Quem conserva na memória os tempos socráticos,
iniciados em 2004, sabe bem que esses tempos estão de volta. Os sinais são
evidentes: a arrogância de quem exerce o poder público, as directivas
totalitárias para as chafaricas da administração pública, as promessas
eleitoralistas de quem exerce o poder político, as falcatruas nas decisões do
bem geral, a aldrabice geral, a manipulação do comentariado, a famyligate, as sondagens a
propagar uma maioria absoluta, e por aí adiante. É que “No meio de um povo
geralmente corrupto a liberdade não pode durar muito.”, disse-o Edmund Burke
(1729-1797) no século XVIII. E também disse que “Para que o mal triunfe, basta
que os bons não façam nada.”.
Miguel Poiares Maduro é daqueles bons com alguma
influência que não quer passar ao largo destas citações do teórico inglês. Numa
pequena, mas excelente entrevista dada hoje ao jornal Publico apontou alguns
perigos e alguma esperança:
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