O caso
Fátima Bonifácio traz-nos essa memória bem viva. E o que daí se retira, é que a
epopeia socrática está para durar. Desde que a historiadora escreveu aquele
artigo no Público, não há dia nenhum que não surja na imprensa um artigo de
ódio dessa esquerda fedorenta. Hoje saiu mais um, escrito por um investigador (do ISCTE, note-se) preto (Paulo Mendes). Repito (por questões de semântica): preto.
Aconselha-se essa gente a ler mais do que aquilo que se presume que lê, além da cartilha ideológica: “Jardins de Luz” de Amin
Maalouf, por exemplo. E, já agora, que vão ao baú buscar este belo poema de António Gedeão (Rómulo de Carvalho), onde o poeta (branco) utiliza os dois termos - "preta" e "negro":Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

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