Novo volume de
Armando Palavras:
«As Visitações de
Alijó e alguns documentos para o seu estudo»
É o volume III,
último desta série documental e, como se informa em Nota Prévia, este
terceiro volume reúne «as visitações (Séc. XVII e XVIII) às igrejas de Alijó
(onde se inclui a visitação à igreja de Goães - Vila Verde - Braga. E à capela
de Nossa Senhora da Conceição - Santo Tirso - Porto) juntamente com vários
documentos dispersos que se referem a diferentes concelhos da região: Santa
Marta de Penaguião, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Macedo de Cavaleiros e
Freixo de Espada à Cinta. Neles se assinala o Alvará de Vila do lugar de Santa
Marta de Penaguião, como o itinerário de Dom José de Bragança por terras
transmontanas: Braga, Guimarães, Amarante, Vila Real, Murça e Chaves; a Súplica
(e incongruências) para a formação da Diocese de Vila e a visitação da Comarca
de Sobre Tâmega».
Na contracapa deste volume de 200 páginas, Armando Palavras
faz uma explanação histórica do papel das vigilâncias
ou visitações na diocese de Braga que, ao tempo, eram
complicadas por dois fatores: pela dimensão territorial e pelas fracas vias de
comunicação. E aponta, como exemplo, os impedimentos que o arcebispo de Braga,
Dom José, se lamentava perante o Rei D. João V (1706-1750). Recorde-se que
nessa altura a Diocese de Braga abrangia a maior parte da Província de
Trás-os-Montes. Tão longo espaço para tão poucos visitadores, implicava que o
próprio arcebispo tivesse de desempenhar as funções do visitador.
Lê-se nesta
sinopse da contracapa que eram muitas as dificuldades para manter a
regularidade das visitações com a eficácia que essas práticas exigiam. «Eram
escolhidos dez eclesiásticos e seis Vigários Gerais para diretamente
inspecionarem as atividades dos párocos. Noutras situações o visitador era
acompanhado pelo pároco confirmado, pelo rendeiro ou por outras pessoas da freguesia,
normalmente os eleitos da irmandade ou confraria que assinavam como testemunhas
os capítulos da visitação. À falta de testemunhas locais, assinavam os
criados».
O segundo volume
aborda «As Igrejas setecentistas do padroado da Universidade de Coimbra». O
património da Universidade era em grande parte constituído pelo seu Padroado,
ou seja, o conjunto das igrejas sobre as quais tinha o direito de apresentar os
párocos, recebendo rendimentos compostos, sobretudo, pelos dízimos dessas
mesmas igrejas, bem como de outros bens a elas anexos. A responsabilidade
da Universidade distribuía-se pela manutenção das condições necessárias para o
desempenho das funções litúrgicas, pelo apoio espiritual às populações e pela
conservação dos edifícios sagrados com algum valor arquitectónico. O estudo incide
sobre as igrejas: Cumieira (Sta Marta de Penaguião), S. Félix de Lafões (S.
Pedro do Sul), Santa Cruz de Lumiares (Armamar), S. Pedro de Paus (Resende),
Sta M.ª de Cárqueres (Resende), Gosende (Castro Daire), Feirão (Resende) Lamosa
(Sernancelhe), Matriz (Moimenta da Beira), Baldos (Moimenta da Beira), Carregal
(Sernancelhe), Caria ( Moimenta da Beira), Nacomba (Moimenta da Beira) Vila de
Rua (Moimenta da Beira), Penso (Sernancelhe), Faia (Sernancelhe), Quintela da
Lapa (Sernancelhe), Fonte Arcada (Sernancelhe) Ferreirim (Sernancelhe),
Escurquela (Sernancelhe), Alvarenga (Arouca), Penela da Beira (Penedono), Póvoa
de Penela (Penedono), Sebadelhe (Foz Côa), Segões (Moimenta da Beira), Mós (Foz
Côa),Valongo (S. João da Pesqueira)S. João de Fontoura (Resende). Os registos
dos contratos de adjudicação são tão pormenorizados que se revestem de grande
interesse monográfico local.
Este terceiro
livro, reporta-se às visitações dos séculos XVII e XVIII. E chega ao
mercado em data coincidente com alterações nas Dioceses de Braga e de Vila
Real. Esta última foi criada há um século (1922), subtraindo-a ao território da
Arquidiocese de Braga, que não dispunha de acessos compatíveis, nem servidores
suficientes para cobrir a lonjura e a falta de quadros. Curiosamente foi agora
escolhido um arcebispo jovem, esclarecido e ajustado às exigências do tempo e
do espaço. Acresce que foi selecionado no território geográfico que este
terceiro volume aflora e que Armando Palavras investigou cientificamente, nas
suas teses de mestrado (2001) e de doutoramento (2011).
Estes três volumes constituem um todo que se afigura precioso para quem deseja conhecer o chão que pisa, em termos de mundialidade cívica, social, cultural e religiosa.
Barroso da Fonte
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