Acácias Rubras - BENGUELA
Nenhum de nós esquece, não é mesmo
gente angolana?
Nascemos e crescemos num continente e em um
país de cheiros, entregas, sabores, sóis e sentires tão sui generis.
Não saímos porque queríamos, porque fomos em
busca de coisas melhores, porque decidimos que tinha chegado a hora. Saímos
porque nos empurraram porta fora, porque puseram em risco a nossa vida e a dos
nossos amados. Na flor da idade, quando sonhávamos com crescimento, com
maturidade nesses mesmos campos e chãos. Saímos sem saber que não iríamos
voltar.
Seguimos agradecendo porque nos fortalecemos
todos os dias. Porque o não pertencer nos deixa mais prontos para cada dia e
cada anoitecer. Seguimos amando porque essa é a nossa natureza. Seguimos
sorrindo porque esse é o nosso jeito, a nossa raiz.
Não somos saudosistas. Mas perdemos as raízes
externas e são as nossas memórias que nos mantêm ligados às raízes de coração.
Quem é angolano sabe. E sente. Todos os dias.
E são as poesias, as imagens, o encontro e a
troca que nos alimentam. Sempre.
Que N' Zambi nos proteja todos
os dias. Que cada um de nós tenha alguém a quem desejar Mungu'eno até o
último dia. Que tenhamos muitos encontros. E que nos desencontros, possamos nos
achar.
Kamba diame dia Muxima, tza'kidila. Axiluanda ou não, kota
ou kandengue, repartimos o m'bolo da nossa caminhada.
Kiene! Kuia bwé ser angolano. Para
sempre e sempre.
Maria Joao Sacagami

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