A partir do momento em que começou o agravamento impiedoso da insurgência islâmica em julho de 2009, mais de 60 mil cristãos foram assassinados ou sequestrados em seus ataques. Os cristãos sequestrados nunca mais voltaram aos seus lares e seus entes queridos acreditam que estejam mortos. Além disso, naquele mesmo período, cerca de 20 mil igrejas e escolas cristãs foram incendiadas e destruídas. Foto: O que restou da igreja First African Church Mission em Jos, Nigéria em 6 de julho de 2015. (Foto by AFP via Getty Images)
A Intensificação do Genocídio Jihadista na Nigéria
por Raymond Ibrahim
28 de Outubro de 2021
Original em inglês: The Jihadist Genocide of Christians in Nigeria
Intensifies
Tradução: Joseph Skilnik
- O que inúmeros observadores internacionais têm há
anos retratado como "puro genocídio" de cristãos na Nigéria
atingiu novos patamares.
- "Nunca vimos um governo tão monstruoso
quanto este neste país. O governo apoia incondicionalmente o banho de
sangue na Nigéria. Estamos sendo assassinados só porque não somos
muçulmanos. Esses mefistofélicos jihadistas fulani contam com o apoio do
governo para saírem por aí matando pessoas a esmo, destruírem seus lares e
fazendas e quando tentamos nos defender, o governo prende o nosso povo.
Que tipo de justiça é essa?" — Pastor Jacob Kwashi, bispo anglicano,
no funeral de 17 cristãos assassinados, Morning Star News, 30
de agosto de 2021.
- "Há um genocídio em andamento no sul de
Kaduna dirigido à população cristã... Todas as igrejas ou escolas foram
arrasadas. Nem um único pastor fulani foi preso em todos esses anos. É uma
pena que... a mídia ocidental, não acredita que nossas vidas valham alguma
notícia.", — Jonathan Asake, ex-membro da Câmara dos Representantes
da Nigéria, The Epoch Times, 4 de agosto de 2021.
- "Já que o governo e seus defensores afirmam
que os assassinatos não têm conotações religiosas, por que então os
terroristas e pastores têm como alvo as comunidades predominantemente
cristãs e também os líderes cristãos?" — Associação Cristã da
Nigéria, International Centre for Investigative Reporting, 21
de janeiro de 2020.
- "É complicado dizer aos cristãos nigerianos
que não se trata de um conflito religioso, pois o que eles veem são
quadrilheiros fulani vestidos de preto da cabeça aos pés, entoando
palavras de ordem 'Allahu Akbar!' e gritando 'Morte aos Cristãos'." —
Irmã Monica Chikwe, Crux, 4 de agosto de 2019.
O que
inúmeros observadores internacionais têm
há anos retratado como "puro genocídio" de
cristãos na Nigéria atingiu novos patamares.
A partir do
momento em que começou o agravamento impiedoso da insurgência islâmica em julho
de 2009, primeiro nas mãos do Boko Haram, uma organização terrorista islâmica e
na sequência pelos fulani, lavradores muçulmanos também radicalizados e
motivados pela ideologia jihadista, mais de 60 mil cristãos foram assassinados
ou sequestrados em seus ataques. Os cristãos sequestrados nunca mais voltaram
aos seus lares e seus entes queridos acreditam que estejam mortos. Além disso,
naquele mesmo período, cerca de 20 mil igrejas e escolas cristãs foram incendiadas
e destruídas.
Algumas
dessas descobertas estão documentadas em um relatório de 4 de
agosto de 2021 realizado pela Sociedade Internacional das Liberdades Civis e do
Estado de Direito, também conhecido como "Intersociety", uma
organização de direitos humanos sem fins lucrativos com sede na Nigéria. Embora
valha a pena ler o relatório na íntegra, seguem alguns trechos dignos de nota:
"O
número total de mortes 'diretas' de cristãos... ocorridas entre julho de 2009 e
julho de 2021... avaliado de forma independente, chega a nada menos que 43 mil
pessoas... As mortes são resultado da disseminação do islamismo radical na
Nigéria..."
"Os
jihadistas islâmicos e seu 'esprit de jihad' nas forças de segurança nigerianas
foram responsáveis por pelo menos outras 18.500 mortes de cristãos decorrentes
da prática de sumiços ou de sequestros que muito provavelmente jamais serão
devolvidos com vida... Muito embora a maioria dos muçulmanos sequestrados por
jihadistas na Nigéria sejam depois incondicionalmente libertados para as suas
famílias, a maioria dos seus homólogos cristãos são mortos no cativeiro ou
convertidos à força ao Islã..."
"Entre
as atrocidades cometidas pelos jihadistas dirigidas acima de tudo contra os
cristãos... se encontram: massacres, assassinatos, mutilações, cortes de
gargantas e de úteros, decapitações, tortura, amputações, sequestros, tomada de
reféns, estupro, violação de menininhas, casamentos forçados, sumiços,
extorsões, conversões forçadas e destruição ou incêndio de casas e locais de
culto e centros de aprendizagem, bem como invasão e tomada de terras
cultivadas, destruição e colheita forçada de safras agrícolas e outros atos
proibidos internacionalmente..."
"Nos últimos doze anos... pelo menos 17.500 igrejas e 2.000 escolas cristãs e outros centros de aprendizagem foram atacados pelos jihadistas e destruídos parcial ou totalmente ou incendiados ou devastados. Nos últimos sete meses de 2021, por exemplo, o número de igrejas ameaçadas ou atacadas e destruídas ou incendiadas saltou para mais de 300..."
"Nos
mesmos últimos doze anos, também foi descoberto, de forma independente, que
nada menos de 30 milhões de cristãos, principalmente no norte da Nigéria de
maioria muçulmana e suas religiões étnicas foram ameaçados e dez milhões deles
foram desalojados, seis milhões forçados a fugir de suas casas ou localizações
geopolíticas para evitar serem mortos a machadadas e mais de quatro milhões de
desabrigados viraram IDPs (deslocados internos)..."
Embora o
último mês a ser incluído no período de relatório da Intersociety tenha sido
julho de 2021, os massacres e atrocidades continuam de forma implacável desde
então. A seguir alguns exemplos de agosto de 2021:
Em uma
região do Plateau, terroristas fulani "assassinaram 70 cristãos,
desabrigaram outros 30 mil e queimaram 500 lares além de mil fazendas"
isto só nas três primeiras semanas do mês de agosto, segundo um relatório divulgado
em 25 de agosto. Davidson Malison, um líder cristão de uma das áreas
afetadas, lamentou:
"lágrimas
compulsivas continuaram enchendo nossos olhos como nação e como povo. O terror
desencadeado pelos lavradores fulani contra os cristãos de Irigwe continuou a
todo vapor sem nenhum indício de remorso e nem de arrependimento."
Pastor
Ronku Aka, outro líder da comunidade cristã de Irigwe, observou:
"enquanto
os lavradores fulani atacavam minhas comunidades, os soldados e outros agentes
de segurança se encontravam por perto. Conforme os invasores fulani desfechavam
os ataques, tínhamos a esperança de que eles enfrentassem os invasores e dessem
um basta à destruição, mas nada disso aconteceu."
Quando Aka
interpelou os soldados com respeito ao seu descaso, eles responderam que
"não receberam ordens para resistir aos atacantes".
Elishi
Datiri, outro líder cristão da região, cujo rebanho foi massacrado nesta rodada
da jihad, explicou a situação
com mais detalhes:
"lamentavelmente,
a carnificina, o genocídio e a destruição desenfreada de propriedades estão
sendo cometidos nas barbas do pessoal de segurança com quem o governo gasta
bilhões dos contribuintes em operações para proteger as vidas e propriedades de
todos os nigerianos. Em muitos casos, os militares colaboram com os fulanis
para que cometam ataques covardes. A participação direta dos militares na
destruição de terras cultivadas e propriedades de cristãos motivou inúmeras
petições, entrevistas coletivas à imprensa, comunicados e, em alguns casos,
manifestações por parte das comunidades cristãs exigindo a retirada dos
militares... Há incessantes ataques sangrentos contra os cristãos capitaneados
pelos fulanis com a ajuda das agências de segurança sobrecarregadas com a
responsabilidade de proteger vidas e propriedades... Quero frisar a profunda
preocupação inaceitável à pilhagem de nossas terras sob a direta supervisão das
autoridades constituídas encarregadas de defender todos os direitos das
pessoas, consolidados na Constituição da Nigéria."
Segundo
outro relatório de 30 de
agosto, os lavradores islâmicos assassinaram outros 36 cristãos, muitas vezes
sob gritos islâmicos de "Allahu Akbar",
durante vários ataques que corriam soltos no estado nigeriano de Kadu no mês de
agosto.
No funeral
de 17 desses cristãos, o reverendo Jacob Kwashi, bispo anglicano que presidiu
outros tantos funerais de cristãos assassinados nas últimas semanas e
meses, soltou o verbo:
"nunca
vimos um governo tão monstruoso quanto este neste país. O governo apoia
incondicionalmente o banho de sangue na Nigéria. Estamos sendo assassinados só
porque não somos muçulmanos. Esses mefistofélicos jihadistas fulani contam com
o apoio do governo para saírem por aí matando pessoas a esmo, destruírem seus
lares e fazendas e quando tentamos nos defender, o governo prende o nosso povo.
Que tipo de justiça é essa?"
Na noite de
24 de agosto em Jos North, no Plateau, "lavradores jihadistas fulani"
invadiram outra aldeia cristã onde, de acordo com outro relatório, "foram
de casa em casa assassinando os moradores". No final, mais 37 assassinatos
de cristãos.
Na
madrugada de 3 de agosto, terroristas fulani invadiram outras quatro aldeias de
maioria cristã, onde assassinaram entre 22 e 27 pessoas,
incendiaram centenas de casas e destruíram sistematicamente colheitas e grãos
das aldeias agrícolas. Comentando o ataque, Jonathan Asake, ex-membro da Câmara
dos Representantes da Nigéria, salientou:
"há um
genocídio em andamento no sul de Kaduna dirigido à população cristã autóctone
cujo objetivo é nos forçar ou intimidar a abandonar nossa fé ou deixar as
terras de nossos ancestrais de mão beijada para os pastores armados. Algumas
das aldeias atacadas... foram atacadas pelo menos três vezes nos últimos seis
anos contendo valas comuns onde dezenas foram enterradas em pé servindo de
testemunho do que estamos dizendo.Todas as igrejas ou escolas foram arrasadas.
Nem um único pastor fulani foi preso em todos esses anos. é uma pena que,
embora o governo do estado de Kaduna e o governo federal estejam fazendo vista
grossa, o mundo como um todo, em especial a mídia ocidental, não acredita que
nossas vidas valham alguma notícia."
Em 5 de
agosto, autoridades governamentais demoliram uma
igreja em Maiduguri, capital do estado de Borno, no norte da Nigéria, de
maioria muçulmana. O filho do pastor, Ezekiel Bitrus Tumba, 29, foi baleado e
morto por tentar intervir e impedir a demolição de sua igreja. No domingo, 8 de
agosto, os cristãos se reuniram em torno das ruínas de sua igreja e realizaram
um culto. Um cristão escreveu no
Facebook: "eles demoliram a construção, pensando que era a Igreja. Mas não
é possível conter e destruir a Igreja."
Provavelmente,
em resposta, mais quatro igrejas locais foram demolidos, tudo sob o
pretexto de que não tinham alvarás adequados, que são praticamente impossíveis
de obter no estado de Borno, de maioria muçulmana. Conforme um líder cristão
local observou:
"se
você quiser construir uma igreja, eles não lhe darão o alvará, porque o governo
irá demitir qualquer um que proponha/assine um documento para a construção de
uma igreja".
Segundo
outro relatório de 10 de
agosto:
"pastores
muçulmanos sunitas fulani invadiram o orfanato cristão em Miango, na Nigéria, e
incendiaram todas as construções. As 147 crianças e funcionários foram
evacuados poucas horas antes do ataque de 2 de agosto de 2021. As crianças
ficaram órfãs em ataques anteriores perpetrados por terroristas muçulmanos
sunitas, como o Boko Haram."
"À
medida que os pastores fulani foram avançando nas regiões de Miago e Jos, eles
destruíram 500 casas, 5 igrejas e assassinaram 68 cristãos. Muitos ficaram
feridos. A lei nigeriana proíbe a posse de armas de fogo na Nigéria, mas
curiosamente os fulani tinham armas exatamente iguais às do exército."
O governo
do presidente Muhammadu Buhari obviamente
nega qualquer irregularidade. Ele também insiste há muito tempo que nenhum
desses assassinatos tem algo a ver com a religião, nem com a fé muçulmana dos
perpetradores fulani, nem com a fé cristã das vítimas assassinadas. Invertendo
as bolas, segundo o governo nigeriano, a violência e o derramamento de sangue
se deve às disputas por terras, pobreza e desigualdade.
Embora a
grande mídia ocidental e um contingente considerável de políticos ocidentais,
estejam felizes da vida em repetir a mesma ladainha e apresentar o que é, de
fato, um genocídio de cristãos alimentado por jihadistas como se fosse um
problema econômico, poucos cristãos nigerianos caem nesta conversa fiada.
"Uma
vez que o governo e seus defensores afirmam que os assassinatos não têm
conotações religiosas, a Associação Cristã da Nigéria perguntou: por que então
os terroristas e pastores têm como alvo as comunidades predominantemente
cristãs e também os líderes cristãos?"
A
Associação Cristã da Nigéria também perguntou:
"como
é possível se tratar de um conflito secular ou econômico quando um grupo
(muçulmanos) persistentemente ataca, mata, mutila, destrói e o outro (cristãos)
é continuamente morto, mutilado e seus locais de culto destruídos?"
Nas palavras da Irmã
Monica Chikwe, freira das Irmãs Hospitaleiras da Misericórdia:
"é
complicado dizer aos cristãos nigerianos que não se trata de um conflito
religioso, pois o que eles veem são quadrilheiros fulani vestidos da cabeça aos
pés, entoando palavras de ordem 'Allahu Akbar!' e gritando 'Morte aos
Cristãos'."
Raymond Ibrahim, autor do livro recentemente publicado Sword and Scimitar, é Ilustre Senior Fellow do Gatestone Institute, Shillman Fellow do David Horowitz Freedom Center e Judith Rosen Friedman Fellow do Middle East Forum.
FONTE: https://pt.gatestoneinstitute.org/17901/genocidio-jihadista-nigeria

Sem comentários:
Enviar um comentário