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| COSTA PEREIRA Portugal, minha terra. |
Depois de subirmos, agora vamos descer do Pico das Cruzinhas, pelo lado poente da caldeira do extinto vulcão do Monte
Brasil, em direcção ao pórtico da fortaleza. Mas nunca despedirmo-nos deste
amuralhado aspecto paisagístico, sem antes repetirmos a visita aos fossos, masmorras, igreja e palácio da fortificação que Filipe II,
de Espanha, denominou de São Filipe, e após o fim do domínio espanhol, D. João
IV, de Portugal, baptizou de São João Baptista. Aqui se o engenho e arte do ser
humano se fizeram notar, já quanto ao pico e veredas deste sedutor parque de
receio e reserva florestal e zoológica que acabamos de percorrer, foi a
omnipotência do Criador a manifestar-se de forma admirável: ora na
singularidade geográfica que deu ali ao relevo, ora no adorná-lo com uma flora
e fauna muito peculiares. De facto o panorama que lá do cimo se desfruta e se
nos oferece apreciar sobre a cidade de Angra é indescritível! Aquele cenário
paisagístico que, envolvendo o Ilhéu das
Cabras, a poucos metros afastado da orla, as verdejantes e coloridas
veredas e picos da Ribeirinha, Cabritos, Bagacina e Santa Barbara, no interior da ilha, não
tem paralelo, visto como pano de fundo duma cidade costeira, a nossos pés.
Valendo ainda acrescentar que a poente dali, em pleno Atlântico, também se
avista, ao longe, a ilha de São Jorge e na mesma direcção, a sul, um pedaço da
ilha do Pico, que lhe fica à retaguarda. Fora da fortaleza, que deixamos
confiada à guarda da instituição militar (Exército) ali aquartelada, chegou o
momento de darmos por concluída esta visita a pé...através de todo este
encantador e histórico espaço que faz parte da zona classificada de Angra, para
daqui, entre a baía de Angra e a do Fanal, avançarmos com um breve resumo
monográfico das freguesias que formam o concelho de Angra do Heroísmo:
Comecemos então pela primeira de todas aquelas que a
Oeste da cidade nos ficam à nossa esquerda, como é o caso de São Mateus da Calheta, uma das mais
importantes povoações piscatórias da ilha, com uma população residente de 3343
habitantes. Para além do seu aglomerado de casas, compacto e irregular,
distingue-se pela sua imponente igreja do séculos XVI e XVII e cujo padroeiro,
São Mateus, dá o nome à localidade. Continuando pela orla temos São Bartolomeu dos Regatos, uma antiga
localidade actualmente com 1569 habitantes e cuja a agricultura é a principal
ocupação. Tem como patrono da sua igreja São Bartolomeu. E logo a seguir temos Cinco Ribeiras cujo topónimo resulta do
numero de cursos de água que a partir de Angra se contam até lá. Também é
conhecida por freguesia Branca, devido à cor das suas casas. Consagrada a Nossa
Senhora do Pilar, desde o século XVII, deve o facto a uma primitiva ermida
dessa invocação que os jesuítas ali mandaram erguer. Por ser a mais próxima do
epicentro do sismo de 80 foi também das terras que então mais danos materiais
sofreu. Na Canada do Pilar, nº.5, é muito visitada uma pequena industria
artesanal de queijo, o "Queijo Vaquinha", pertença do Sr. João Henrique
Melo Cota, o qual aos visitantes que por lá passarem além de brindar com uma
tradicional prova regada com
"vinho de cheiro", faculta que através dum envidraçado, para o efeito
montado, observem algumas das principais tarefas da confecção do queijo. Pelo census/2001 a freguesia tem 684
habitantes. Outra freguesia é Santa
Bárbara, que goza do privilégio de ser a primeira paróquia criada ainda no
tempo e jurisdição do capitão do Donatário Jácome de Bruges. Tem igreja do
século XV, consagrada a Santa Bárbara, e uma população de 1366 habitantes. Doze Ribeiras, nome que também resulta
da contagem dos cursos de água, é freguesia consagrada a São Jorge, e a igreja
paroquial data do século XIX. Tem 559 habitantes, muito bairristas. A freguesia
da Serreta, com 374 habitantes, tem
como padroeira Nossa Senhora dos Milagres e cujas festas que em sua honra ali
decorrem nos primeiros dias de Setembro fazem então juntar na Serreta milhares
de peregrinos vindos de toda a ilha, sobretudo jovens. Dos miradouros da sua famosa
mata florestal e parque de recreio e lazer, avistam-se ao largo, em pleno
atlântico, as ilhas de São Jorge e Graciosa. Ao que tudo indica não vai demorar
muito (?) tempo que entre São Jorge e a Serreta surja uma nova ilha, visto
estar em actividade um fenómeno sísmico que aponta nesse sentido. O Raminho é outra freguesia rural, criada
em 1880, hoje com 550 habitantes, e cuja igreja paroquial é consagrada a São
Francisco Xavier. Altares é, do lado
Oeste, a última freguesia do concelho de Angra e também das mais antigas da
ilha Terceira. A igreja primitiva é do século XVI e a actual também com São
Roque por patrono é simples e de construção recente. Tem uma população de 884
habitantes. O percurso entre São Mateus da Calheta e São Roque dos Altares é
sedutor, oferecendo ao visitante um delicioso passeio com locais de paragem
obrigatória como: Ponta de São Mateus, Porto Negrito, Negrito, com piscina
natural, Ponta das Cinco, com parque de campismo e piscina natural, Ponta
Rubra, Ponta do Queimado, com pesqueiro e farol, Fajã e Ponta do Raminho, com
caminhos pedonais e miradouros junto à falésia. Das demais freguesias a Este da
cidade falaremos a seguir.
Costa Pereira



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