por BARROSO DA FONTE - A VOZ DE TRÁS-OS-MONTES
Na minha nota da penúltima quinzena aludi aos quatro congressos Transmontanos que se
realizaram em 1920, em 1941, em 2002 e 1918. Os três
primeiros tiveram por palco Trás-os-Montes.
O último decorreu em Lisboa, graças ao Presidente da Direção, Hirondino
Isaías que quis honrar uma das conclusões do III que recomendava a repetição dessa
iniciativa de cinco em cinco anos. Dos três primeiros restam as atas, sobretudo
daquele que decorreu em Bragança e que deu nas vistas pela quantidade de
congressista, do primeiro-ministro e do Presidente da República.
Na nota que aqui assinei há 15 dias procurei assinalar o século que se
completou em1920 e lamentava que ninguém e nenhuma autarquia tivesse aludido a
esses 100 anos que foram fazendo história e que, ainda hoje, perduram em
imagens e palavras que dão para invocar alguns daqueles que mais se
distinguiram. Foi o caso de Miguel Torga: quem escreve ou discorre sobre
Trás-os-Montes, alude ao magnífico texto que proferiu, em Vidago, em 1941,
intitulado: Reino Maravilhoso.
Não se pense que foram inúteis essas quatro jornadas em cada quarteirão de
século XX. Especialmente dos três primeiros. Trás-os-Montes ainda hoje é a
província mais desprezada de Portugal e em tudo.
Foram os ventiladores que aterravam no Porto. E, em vez de seguirem
para o interior norte, desciam para o centro do país. Cena idêntica se passou
com as vacinas. A Voz de Chaves de 7 do corrente escreveu: «os concelhos de
Montalegre e Valpaços foram os primeiros a receber a vacina em estruturas
residenciais para idosos. Lares de Chaves começam a ser vacinados na próxima
semana» (13-17). Como? Querem exemplo mais claro desta bagunçada que deita por
terra toda a hipocrisia política do Governo?
Nesta minha primeira reflexão de 2021 devo corrigir uma informação que dei
na minha última nota de leitura, neste jornal quando, a propósito do silêncio
secular sobre o mutismo dos quatro congressos, nenhuma autarquia Transmontana
ter elogiado o esforço dos promotores desses eventos.
De facto, não fui correto com o Grémio Literário de Vila Real que editou um
curioso livro de Álvaro Magalhães dos Santos sobre «A Rua Direita – Uma Janela
sobre Vila Real», anotações numeradas, entre a página 14 e a 165 facilita a
leitura. Numa espécie de agenda anual, onde menciona as pessoas dessa Rua
Direita e recorda eventos que ajudam a um retorno histórico. Na obra «Histórias
ao Café» fala-se de tudo isso. E o investigador Elísio Neves, sempre ao lado de
Pires Cabral, editaram, além daquele livro, duas coleções de postais do tempo
do I Congresso. Ficam as minhas desculpas. ■


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