domingo, 13 de dezembro de 2020

Portugueses de terceira?!

 

JORGE LAGE
Durante a primeira vaga da pandemia foi público e notório que o grande foco do governo era transmitir uma falsa ideia de que estavam a fazer tudo bem pelo povo. Quem fosse pragmático já não conseguia ouvir a mesma cassete durante meses. As respostas às perguntas dos jornalistas eram sempre redondas. «Ninguém estava preparado», dizia-se. Embora muitos países aprendessem logo a lição. A História das grandes mortandades têm mais de 2.000 anos. Os romanos já usaram máscaras. Há cem anos, devido à «gripe espanhola» (com origem no Extremo Oriente) a população foi obrigada a usar máscara. Se quando soou o alarme na China se tivesse formado uma equipa de crise multidisciplinar tudo teria corrido melhor. O senso comum diz-nos que uma máscara, mesmo simples, protege mais do que não a usando. Logo, nunca se devia ter dito que «a máscara era enganadora ou contraproducente», só porque não as havia no mercado português. Um velho e ilustre amigo ao apresentar-se num hospital de Lisboa com máscara, viveu o inferno e não desistiram enquanto não lha fizeram tirar. Entrou no hospital com máscara e saiu sem ela. Mas, se houvesse humildade e menos arrogância, se reunissem com a indústria têxtil, em menos de uma semana começariam as máscaras nacionais a chegar ao mercado «e em força». Entre a primeira e a segunda vaga da pandemia fez-se de conta. Não se fez o «trabalho de casa». Quando se colocam questões muito técnicas e complexas na mão dos políticos sai asneira. Assim, apareceram os complexos aparelhos de ventilação assistida a falar chinês, que nos custaram «os olhos da cara» e chegaram tarde e a más horas e «a falarem chinês». Se as intruções em português são complexas o que será em chinês!... Há um hospital privado, em Miranda do Corvo, pronto a estrear e que poderia aumentar a capacidade de cuidados intensivos e a ministra prefere ignorá-lo. Só isto seria suficiente para a levar a tribunal. Agora, continua-se a propaganda e para se ser bem tratado dizem ser preciso «padrinhos». Não estamos livres de ouvirmos a sentença: «este é velho deixa-se morrer» (como um cão? Não, como um velho, porque os perros têm mais direitos do que nós, pobres velhos). O que aconteceu este Outono com a vacina da gripe deixa-me envergonhado. Havia vacinas para todos, segundo a arte destes políticos mentirem, A minha irmã mais velha e o marido foram ao Centro de Saúde de Mirandela para serem vacinados e quando se preparavam para receber a dose, lá terão descoberto que residiam em Chelas, a uns escaços 3 kms da cidade, e mandaram-nos embora, apesar de terem uma residência na cidade, mas a averbada era na freguesia de Cabanelas. Lá foram a Cabanelas e não tiveram melhor sorte. Voltaram ao Centro de Saúde de Mirandela e foram, novamente, «mandados com os cantares das segadas». Hoje, ainda não sabem que este ano não serão vacinados contra a gripe, apesar de serem um grupo de risco e trabalhado uma vida. Pobres velhos que, como a minha irmã octogenária, são enganados por este governo. Isto leva-me a pensar que na minha aldeia e outras os portugueses são de terceira… Se fossem emigrantes africanos, falava-se em racismo… e a vacina aparecia…

In: Notícias de Mirandela

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