Dia 25 de dezembro último faleceu,
com 77 anos de idade, Manuela Mendonça que se manteve no cargo de Presidente da
Academia Portuguesa de História, entre 10 de janeiro de 2006 e 25 dezembro de 2025.
Menos dez do que estivera Joaquim Veríssimo Serrão, seu antecessor.
Foi uma diferença abismal entre
ambas as administrações. Manuela Mendonça (MM) limitou-se a ser uma espécie de
“dona de casa”. Certamente fez muitas coisas boas, nos seus 20 anos de comando
na História de Portugal. Mas não descortinou mais do que aceitar a imposição
dos graus académicos do Processo de Bolonha. Entrou no cargo no ano letivo de
2006/2007. Como todos os antigos bacharéis que subiram a licenciados. E, da
noite para o dia, subiram para licenciados, sem darem explicações àqueles que
faziam os cinco anos obrigatórios.
No tempo de Salazar havia as
professoras do ensino básico que se deslocavam para longe de casa, para obter
os cinco anos, mais dois da especialidade. Claro que os tempos eram outros e
essas não chegavam para as poucas escolas do magistério. Para remediar a
situação surgiram as regentes escolares que resultavam de um estágio, após a
quarta classe. O mesmo procedeu com os regentes agrários, hoje engenheiros
agrícolas. Manuela Mendonça imitou os «cérebros europeus» que inventaram o
Processo de Bolonha. O facilitismo ao mais alto nível.
O geógrafo A. de Almeida Fernandes,
natural de Britiande (1917-2002) e docente no alto Minho, fez da prestigiada
Sociedade Martins Sarmento, da sua centenária Revista e da copiosa biblioteca,
o púlpito das suas evasões mentais. A partir das portas sempre abertas e
generosas dessa Instituição vimaranense, acumulou ciência bastante para
enfrentar os historiadores do seu tempo.
Aproveitando as novas tecnologias
como a Inteligência Artificial, pode ler-se que «Manuela Mendonça teve uma
participação ativa nas comemorações dos 900 anos do nascimento de D. Afonso
Henriques, em 2009, em Viseu». Por essa altura, no âmbito dessas
celebrações, foi lançada a coleção «Reis de Portugal», por si dirigida,
afirmando já Viseu como local de nascimento de Afonso Henriques, em agosto de
1109, conforme a nova e incoerente “teoria” imaginada pelo viseense Almeida
Fernandes.
Já partiram os protagonistas desta
nota de leitura: Almeida Fernandes, José Mattoso, Veríssimo Serrão e
agora Manuela Mendonça.
Em 13/02/2019 foi oficializada em Guimarães a Grã Ordem Afonsina – Vida e Obra do Rei Fundador. Foi a primeira associação da Lusofonia a alertar para a balbúrdia e a falta de verdade em torno da nossa História e respectiva cronologia. Aos 7 anos de existência, a Grã Ordem Afonsina, sem apoio oficial, já agrupou doze outras associações para, unidas, lutarem pela integridade da nossa História nacional. E até já houve quem reclamasse a paternidade do nosso projeto, sobretudo a importância simbólica da celebração condigna dos 900 anos do nascimento de Portugal, a ter lugar em 24 de Junho de 2028.
Barroso da Fonte


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