segunda-feira, 15 de julho de 2019

Jardins de Luz



Amin Maalouf é autor de vários livros. “As Cruzadas vista pelos Árabes” e “Samarcanda”, são dois dos seus livros mais conhecidos. “Os jardins de Luz” é outro volume excepcional deste autor de Beirute. Trata da vida de Mani, profeta iraniano que fundou o Maniqueismo, uma religião gnóstica, com elementos do Zoroastrismo e muitos fundamentos do Cristianismo (nesta narrativa, Jesus é o seu predilecto). Aliás, a narrativa quase inicia com a presença de Mani, na infância, numa comunidade (seita) cristã, conduzida por Sittai, no Palmeiral, um local remoto da antiga Mesopotâmia, junto ao Tigre. Uma seita que procura a pureza nos seus costumes, comendo apenas dos alimentos que eles próprios cultivam (que descrevem como masculinos e por isso puros) e afastando-se da convivência com os demais. De hábitos rígidos e austeros.
Mani acaba por sair do convívio dessa seita, a ele se junta o seu pai, Pattig, antigo príncipe parto, e Malcos, o seu amigo de sempre. Rumam em direcção à India. O fim deste profeta não é nada bom. Perseguido pelos sacerdotes zoroastrianos.
Amin é um escritor de excelência, com narrativas ficcionais (do Oriente) fundamentadas em dados históricos, que se lêem como se saboreia o mel que escorre da colmeia. Estaremos perante um futuro candidato ao Prémio Nobel da Literatura?

Biografia Wook
Escritor e jornalista libanês, Amin Maalouf nasceu em 1949, em Beirute, na confissão católica árabe. Filho de Ruchdi Maalouf, um escritor, professor e jornalista, frequentou os colégios jesuítas de Beirute e, após a conclusão dos seus estudos em Economia e Sociologia, continuou a longa tradição familiar no Jornalismo.
Inserido no an-Nahar, um jornal libanês de importância, foi enviado para países como a Argélia, a Índia, o Bangladesh, a Etiópia, a Somália e o Quénia, muitas das vezes para fazer a cobertura de guerras e conflitos armados.
Em 1975, uma onda de violência assolou o Líbano e, com o rebentamento de uma guerra civil, Amin Maalouf optou, em 1977, por se exilar com a família em Paris, onde continuou a exercer a carreira, contribuindo para o Jeune Afrique e para a edição internacional do an-Nahar. Em 1983 publicou o seu primeiro livro, "As Cruzadas Vistas Pelos Árabes", obra escrita na língua francesa, e que teve por grande mérito dar a possibilidade não só ao público, como também aos historiadores, de aceder às fontes árabes medievais nos capítulos respeitantes à História das Cruzadas, reescrevendo assim convicções mantidas ao longo de quase mil anos.
Em 1986 fez a sua estreia no romance com "O Leão Africano", que conta a história de um geógrafo, Hassan Al-Wazzan, nas suas deambulações, desde a Granada onde nasceu, pela bacia do Mediterrâneo e por terras africanas até à sua residência em Fez. Amplamente autobiográfico, o livro relembra os episódios do exílio do próprio Maalouf.
Cultivando a ideia de que a harmonia universal entra em conflito com o sistema de convicções humano, publicou "O Jardim da Luz" em 1991. Recriando a vida de Mani, tenta mostrar que a beleza da tolerância é um bem frágil nas mãos dos poderes convencionais. Publicaria ainda Le "Rocher de Tanios" (1993), "Les Echelles Du Levant" (1996) e "Les Identités Meurtrières" (1998).
No ano de 2000, escreveu um libretto de ópera "L'Amour de Loin", que reconta os amores do trovador do século XII Jaufre Raudel pela Condessa de Tripoli. Com o arranjo musical da compositora finlandesa Kaija Saariaho, a ópera estreou em Salzburgo em 2000 e em Paris no ano seguinte, sob a direção de Peter Sellars.
Embora não tivesse empreendido grandes viagens desde a sua chegada a França, Maalouf visitou o seu país natal em 1994. Não obstante, grande parte da sua obra foi escrita no retiro de uma cabana de pescador algures numa ilha do Canal da Mancha.

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