sábado, 24 de janeiro de 2026

Historiadores devem convergir em 2028


Dia 25 de dezembro último faleceu, com 77 anos de idade, Manuela Mendonça que se manteve no cargo de Presidente da Academia Portuguesa de História, entre 10 de janeiro de 2006 e 25 dezembro de 2025. Menos dez do que estivera Joaquim Veríssimo Serrão, seu antecessor.

Foi uma diferença abismal entre ambas as administrações. Manuela Mendonça (MM) limitou-se a ser uma espécie de “dona de casa”. Certamente fez muitas coisas boas, nos seus 20 anos de comando na História de Portugal. Mas não descortinou mais do que aceitar a imposição dos graus académicos do Processo de Bolonha. Entrou no cargo no ano letivo de 2006/2007. Como todos os antigos bacharéis que subiram a licenciados. E, da noite para o dia, subiram para licenciados, sem darem explicações àqueles que faziam os cinco anos obrigatórios.

No tempo de Salazar havia as professoras do ensino básico que se deslocavam para longe de casa, para obter os cinco anos, mais dois da especialidade. Claro que os tempos eram outros e essas não chegavam para as poucas escolas do magistério. Para remediar a situação surgiram as regentes escolares que resultavam de um estágio, após a quarta classe. O mesmo procedeu com os regentes agrários, hoje engenheiros agrícolas. Manuela Mendonça imitou os «cérebros europeus» que inventaram o Processo de Bolonha. O facilitismo ao mais alto nível.

O geógrafo A. de Almeida Fernandes, natural de Britiande (1917-2002) e docente no alto Minho, fez da prestigiada Sociedade Martins Sarmento, da sua centenária Revista e da copiosa biblioteca, o púlpito das suas evasões mentais. A partir das portas sempre abertas e generosas dessa Instituição vimaranense, acumulou ciência bastante para enfrentar os historiadores do seu tempo.

José Mattoso foi o seu mais destacado opositor, a pretexto do «Castelo da Feira que não de Faria». Essas divergências alastraram a campos posteriores, sem que a presidente da Academia de História, a partir do seu trono, procurasse mediar os conflitos. Pelo contrário. Em 2009 a influência de Almeida Fernandes fez com que os autarcas de Viseu e, por simpatia, os de Guimarães, promovessem um congresso fantasma nessa cidade beirã que irritou José Mattoso e a comunidade dessa época. A fúria foi de tal modo grosseira que os cidadãos portugueses viram e ouviram, através das rádios e televisões, a ameaça de Manuela Mendonça de que iria fazer tudo para mudar os manuais escolares, trocando o local de nascimento do Rei Fundador, de Guimarães para Viseu, e o respectivo ano, de 1111 para 1109.

Ela, que deveria ter sido uma dirigente conciliadora, sensata e representante legitimada, comprometeu-se a reeditar os manuais escolares, trocando os livros, em uso, por livros novos com delírios historiográficos, reinventando a censura no meio académico. Felizmente, nesse mesmo ano, na sequência dessa babozeira alucinada, o historiador José Mattoso conseguiu, em dezembro, evitar tal atoarda, sobretudo após o signatário deste texto ter agitado as águas e dado um murro na mesa do pântano silencioso em que o meio académico da História mergulhara.  

Aproveitando as novas tecnologias como a Inteligência Artificial, pode ler-se que «Manuela Mendonça teve uma participação ativa nas comemorações dos 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, em 2009, em Viseu». Por essa altura, no âmbito dessas celebrações, foi lançada a coleção «Reis de Portugal», por si dirigida, afirmando já Viseu como local de nascimento de Afonso Henriques, em agosto de 1109, conforme a nova e incoerente “teoria” imaginada pelo viseense Almeida Fernandes.

Face às inverdades que Manuela Mendonça semeou nesse congresso de Viseu, o signatário deste texto, que desde o falecimento do seu antecessor, Veríssimo Serrão, até ao presente, perdoa mas não esquece os ataques de que foi alvo, por parte de Almeida Fernandes (o Pai, em livros) e seu filho (artigo na Revista Beira Alta, 2003) nas suas «pachouchadas». E por isso publicou, entre outros,
«Afonso Henriques, um rei polémico» em 2009; e coordenou a «A saga da Santidade de Afonso Henriques», patrocinado pela Fundação Lusíada.

Já partiram os protagonistas desta nota de leitura: Almeida Fernandes, José Mattoso, Veríssimo Serrão e agora Manuela Mendonça.

Em 13/02/2019 foi oficializada em Guimarães a Grã Ordem Afonsina – Vida e Obra do Rei Fundador. Foi a primeira associação da Lusofonia a alertar para a balbúrdia e a falta de verdade em torno da nossa História e respectiva cronologia. Aos 7 anos de existência, a Grã Ordem Afonsina, sem apoio oficial, já agrupou doze outras associações para, unidas, lutarem pela integridade da nossa História nacional. E até já houve quem reclamasse a paternidade do nosso projeto, sobretudo a importância simbólica da celebração condigna dos 900 anos do nascimento de Portugal, a ter lugar em 24 de Junho de 2028.

Barroso da Fonte

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