sábado, 26 de fevereiro de 2022

A vida é bela



ANTÓNIO   MAGALHÂES
Sheffield


Técnico Aeroespacial

Luxemburgo - https://bomdia.lu/



A vida é bela

 

Pelo que daqui posso apreciar…

A vida é bela.

Assim refastelado no meu berço,

Depois de uma noite inteira a chorar (coisa de bebés)

Sabe-me bem agora tirar uma soneca.

Na verdade…não durmo.

Contemplo… contemplo o mundo que me espera

E as pessoas que me rodeiam.

A Mãe

recebeu-me com um largo sorriso,

como um alvorecer que se funde com o início de um dia quente e harmonioso,

onde o sol espalha os seus raios luminosos

beijando toda a terra para que a vida sobressaia e floresça.

Aquele sorriso que é um misto de amor puro,

proteção, dedicação, o meu universo, o meu suporte,

a minha rampa de lançamento para a vida.

O Pai

Não cabia em si de contentamento, satisfação, alegria.

Quando me viu,

Quando me pegou no seu colo,

A emoção foi tanta que chorou como se quisesse entrar numa competição de choro comigo.

Por detrás daqueles olhos vidrados pelas lágrimas,

Um raio florescente de amor e alegria

brilhava tanto ou mais do que a luz do sol.

A minha Irmã

Não põe um pé fora da porta sem que me pegue ao colo

Derretendo-se com olhares de carinho e ternura,

E pensamentos que só eu sei ler,

porque os guardo comigo, sem os revelar a ninguém.

O tio Pedro

quando me viu assim nesta posição de conforto,

Desenhou no rosto um sorriso rasgado de orelha a orelha

E de maneira terna, disse…

“Parece mesmo confortável, sem nada que o preocupe”

Depois…fez uma breve pausa e acrescentou,

“Espera só até que tenha que pagar as suas contribuições…”

O tio Pedro tem sentido de humor. Isso tenho que admitir.

O Tio Miguel

afirma que vou ser o mais inteligente da família.

Muito cedo para saber até que ponto isso é um grande desafio, ou não.

A avó Maria

Quando me pega ao colo cobre-me de beijos,

Embala-me nos seus braços cheios de amor e conforto,

E não se cansa de repetir

“O meu menino da avó.”

O avô António

Para lá do amor incondicional,

Vai querer assegurar-me o futuro.

Vai-me oferecer, como primeiro presente, livros de bebés,

Para que me acostume com as cores,

As formas, os desenhos, os animais, as coisas.

Que estimule a imaginação.

Saramago do futuro.

E depois, quem sabe, uma guitarra, um piano, ou até uma bateria.

Algum dia os Pink Floyd hão de precisar que se lhes dê continuidade.

Sim, o avô vai querer que eu venha a ser um nome grande no futuro.

Mas o avô sabe que apenas e só,

O futuro é o que ainda se tem para viver,

E o que se tem para viver não pode ser preenchido por mais ninguém

A não ser por quem vive a sua vida e não a vida de quem nos quer bem.

O avô sabe que um nome grande no futuro da humanidade,

Não exige muito mais do que ser humilde,

que se ame e se seja amado de maneira genuína,

Que se respeite para que se seja respeitado

Que se tenha presente na memória a cada dia que passa

Que o verdadeiro sentido e propósito da vida é o amor

E só através dele se atinge a verdadeira e pura felicidade.

O resto…vem por acréscimo.

E agora…se me dão licença

Eu, Alfie João 

Deleitado aqui no conforto do meu berço,

Amparado pelos anjos que me embalam e protegem

Vou continuar a apreciar os meus belos olhos

pelo lado de dentro das minhas pestanas.

Quando saírem

não se esqueçam de pendurar na porta do meu quarto o sinal

“Por favor, não incomodar”

António Magalhães

 


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