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| Por: Costa Pereira Portugal, minha terra. |
Não muito distante da Ponta do Clérigo fica a paisagística Penha d’Águia (590m), e nesse intervalo
o Fortim do Farol, NS da Natividade do Faial e São Roque do
Faial que ainda pertencem ao concelho de Santana. Dali para diante, com a
entrada na paróquia de NS de Guadalupe
do Porto da Cruz está-se de regresso
a terras do Machico. Vem de caminho a Ponta
do Espigão Amarelo, a Boca do Risco,
a Ponta do Bode e a seguir surge a península de São Lourenço, com suas pontas do Rosto e Castelo, onde após
contornar o ilhéu da Cevada e a Ponta de São Loureço ou ilhéu do Farol se atinge o ponto mais
oriental da Madeira e descambando para a costa
sul, estamos de volta ao local de partida, o Machico, agora apreciando os
encantos da Baía d’Abra, da Piedade, da Prainha e do Caniçal.


De novo situados no prolongado
ancoradouro que recebeu os primeiros povoadores da ilha é lógico que desta zona
se faça uma descrição mais detalhada acerca do seu potencial histórico e
paisagístico. Começando, agora com os pés bem assentes em terra, pela Ponta de
São Lourenço cujo nome se deve à nau “São Lourenço” de João Gonçalves Zarco.
Trata-se duma península com cerca de 9km de comprimento e dois de largura que
desde 1982 foi considerada Reserva Natural e incluída no Parque Natural da
Madeira, com a finalidade de preservar a sua fauna, flora e herança geológica.
Localizada no extremo leste da ilha, na Ponta de São Lourenço “os penhascos erguem-se a 180 metros sobre
o Atlântico, num cenário árido sem árvores, apenas com flores a crescer em
encostas abrigadas”. Da fauna existente
constam aves, insetos e coelhos bravos. A reduzida presença humana da costa
norte da península com muitas grutas e praias interiores oferece condições de habitat ao lobo marinho. A seguir à Baía d’Abra, fica a Piedade, onde no terceiro fim-de-semana de Setembro se realiza a
tradicional procissão em honra de N. S. da Piedade, organizada no mar pelos
pescadores, a par de concorrido arraial do mesmo nome. Depois surge a Prainha muito frequentada e famosa por
ser a única praia da Madeira com arreia amarela. São sítios que fazem parte da
pequena freguesia e paróquia de São Sebastião do Caniçal. O Caniçal é uma terra
piscatória de forte tradição religiosa e uma das freguesias mais antigas da
Madeira; fica no extremo leste da ilha, antes da Ponta de São Lourenço e
pertence ao concelho do Machico. Ainda hoje muitos dos seus habitantes vivem da
pesca e ali se podem ver a maioria das traineiras para captura do atum e do gaiado. Também
outrora conhecida pela caça à baleia, vestígios dessa atividade podem ser ali
apreciados em museu que vale a pena visitar. A Zona Franca Industrial da
Madeira ocupa ali uma área de 120
hectares e também no Caniçal está a ser construído o futuro Porto de
Mercadorias da Madeira e uma “marina” para barcos de recreio.
“A cidade do Machico é tranquila,
possui excelentes residenciais e restaurantes,
e é o ponto de partida ideal para passeios a pé. As margens da ribeira do Machico estão cobertas de vegetação exuberante”, e por perto fica o Pico do Facho (322m), a levada da Ribeira Seca e a vereda turística em direção ao Porto da
Cruz (via Boca do Risco, Ponta do
Esporão Amarelo, Larano e Maiata), que como anteriormente se deixou entender
são locais pertencentes ao concelho, mas situados na costa norte da ilha. No
Machico além do muito mais a ver é digna de respeitosa visita a igreja paroquial,
com sua porta lateral sul em estilo gótico, os Paços do Concelho, o Fortim e a
capela de São Roque, do Séc. XVI, no
cais velho da cidade, com suas preciosas pinturas nos vitrais das janelas.
Visitar o Machico é conhecer o local onde se fixou o primeiro núcleo de
povoadores que sob orientação de Tristão Vaz Teixeira iniciaram o desbravamento
da costa norte da Madeira.
(Continua)


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