sábado, 30 de outubro de 2021

Jung Chang receia regressar à China

                              

Jung Chang: “Não sei se poderei voltar à China e se será seguro. É o preço por escrever”

30 OUTUBRO 2021 15:13

Catarina Brites Soares

Zhang Xiaohong

Entrevista a Jung Chang, escritora britânica nascida na China, onde todos os seus livros estão proibidos. Ao Expresso, a autora da biografia “Mao: a História Desconhecida” confessa-se triste e até desesperada: “A população tem de papaguear a visão do Partido e pode ser condenada se ousar tentar saber o que aconteceu realmente”

Jung Chang estava autorizada a ir ao seu país natal 15 dias por ano e só para ver a mãe. Com Xi Jinping no poder, a escritora antecipa que até isso deixará de ser possível. A biografia “Mao: a História Desconhecida” ditou a pena a que está condenada desde 2005. Nada demove a agora cidadã britânica, radicada em Londres, que antes de fazer da escrita profissão foi mais uma das milhares de vítimas da Revolução Cultural. Ainda fez parte do Exército Vermelho, com 14 anos, mas por pouco tempo. Depois trabalhou nos campos e como operária, até se ter tornado estudante de Inglês e assistente na Universidade de Sichuan, província onde nascera, em 1952. Doutorada em Linguística pela Universidade de Iorque, em 1982, foi a primeira pessoa da República Popular da China a fazer o doutoramento numa faculdade britânica. 
Traduzida em 40 línguas e com mais de 15 milhões de livros vendidos, Jung Chang conta ao Expresso como foi viver de perto um dos períodos mais atrozes da História e como tem sido viver ao longe outro que prevê que venha a ser recordado pelo mesmo motivo. Diz que hoje é ainda mais difícil encontrar os seus livros em solo chinês, incluindo na “terra da liberdade” que cedeu ao poder de Pequim.

Como surge a paixão pela escrita e como passa a profissão?

Gostava muito de escrever em crian­ça. Escrevi o primeiro poema aos 16 anos, em 1968, durante a Revolução Cultural (1966-1976), quando se queimavam livros por toda a China. Recordo-me de estar deitada na cama, a limar o poema, quando ouço pancadas na porta. Os Guardas Vermelhos — ao serviço de Mao Tsé-tung durante a Revolução Cultural — tinham vindo revistar a casa. Se tivessem apanhado o que escrevera, teríamos tido graves problemas.

FONTE: https://expresso.pt/internacional/2021-10-30-Jung-Chang-Nao-sei-se-poderei-voltar-a-China-e-se-sera-seguro.-E-o-preco-por-escrever-57a27513


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