domingo, 17 de janeiro de 2021

Pai e Mãe

 Pai e Mãe  

“Gerador 1” e “gerador 2”,

Aí está a nova prioridade,

De uma ministra que deixa ao depois,

A família com toda a naturalidade,

Que lhe vem do próprio Deus.

Outros conceitos aparecem, ó Céus! (1)

 

Já não existe o Pai e a Mãe.

A ideologia traz outro projeto.

Existem “geradores” por aí além.

Pai e Mãe, sujeitos a veto,

De inteligentes legisladores europeus!

Querem sobrepor-se ao próprio Deus. (2)

 

Desaparece o conceito de maternidade.

Aparece por aí uma sequência numérica.

O mesmo se passa com a paternidade.

“Dadores de vida” eis a palavra tão genérica.

Mais um ataque à família tão atacada.

E Luciana submissa entra nessa estrada. (3)

 

Falar de “geradores” combate a discriminação,

Defende mesmo a privacidade de pessoas.

Ó que grande, maravilhosa e sublime intuição,

Que eu não alcanço, mesmo se tão boa

Já não existe o direito das nossas crianças

A terem um pai e uma mãe! Que andanças! (4)

 

Por aí anda o “género” e sua ideologia,

Tão grande que Luciana distraída,

Esqueceu por momentos a pandemia,

Esqueceu o combate pela própria vida,

A que foi gerada por um pai e uma mãe,

E na qual eu me sinto muito, muito bem. (5)

 

 

Teófilo

Manziana, 14 de janeiro de 2021

 

1)      Chega-me à mão um documento em italiano com o título “Papà e Mamma non si possono cancellare!”. (Pai e Mãe, são nomes, que não se podem apagar”). Trata-se de um projeto da Ministra do Interior italiana Luciana Lamorgese de abolir nas Bilhetes de Identidade de gente com menos de 14 anos, as palavras PAI e MÃE, para serem substituídas por “genitore 1” e “genitore 2”, A tradução mais habitual de “genitore” em português é “pai”. Teríamos então, à letra, seguindo Lamorgese “Pai 1” e “Pai 2”. O que evidentemente não passa, não tem qualquer sentido em português. Traduzir como eu fiz por “gerador 1” e “gerador 2”, não é muito elegante, em português. Menos ainda seria “engendrador 1”  e “engendrador 2” se a Academia nos permitisse criar esas palavra que viria do verbo “engendrar” que existe em português com o significado de “gerar a vida”. Neste poema (estrofe 3) traduzo por “Dadores de vida” o que já é evidentemente uma interpretação. Voltando ao italiano e sabendo que “genitori” se traduz em português por “pais” teríamos “pai 1” e “pai 2” o que não soa muito bem, nem corresponde à realidade. Uma criança não tem dois pais, tanto quanto eu sei, tem um pai e tem uma mãe. Também não tem duas mães. Ter-se-á Luciana Lamorgese esquecido desta realidade tão natural?

2)      Perante este ataque à família e chamada a justificar esta proposta de substituir as palavras pai e mãe pela sequencia numéria “genitore 1” e “genitore 2”, a inteligente ministra justificou a sua decisão com esta resposta: “A Europa o pede”. Que inteligência!

3)      Lamorgese repete então e apenas o que lhe vem de Bruxelas. É possível então que proposta similar apareça noutros países, talvez em Portugal. Talvez nessa altura então eu tenha uma melhor tradução para “genitore 1” e “genitore 2” que aqui traduzo já, como disse na nota 1, com uma locução interpretativa, dizendo “Dadores de vida”. Se algum dos meus leitores tem melhor expressão emj português, por favor, ajude-me.

4)      Mais outra tentativa de explicação, mas sempre pouco ou nada convincente. Haverá discriminação em dizer “pai” ou “mãe”?  Por esse caminho, amanhã teremos que abolir palavras como “irmão” e “irmã”, “rapaz” e “rapariga” e por aí adiante. Não sei que palavras encontrar. Grande tarefa para os defensores da ideologia de género. Mudar todos os nossos dicionários e criar uma nova linguagem. Tarefa gigantesca! Por enquanto em italiano eu conheço apenas esta que aprendi hoje “genitore 1” e “genitore 2” . Diz ainda Lamorgese que usar as palavra “pai” e “mãe” pode ser uma ofensa, uma discriminação em relação aos “geradores” (genitori, em italiano. Como traduzir? Ajudem-me por favor) doi mesmo sexo. Tanto quanto eu sei na minha pobreza intelectual, uma criança para ser gerada precisa de um pai e de uma mãe. Não conheço nenhuma criança gerada por duas mães ou dois pais. Usar também os termos “pai” e “mãe” vai contra a privacidade das pessoas… não chego a compreender muito bem.

5)      Começa o artigo que me caiu nas mãos da seguinte maneira: “Apesar da crise sanitária, apesar da crise económica, apesar da escola que continua fechada, apesar do aumento do número de famílias em dificuldade e apesar da atual crise do governo qual é a prioridade da Ministra Lamorgese, hoje? Apagar as palavras “pai” e “mãe” para as substituir pelas palavras “gerador 1” e “gerador 2”. E mais à frente o artigo diz: “Substituir as palavras pai e mãe pelas palavras ‘gerador 1’ e ‘gerador 2’ só para não discriminar imaginárias realidade representa uma mentira ideológica”. E ainda: “Não existe nenhuma burocracia tortuosa ou privacidade que possam negar o direito a cada criança a ter um papá e uma mamã”.

O nome da ministra é Luciana, nome relacionado com LUZ, que tem luz. Parece-me que, neste caso, a ministra não está a fazer honra ao seu nome de luz.

Pessoalmente estou muito orgulhoso de ter tido um pai e uma mãe que me deram tudo, além da vida, em primeiro lugar. Assim continuarão a ser para mim, longe de qualquer sequência numérica para os identificar, como parece ser a proposta por Luciana Lamorgese: “gerador 1” e “gerador 2”. Esse vocabulário não passa na minha mente nem no meu coração.

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