Neve
Neve,
ó que linda neve,
Ao
chegar a L’Hermitage!
E
nós, como criança que se atreve,
Ao
fim de longa viagem,
Vamos
brincar com a neve eu encanta!
Saudade
da infância! Saudade! Tanta! (1)
Volto
ao meu tempo de Santulhão…
Tanta
neve, lá na nossa aldeia…
E
eu, menino tão pequeno, então,
Com
frio nas mãos, e al alma cheia,
Corria
na neve e brincava tanto!
Atirávamos
bolas de neve! Que encanto! (2)
Sim,
tanta neve! Que frio!
Em
criança não o sentia!
Hoje,
é quase um desafio,
Mergulhar
nesta neve fria.
É
preciso ter muita coragem,
Para
brincar na neve de L’Hermitage! (3)
De
todos os modos estou contente,
Ao
encontrar esta neve cristalina.
Creio
que é a alegria desta gente,
Que
os seus rostos frios, ilumina.
E
todos nos sentimos crianças!
Convite
do Evangelho que hoje alcanças! (4)
Já
vai terminando a brincadeira…
Que
bom voltar à nossa infância,
Onde
encontramos a verdade mais verdadeira,
Que
vivemos lá longe, na distância.
E
uma oração surge: Deis seja louvado,
Por
este dom de neve, que hoje nos é dado! (5)
Teófilo Minga
L’Hermitage
(Saint Chamond), 03 de abril de 2022, na cabine de tradução às 16.41
1) Chego
a L’Hermitage (Saint Chamond), no dia 1 de abril de 2022. Chego pela noite, e
já se vê que está tudo cheio de neve. Mas é no dia seguinte que a posso ver e
admirar ainda mais na sua brancura cristalina. Os campos de L’Hermitage estão
cobertos de neve. É uma beleza!
2)
Como
sempre, nestas situações volto às aldeias da minha infância: Matela, Carção e
sobretudo Santulhão. A quantas nevadas não assisti em Santulhão. E muitas
vezes, mesmo assim, ia à escola. Outras vezes, era impossível. Lembro-me em
todo o caso como gostávamos de brincar à neve. Sobretudo fazendo bonecos de
neve ou atirando bolas de neve uns aos outros. Brincadeiras de infância cuja
lembranças fica até aos dias de hoje. E, em tempos de neve, como este aqui em
L’Hermitage, essas lembranças vêm ao de cima. A neve faz-me regressar à minha
infância.
3) E
estou de novo no meio da neve que lembra a minha infância. Com uma diferença:
quando era bem jobem menino não tinha medo de me ter na neve, de jogar sempre,
de fazer bonecos e de atirar bolas de neve aos que comigo brincavam. E era uma
alegria. Hoje também é uma alegria. Com uma diferença: hoje parece que tenho
mais medo do frio, já não me enterro na neva como então e, depois de uns
minutos, já estou cansado de atirar bolas aos colegas. É a idade certamente! Uma
coisa é brincar com a neve aos 5 anos outra coisa é brincar com a neve aos 75.
É muito tempo, 70 anos de diferença! E o corpo não tem a esma resistência ao
frio. Gostava que tivesse. Mas a realidade é outra. E também acolho essa
realidade. Não resignado. Simplesmente como a lei da vida. E com a mesma
alegria aceito-me hoje, com os limites e com as doenças que o peso da idade.
Isto é viver um são realismo.
4) Faço
aqui referência a uma conhecida frase evangélica: “E Jesus, chamando uma
criança, colocou-a no meio deles. E disse: “Com toda a certeza vos afirmo que,
se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum
entrareis no Reino dos céus” (Mt 18, 2-3). Certamente que Jesus não
está a dizer que temos que permanecer crianças. Isso é absolutamente impossível
e iria contra todas as leis da natureza. É um convite, isso sim, a conservarmos
o espírito e as virtudes que temos em crianças: a espontaneidade, a
simplicidade, a confiança em Deus. É isso que nos torna como crianças. E essas
são virtudes ou atitudes (entre outras certamente) que devemos acolher em nós
ao logo de toda a vida. Virtudes ou atitudes que nos tornam como crianças. É
por isso que não fica nada mal brincar com a neve aos 75 anos.
5) Já
não sei quanto tempo brincava à neve em criança. Sei que agora já não fico
longos minutos nesta brincadeira. Até porque o frio já me “mata” mais do que em
criança. Mas o importante é voltar à neve e brincar, por pouco que seja, como
quando eras criança. Não sei se na altura eu rezaria e agradeceria a Deus esse
dom da neve. Desta vez cada vez que saio a brincar ou simplesmente a passear um
pouco por estes campos cobertos de neve, acabo sempre com uma oração de louvor
e agradecimento ao senhor por essa beleza estonteante dos campos cobertos de
neve. E como São Francisco digo: Deus seja louvado pela minha irmã neve.

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