quarta-feira, 6 de abril de 2022

Neve


Neve

 

Neve, ó que linda neve,

Ao chegar a L’Hermitage!

E nós, como criança que se atreve,

Ao fim de longa viagem,

Vamos brincar com a neve eu encanta!

Saudade da infância! Saudade! Tanta! (1)

 

Volto ao meu tempo de Santulhão…

Tanta neve, lá na nossa aldeia…

E eu, menino tão pequeno, então,

Com frio nas mãos, e al alma cheia,                                                 

Corria na neve e brincava tanto!

Atirávamos bolas de neve! Que encanto! (2)

 

Sim, tanta neve! Que frio!

Em criança não o sentia!

Hoje, é quase um desafio,

Mergulhar nesta neve fria.

É preciso ter muita coragem,

Para brincar na neve de L’Hermitage! (3)

 

De todos os modos estou contente,

Ao encontrar esta neve cristalina.

Creio que é a alegria desta gente,

Que os seus rostos frios, ilumina.

E todos nos sentimos crianças!

Convite do Evangelho que hoje alcanças! (4)

 

Já vai terminando a brincadeira…

Que bom voltar à nossa infância,

Onde encontramos a verdade mais verdadeira,

Que vivemos lá longe, na distância.

E uma oração surge: Deis seja louvado,

Por este dom de neve, que hoje nos é dado! (5)

 

Teófilo Minga

L’Hermitage (Saint Chamond), 03 de abril de 2022, na cabine de tradução às 16.41

 

1)      Chego a L’Hermitage (Saint Chamond), no dia 1 de abril de 2022. Chego pela noite, e já se vê que está tudo cheio de neve. Mas é no dia seguinte que a posso ver e admirar ainda mais na sua brancura cristalina. Os campos de L’Hermitage estão cobertos de neve. É uma beleza!

2)      Como sempre, nestas situações volto às aldeias da minha infância: Matela, Carção e sobretudo Santulhão. A quantas nevadas não assisti em Santulhão. E muitas vezes, mesmo assim, ia à escola. Outras vezes, era impossível. Lembro-me em todo o caso como gostávamos de brincar à neve. Sobretudo fazendo bonecos de neve ou atirando bolas de neve uns aos outros. Brincadeiras de infância cuja lembranças fica até aos dias de hoje. E, em tempos de neve, como este aqui em L’Hermitage, essas lembranças vêm ao de cima. A neve faz-me regressar à minha infância.

3)      E estou de novo no meio da neve que lembra a minha infância. Com uma diferença: quando era bem jobem menino não tinha medo de me ter na neve, de jogar sempre, de fazer bonecos e de atirar bolas de neve aos que comigo brincavam. E era uma alegria. Hoje também é uma alegria. Com uma diferença: hoje parece que tenho mais medo do frio, já não me enterro na neva como então e, depois de uns minutos, já estou cansado de atirar bolas aos colegas. É a idade certamente! Uma coisa é brincar com a neve aos 5 anos outra coisa é brincar com a neve aos 75. É muito tempo, 70 anos de diferença! E o corpo não tem a esma resistência ao frio. Gostava que tivesse. Mas a realidade é outra. E também acolho essa realidade. Não resignado. Simplesmente como a lei da vida. E com a mesma alegria aceito-me hoje, com os limites e com as doenças que o peso da idade. Isto é viver um são realismo.

4)      Faço aqui referência a uma conhecida frase evangélica: “E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: “Com toda a certeza vos afirmo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” (Mt 18, 2-3). Certamente que Jesus não está a dizer que temos que permanecer crianças. Isso é absolutamente impossível e iria contra todas as leis da natureza. É um convite, isso sim, a conservarmos o espírito e as virtudes que temos em crianças: a espontaneidade, a simplicidade, a confiança em Deus. É isso que nos torna como crianças. E essas são virtudes ou atitudes (entre outras certamente) que devemos acolher em nós ao logo de toda a vida. Virtudes ou atitudes que nos tornam como crianças. É por isso que não fica nada mal brincar com a neve aos 75 anos.

5)      Já não sei quanto tempo brincava à neve em criança. Sei que agora já não fico longos minutos nesta brincadeira. Até porque o frio já me “mata” mais do que em criança. Mas o importante é voltar à neve e brincar, por pouco que seja, como quando eras criança. Não sei se na altura eu rezaria e agradeceria a Deus esse dom da neve. Desta vez cada vez que saio a brincar ou simplesmente a passear um pouco por estes campos cobertos de neve, acabo sempre com uma oração de louvor e agradecimento ao senhor por essa beleza estonteante dos campos cobertos de neve. E como São Francisco digo: Deus seja louvado pela minha irmã neve.

 


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