
governo que não os governos nepotistas do dr.
Costa.
Anteontem, no dia 16, José Sócrates
deu uma entrevista televisiva. Sobre a mesma deixamos comentário rebuscado no Portadaloja:
“Ontem
na tv, este Sócrates denegou a qualidade de arguido que obviamente
mantém, no processo mais importante das últimas décadas em Portugal, a par de
outro em que é também visado ( BES/GES) e teve o topete de afirmar que foi
"inocentado" , "ilibado", de todos os crimes pelo tribunal
( ou seja o juiz Ivo Rosa, cuja decisão está em recurso e por isso ainda não
transitou em julgado, não autorizando aquela falsidade e mentira proclamada
como se fosse a maior banalidade que aliás repetiu como se fosse um facto). De
caminho referiu que no mesmo processo foi acusado de crimes "novos" e
dos quais não teve oportunidade de se defender, apesar de os factos serem os
mesmíssimos, alegando mesmo alteração substancial de tais factos, com efeitos
processuais.
Como cerejas podres no topo destas
mistelas malcheirosas, tem alegado que há ilegalidades na distribuição dos
processos em que figura como arguido e que no principal " escolheram
aquele juiz que queriam, que permitiu todas as barbaridades. O equivalente do
Sérgio Moro aqui em Portugal, que se chama Carlos Alexandre".
Nestas proclamações grandiosas e difamatórias, publicadas no Brasil e já repetidas, esqueceu-se de referir que os tribunais superiores sufragaram todas as decisões do referido juiz e só um lhe deu alguma razão, acabando por o libertar da prisão preventiva e esse foi afastado da magistratura por ser corrupto.
Por outro lado, compara-se
obviamente a Lula, insinuando que o poder judicial o tramou de forma indigna e
ilegítima, através de "barbaridades" que não nomeia mas deixa claro
terem sido do género das que tramaram Lula.
E quais foram estas "barbaridades"
que tramaram Lula? Pois, foram as conversas mantidas pelo juiz Moro com os
investigadores dos processos, na qualidade de juiz de instrução e cujo teor foi
revelado através da prática de um crime: a intervenção de um hacker que acedeu
ilegal e ilegitimamente aos registos telefónicos do juiz Moro.
Ou seja e segundo a lógica do mesmo
Sócrates, algo de que Sócrates se serve para acusar a magistratura portuguesa,
no caso das distribuições dos processos, ou seja aspectos circunstanciais e
meramente acessórios do principal que são os factos que o condenam
inapelavelmente no tribunal da opinião pública, por enquanto e previsivelmente
nos tribunais comuns, quando chegar o momento.
Neste contexto e tendo em conta o
que se passou no Brasil, o famigerado hacker foi obviamente aproveitado
politicamente, senão mesmo pago ou recompensado ou mesmo instigado, pelos
apoiantes de Lula que erigiram a "ilegalidade" de Moro como o maior
crime contra a justiça. Serviram-se no fait-divers, ampliaram o facto,
conseguindo convencer alguns que tais conversas envenenavam a isenção e
independência do juiz e manipulando desse modo a mesma justiça de tribunais
superiores controlados pelo poder político, conseguiram a libertação do mesmo
Lula, com tal expediente.
Não é de estranhar se Sócrates tiver
a mesma tentação que obviamente já lhe terá ocorrido: apanhar conversas
privadas de magistrados portugueses, através dos aludidos métodos e conseguir
fazer chegar a água ao seu moinho...esperemos para ver.
Tivemos um lampejo de tais métodos e
estratégia no caso Freeport em que havia algumas gravações publicadas de
conversas com intervenientes no licenciamento do empreendimento que faziam
referência clara ao envolvimento de Sócrates no caso. O processo foi abafado
por deficiências processuais e foi sempre apresentado por este e os seus
defensores como uma "cabala", apontando a própria denúncia dos factos
como uma manipulação do poder político que se lhe opunha e portanto
deslegitimando tais denúncias. Essa justificação serviu depois a pessoas
insuspeitas como o próprio PGR Pinto Monteiro, para afirmar a versão de
Sócrates.
Ou seja quando as ilegalidades e até
crimes, como no caso Lula, servem para apresentar uma defesa salvífica, valem
sempre. Quando os incriminam inapelavelmente, aqui d´el rei que se violou a
constituição, a lei e o costume, sendo tudo nulo! É essa lógica dos sócrates e
lulas.
Assim, a única estratégia de
Sócrates neste momento é lançar o descrédito sobre os processos, arrastar o
mais que puder, através de recursos repetidos e que sabe serem substancialmente
inúteis, tais processos e insultar, até agora impunemente, todos os magistrados
que se lhe oponham, no exercício do dever profissional de actuar em nome da lei
e do direito.
Ontem, na entrevista na tv, lançou o
anátema sobre o Ministério Público (agora já não é sobre o juiz de
instrução...) que acusou de violar o segredo de justiça e passar aos
jornalistas o conteúdo de peças processuais dos seus processos, sendo essa a
razão que apresentou para não comunicar aquelas viagens e actividades que a
revista Visão mostra...
Até quando é que este arguido vai
abusar impunemente do seu estatuto? Onde é que fica a igualdade de todos
perante a lei, quando este indivíduo actua impunemente como actua?
Na reportagem publicada na Visão, os
sinais evidentes do perigo de fuga à justiça portuguesa são mais claros do que
os que existiam no caso Rendeiro...".


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