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| Virgilio Gomes |
Fui
convidado, recentemente para participar num programa do canal História
sobre a Última Ceia. O que parecia fácil transformou-se numa tarefa
complexa. Interpretar os textos bíblicos não é tarefa que se deva levar
de ânimo leve. E especialmente quando se presente ser isento em questões
relacionadas com as convicções e com a fé. Depois de estudar
cuidadosamente os Evangelhos de S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas, e ainda
a Epístola ao Coríntios, fiquei ainda mais perplexo. As citações em
relação aos produtos alimentares são muito escassas, e para além do pão e
vinho, apenas o cordeiro surge como elemento fundamental da celebração
do judeus mas não referido especificamente como constituindo parte da
Última Ceia. Há, no entanto, no Evangelho de S. Mateus uma citação de
Jesus que diz que foi atraiçoado por”…aquele que molhou o pão juntamente
comigo…” que nos leva a pensar que haveria um molho que, possivelmente,
seria o da preparação do cordeiro. A mesma citação surge no Evangelho
de S. Marcos. Certo é que havia uma tradição dos judeus de celebrarem a
Páscoa com uma Ceia. Era um período de sete dias que se iniciava com a
tradição dos pães sem fermento. S. Lucas danos as palavras de Jesus que
desejou “…ardentemente convosco esta Páscoa, antes de morrer. Pois
afirmo-vos que não voltarei a comê-la até que ela receba o seu
significado completo no Reino de Deus.” Para além destas
informações, a consulta obrigatória de fontes pictóricas revelou-se
ainda mais despojada do que os textos apesar de apresentarem, alguns, a
representação de peixes talvez por que o peixe era um símbolo de
reconhecimento no encontro de cristãos durante as perseguições romanas.
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| Última Ceia de creta |
E a propósito apetece-me transcrever parte de um texto do Padre José Tolentino de Mendonça, no livro
A Bíblia contada pelos Sabores, no qual afirma: “A mesa é uma espécie
de fronteira simbólica que testemunha, para lá das diferenças, uma
possibilidade de comunhão.” E ainda: “A mesa e a refeição tornam-se por
excelência o sítio da universalidade e da utopia cristãs.” Continuando
com o mesmo autor: “As refeições são para Jesus sobretudo atos
performativos, onde ele explica o seu projeto, colocando os que não
podem estar juntos à volta da mesma mesa, preparando uma refeição
igualitária para a multidão díspar de homens e mulheres.” Assim a Última
Ceia é por excelência um ato com várias mensagens e carregada de
simbolismos, na qual os alimentos ou a composição da refeição funcionam
como instrumentos para uma fórmula mais espiritual.
Nesta
perspetiva, o canal História quis também desafiar dois chefes de
cozinha contemporânea para criar uma ceia inspirada na Última Ceia de
Jesus Cristo. Hoje vou apresentar-vos a proposta de Miguel Laffan, com
mensagem escolhidas da Bíblia, do extraordinário restaurante L’ AND em Montemor:
Há sempre bons motivos para celebrar à mesa:



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