terça-feira, 29 de abril de 2014

Jorge Lage - Notas de Rodapé

Salto - Montalegre

Jorge Lage
4- O Ecomuseu de Salto (na Casa do Capitão) – Para um novo livro etnográfico, fui recolher informação à vila de Salto e pobos anexos, no concelho de Montalegre e vim de lá deslumbrado com o Eco-Museu de Salto e com peças únicas daquele mundo rural, como um arado suevo que tem arcabouço para transportar uma peça de artilharia. Ficaram-me no olho uns quatro ou cinco assadores de castanhas em ferro e latão que poderão peças a figurar no livro. Depois, Salto até tem uma paisagem que desafio o melhor pintor naturista criativo, recortada de reboleiros e muros que demarcam e atestam uma realidade agrícoló-sociológica ainda importante no século XX. Salto é uma vila mineira, com o maior filão de volfrâmio nas «Minas da Borralha», e um rio, que foi truteiro, é uma bênção para a mineração, para os campos e hortas e para as gentes ribeirinhas. É um rio diferente, que canta como se fosse um tenor no estio e um barítono quando incha e se bota de monte a monte. Um rio que ainda hoje nos embala, basta mandar cantar o silêncio e pedir aos carvalhos e às árvores ripícolas para engrossarem o coro. E se o estômago reclamar penso aconchego-o junto ao rio, no «Borda d'Água» da Maria. Eu comi lá umas «tripas brancas» divinais, mas outros atiram-me com um naco de vitela barrosã ou com um cozido de fumeiro do Barroso. Nas visitas anuais que as escolas a norte do rio Douro fazem por esse Portugal litoral, deviam ser obrigadas a, pelo menos uma vez na vida, rumarem ao Ecommuseu de Salto e à paisagem que o Grande Mestre moldou com saberes divinizados. Vinham de lá professores e alunos, mais cultos e mais felizes, basta perscrutar uma melodiosa paisagem de cores, sons e formas, para se renderem ao Olimpo barrosão (contactos: http://www.cm-montalegre.pt/showNT.php?Id=1766,  adsaltum@gmail.com, e 276510209).


Jorge Lage5- Em Santa Bárbara, nos Jogos Tradicionais na Taberna e a mirar o monte Jarmelo – A Beira Alta raiana encanta-nos e daí ter aceite o desafio do Presidente da Associação dos Jogos Tradicionais da Guarda para apresentar o meu livro, em 08 de Março, nas Cheiras, freguesia de Pínzio, concelho de Pinhel. Tive uma aconchegada assistência atenta onde se tomaram notas de um mundo mágico linguístico cultural que desaparece. Foi um Encontro Internacional de Jogos Tradicionais, sob o título «Na Taberna – Cultura e Tradição», organizados pela Associação de jogos Tradicionais da Guarda, Associação Terras de Santa Bárbara – Pinhel, Junta de Freguesia de Pínzio e pela Adega Cooperativa de Pinhel, com apoio do Município de Pinhel. De Espanha veio a «Associación La Tanguilla» de Aranda de Duero e da região de Bordéus - França a «Aquitaine Sport Pour Tous». Os espanhóis aliam a cultura popular ao lúdico, como «La Rana» e os franceses fazem dos instrumentos de trabalho momentos lúdicos e de diversão, manejando os pipos «du vin bordeax» com magia, por exemplo. À distância de um tenso tiro de obus estava vigilante o monte Jarmelo (ver Jarmelo, no livro Falares de Mirandela – raça de vacas em extinção), que até acolhe uma feira anual deste gado vacum. Ao sol poente os raios pareciam emitir gemidos de dor. E não me enganei quando subi o monte lá estava a memória ajoelhada e desesperada sob a indiferença de nobres e rei. Pelo chão de nobre e algoz, Pêro Coelho, terá sido derramado sal para que se tornasse terra de maldição. Uma página dolorosa e triste do amor de Dom Pedro pela formosa castelhana Inês, erguida e moldada em rústica forja.


6- Hospital de Santarém insensível aos pedidos dos doentes oncológicos? Valha-nos S. Paulo (Macedo)! – A nossa conterrânea Graziela Gomes (Vieira por casamento) tem tido um conjunto de episódios de saúde que só uma vontade titânica a mantém de pé. Há anos foi dada quase como finada, seguida de muito tempo acamada. Por muito teimar e lutar ergueu-se e tem levado uma vida com alguma independência. Depois, viu-se privado do marido, seu único amparo. Hoje, vive só, no coração da cidade de Ourém, mas, um problema oncológico levou-a ao hospital para uma intervenção, seguida de sessões de radioterapia. Tem que se deslocar em ambulância de Vila Nova de Ourém até ao Hospital Distrital de Santarém, percorrendo na ida e regresso cerca de 150 quilómetros. Por uma questão de poupança e rentabilização de recursos a Graziela viaja com outra paciente que, também, faz as mesmas sessões de tratamento. Sendo assim, o lógico, para doentes debilitados e em grande sofrimento era que o Hospital de Santarém lhes marcasse os tratamentos próximos um do outro. Mas, pelas informações que recebi não é bem assim. Ao que fui informado chegam a marcar os tratamentos das duas doentes oncológicas, uma para o início da tarde (14H00) e a outra para o fim da tarde (19H00). Isto, a ser mesmo verdade, será tanto mais revoltante quanto terá sido pedido para os tratamentos serem em horas próximas por viajarem no mesmo transporte. Qual quê? Ainda as terão afastado mais. A ser assim, só com intervenção do Ministro da Saúde ou do seu gabinete é que talvez se possa pôr cobro a esta cruel insensibilidade. Não lhes chegará o infortúnio da impiedosa doença que lhes rói o corpo e a alma? Então será assim tão difícil colocar as doentes que viajam de longe na mesma ambulância em horas seguidas ou muito próximas? Ou será que os tratamentos são marcados por algum computador programado? Valha-nos S. Paulo (Macedo)!... À Graziela desejo eu e o Notícias de Mirandela rápidas e totais melhoras. Fico à espera dos seus belos poemas para os reencaminhar para a redacção do Notícias de Mirandela.

Provérbios ou ditos:

Ø  Entrem Março e Abril o cuco hás-de ouvir.
Ø  Se não chover em Março e Abril, venderá el-rei o carro e o carril.
Ø  Quem não poupa água e lenha, não poupa nada do que tenha.
  
 Jorge Lagejorgelage@portugalmail.com – 25FEV2014

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