Tempo caminhado
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domingo, 9 de maio de 2021
Noutra Roménia?
Fugir da Roménia para cair noutra Roménia?
8 MAIO, 2021
helenafmatos
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BLASFÉMIAS
Isabel Milu:
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Quando caiu o muro de Berlim, eu era uma adolescente num país dominado pela figura paternalista de um Estado comunista. Um Estado que detinha e controlava todos os recursos e os distribuía de acordo com a sua (falta de) visão ideológica e económica. No mundo em que cresci, todos tinham casa e emprego garantidos, acesso a educação e saúde. Mas as casas eram todas iguais (igualmente más), os salários nada tinham a ver com o valor profissional, e a saúde era gratuita apenas em teoria porque, na prática, os serviços eram prestados a troco de “ofertas” em dinheiro ou bens e primava pela falta de medicamentos básicos e equipamentos. Iniciativa individual? Desencorajada. “Eles fingem que nos pagam, nós fingimos que trabalhamos”, era o ditado daqueles tempos. Consequência: baixa produtividade, bens de má qualidade, oferta inadequada à procura existente e colapso económico. Mas o dinheiro nem era assim tão importante, porque o Estado nos DAVA tudo o que nós precisávamos para (sobre)viver. E foi essa palavra que passei a detestar: DAR poucas vezes tem a ver com a pessoa que recebe. Nada era conquistado através de esforço individual, excelência ou profissionalismo. O Estado simplesmente dava. O que quer dizer que também podia deixar de DAR.
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