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| JORGE LAGE |
Durante
a primeira vaga da pandemia foi público e notório que o grande foco do governo
era transmitir uma falsa ideia de que estavam a fazer tudo bem pelo povo. Quem
fosse pragmático já não conseguia ouvir a mesma cassete durante meses. As
respostas às perguntas dos jornalistas eram sempre redondas. «Ninguém estava
preparado», dizia-se. Embora muitos países aprendessem logo a lição. A História
das grandes mortandades têm mais de 2.000 anos. Os romanos já usaram máscaras.
Há cem anos, devido à «gripe espanhola» (com origem no Extremo Oriente) a
população foi obrigada a usar máscara. Se quando soou o alarme na China se
tivesse formado uma equipa de crise multidisciplinar tudo teria corrido melhor.
O senso comum diz-nos que uma máscara, mesmo simples, protege mais do que não a
usando. Logo, nunca se devia ter dito que «a máscara era enganadora ou
contraproducente», só porque não as havia no mercado português. Um velho e
ilustre amigo ao apresentar-se num hospital de Lisboa com máscara, viveu o
inferno e não desistiram enquanto não lha fizeram tirar. Entrou no hospital com
máscara e saiu sem ela. Mas, se houvesse humildade e menos arrogância, se
reunissem com a indústria têxtil, em menos de uma semana começariam as máscaras
nacionais a chegar ao mercado «e em força». Entre a primeira e a segunda vaga
da pandemia fez-se de conta. Não se fez o «trabalho de casa». Quando se colocam
questões muito técnicas e complexas na mão dos políticos sai asneira. Assim,
apareceram os complexos aparelhos de ventilação assistida a falar chinês, que
nos custaram «os olhos da cara» e chegaram tarde e a más horas e «a falarem
chinês». Se as intruções em português são complexas o que será em chinês!... Há
um hospital privado, em Miranda do Corvo, pronto a estrear e que poderia
aumentar a capacidade de cuidados intensivos e a ministra prefere ignorá-lo. Só
isto seria suficiente para a levar a tribunal. Agora, continua-se a propaganda
e para se ser bem tratado dizem ser preciso «padrinhos». Não estamos livres de ouvirmos
a sentença: «este é velho deixa-se morrer» (como um cão? Não, como um velho,
porque os perros têm mais direitos do que nós, pobres velhos). O que aconteceu
este Outono com a vacina da gripe deixa-me envergonhado. Havia vacinas para
todos, segundo a arte destes políticos mentirem, A minha irmã mais velha e o
marido foram ao Centro de Saúde de Mirandela para serem vacinados e quando se
preparavam para receber a dose, lá terão descoberto que residiam em Chelas, a
uns escaços 3 kms da cidade, e mandaram-nos embora, apesar de terem uma
residência na cidade, mas a averbada era na freguesia de Cabanelas. Lá foram a
Cabanelas e não tiveram melhor sorte. Voltaram ao Centro de Saúde de Mirandela
e foram, novamente, «mandados com os cantares das segadas». Hoje, ainda não
sabem que este ano não serão vacinados contra a gripe, apesar de serem um grupo
de risco e trabalhado uma vida. Pobres velhos que, como a minha irmã
octogenária, são enganados por este governo. Isto leva-me a pensar que na minha
aldeia e outras os portugueses são de terceira… Se fossem emigrantes africanos,
falava-se em racismo… e a vacina aparecia…
In: Notícias de Mirandela


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