Presidente angolano pede desculpas
públicas às vítimas do massacre de 27 de Maio de 1977 e aos seus familiares e
fala em "sincero arrependimento". Milhares de angolanos foram acusados
de tentativa de golpe.
No seu discurso, esta quarta-feira
(26.05), para anunciar os resultados da Comissão Reconciliação em Memória às Vítimas dos
Conflitos Políticos (CIVICOP), o Presidente João Lourenço reconheceu que a
resposta do Estado ao que considerou tentativa de Golpe de Estado de 1977 foi
desproporcional e vitimou, inclusive, inocentes.
O chefe de Estado angolano disse que o momento agora "não é de se apontar dedos". Volvidos mais de quatro décadas do massacre, o Estado quebra finalmente o silêncio e pede desculpas públicas às vitimas e aos seus familiares.
"Este pedido público de desculpas e de perdão não se resume a simples palavras, ele reflete o nosso sincero arrependimento e vontade de pôr fim à angustia que ao longo destes anos as famílias carregam consigo por falta de informação sobre destino dado aos seus ente-queridos".
João Lourenço encorajou, na ocasião, outros atores que participaram nos conflitos políticos a terem o mesmo procedimento.
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| Livros de Dalila Cabrita Mateus / Álvaro Mateus e de José Milhazes sobre esse massacre horrendo |
"Este povo heróico e generoso que já deu provas de saber perdoar merece ouvir igualmente de quem tem a responsabilidade de o fazer, um pedido público de desculpas e de perdão pelas almas de Tito Chingunji, de Wilson dos Santos e respetivas famílias, das valentes mulheres das figuras da Jamba, dos passageiros do comboio do Zenza do Itombe, dos mártires da cidade do Cuito-Bié, do Huambo e de outros não citados aqui", enfatizou Lourenço.
Declaração de João Lourenço de
"soberana e sublime"
Em reação, Eugénio Manovokola,
figura histórica da UNITA, maior partido da oposição, diz não ser da
competência do Presidente João Lourenço falar sobre os passivos do "Galo
Negro". Contudo, classifica a declaração de João Lourenço de "soberana
e sublime", mas lembra que há outras vitimas que devem ser incluídas nesse
processo.
"Foi bom ter estendido essa
iniciativa às vítimas do conflito de Luanda de 1992, [mas] muito mais do que
isso. Há, por exemplo, as vítimas do Mutietie (Bie) que não estão incluídas",
recorda Manovokola.
Também vai começar o processo de
localização dos restos mortais de Alves Bernardo Nito Alves, Jacob João Caetano
"Monstro Imortal", Cita "Vales", José Vieira Dias
Vandu-nem, os músicos Urbano de Castro, David Zé e Artur Nunes, entre outros
para exumação e entrega aos familiares.
Este processo estender-se-á também
às vítimas do conflito de 1992, que vitimou figuras da UNITA, como Jeremias
Chitunda, Elias Salopeto Pena e Mango Alicerces.
Esta quinta-feira (27.05),
comemoram-se os 44 anos do massacre do 27 de Maio de 1977 e começam a ser
entregues, simbolicamente, os certidões de óbito aos familiares dos milhares de
vítimas.
Também haverá homenagem, no
Cemitério da Santa Ana, em Luanda, afirmou o ministro da Justiça e dos Direitos
Humanos Francisco Queirós.
"Estaremos no dia 27 de maio
para lembrar esse acontecimento para que nunca mais aconteça", prometeu
Queirós.

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