sábado, 2 de janeiro de 2021

Carta revela que Governo deu informações falsas para justificar escolha de procurador europeu


Então o senhor Juiz trabalha com a ministra e este não sabia o currículo dele?...

Mas vejam o que dizem as notícias ZAP:

Carta revela que Governo deu informações falsas para justificar escolha de procurador europeu

Por

Maria Campos

31 Dezembro, 2020

Manuel de Almeida / Lusa

A Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem

Uma carta, enviada pelo Governo português para o Conselho Europeu em novembro do ano passado, revela que o Executivo deu informações falsas para justificar a escolha do procurador europeu José Guerra em vez de Ana Carla Almeida.

Segundo avançaram a SIC e o semanário Expresso esta quarta-feira, entre os três candidatos portugueses ao lugar de Procurador Europeu, Ana Mendes de Almeida ficou em primeiro lugar na escolha do Comité de Seleção Internacional, que avaliou os currículos e as entrevistas dos pretendentes ao cargo.

Ao contrário de outros 19 países, que acataram a recomendação do júri independente, apenas a Bélgica, a Bulgária e Portugal contestaram a proposta e escolheram o nome que entendiam ser mais indicado. Assim, o cargo foi ocupado pelo segundo classificado indicado pelo Comité de Seleção Internacional, José Guerra.

José Guerra trabalha atualmente no Eurojust (agência da União Europeia) e trabalhou com a atual ministra da justiça, Francisca Van Dunem, no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

Acontece que, numa carta enviada ao Conselho da União Europeia em novembro do ano passado, à qual a SIC e o Expresso tivereram acesso, o Governo justifica a alteração com informações falsas.

Na missiva, José Guerra é apresentado como Procurador-Geral Adjunto, a categoria mais alta no Ministério Público – algo que não é verdade. O erro é repetido seis vezes ao longo do documento.

Além disso, a carta alega que o procurador dirigiu a 9ª secção do DIAP, identificado como o maior departamento nacional de combate ao crime económico-financeiro. No entanto, na verdade, é o DCIAP, onde José Guerra nunca trabalhou, que investiga os casos mais complexos desse tipo de criminalidade.

A terceira informação falsa prende-se com uma posição de liderança investigatória e acusatória no processo UGT. Porém, o caso foi investigado por outros três procuradores e José Guerra apenas esteve presente no julgamento como magistrado.

Em declarações à SIC, José Guerra garantiu que não teve responsabilidade na elaboração desta carta e disse que as referências erradas só podem ser lapsos que não acrescentam nem retiram nada ao seu currículo, que é público.

Já a ministra da Justiça escusou-se a tecer comentários sobre o documento, dizendo apenas que este é um processo de natureza reservada. Por outro lado, a governante sublinhou que José Guerra detém o melhor perfil para o cargo.

Ana Mendes de Almeida, coordenadora das investigações do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), já apresentou queixa à Provedora de Justiça Europeia.

Recentemente, Ana Mendes de Almeida ficou conhecida por ter ordenado buscas no Ministério da Administração Interna por suspeitas de corrupção. Um dos casos visados foi o das golas anti-fumo, que veio a público pouco antes das eleições legislativas de outubro e culminou na demissão de José Artur Neves, à época secretário de Estado da Proteção Civil e agora arguido nesse processo.

A Procuradoria Europeia é um órgão da União Europeia criado em 2017 para investigar crimes económicos. É liderado pela magistrada romena Laura Codruta Kövesi e tem 22 procuradores, um por cada Estado-membro participante. Portugal foi um dos três países que se recusaram a aceitar a escolha do comité de peritos.

Rui Rio pede esclarecimentos ao Governo

O presidente do PSD quer que o Governo esclareça as notícias de que “terá falsificado o currículo” do procurador José Guerra para justificar a sua nomeação para um órgão europeu “que visa, justamente, combater a corrupção”.

“Será que a ministra da Justiça fez mesmo isto? A ser verdade é gravíssimo. Tem de ser esclarecido”, apela Rui Rio, numa publicação esta madrugada na sua rede social Twitter.

Em setembro, antes da tomada de posse de José Guerra, o PSD requereu explicações da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, no parlamento sobre a sua nomeação para procurador europeu, considerando “censurável” que o Governo não tenha indicado o candidato mais bem classificado no concurso de seleção.

Os sociais-democratas consideravam então que a nomeação do magistrado do Ministério Público José Guerra estava “envolta em polémica, uma vez que o candidato melhor posicionado no concurso aberto para a seleção dos três candidatos designados por Portugal (…) para o cargo de procurador europeu acabou por não ser o candidato nomeado”.

O PSD recordava que o comité de seleção, composto por 12 personalidades escolhidas entre antigos membros do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas, antigos membros do Eurojust, membros dos Supremos Tribunais nacionais, procuradores de alto nível e juristas de reconhecida competência, “considerou como o melhor candidato ao cargo a magistrada do Ministério Público, Dra. Ana Carla Almeida, responsável no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) pelos processos relativos a fraudes nos fundos comunitários”.

“Todavia, esta magistrada, apesar de ter sido a melhor posicionada pelo júri internacional, acabou por ser preterida pelo candidato indicado pelo Governo português para o referido cargo (…), o que se afigura reprovável”, considera o PSD.

Maria Campos, ZAP //


Comentário de Tempo Caminhado:

"A Oeste nada de novo" é o título do já clássico de Erich Maria Remarque. Mas pode bem ser aplicado  ao Portugalinho dos xuxas.

Para os xuxas costistas, que são os mesmos xuxas socráticos, "aos amigos tudo, aos inimigos nada. Aos outros aplica-se a "lei"- aldrabada!


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