quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Barroso da Fonte - Magistral estudo sobre o Pelourinho de Montalegre


Barroso da Fonte
A revista Aquae Flaviae, na sua última edição (47) aborda cinco temas, cada qual o mais importante para a região. Isto para além da nota introdutória da Directora, Maria Isabel Viçoso, uma Barrosã que honra os seus conterrâneos e enriquece Chaves em todas as vertentes da cultura do último meio   século. Como sócio fundador nº 5 desta publicação que respira ciência em todos os assuntos que aborda, orgulho-me muito de possuir as suas 47 edições e de poder louvar quantos, nos quase 30 anos que leva de existência, souberam confiar nos seus timoneiros: presidentes da Direcção do Grupo Cultural Aquae Flaviae, da direcção da revista e do seu conselho científico que manteve um nível cultural sempre elevado, coerente e fecundo, a fazer inveja a diversas que existiram e ainda existem, nos grandes centros urbanos, à sombra de prestigiadas Bibliotecas, Universidades, Institutos,  associações, fundações e centenárias colectividades.

 Quisera eu que me honro de ser o número cinco de associado – o que é muito gratificante para o quase nada que por ela fiz – dispor dos espaços jornalísticos de que já dispus nos 61 anos de militância jornalística, para elogiar cada número que vai saindo. E sobretudo deste que em 222 páginas insere verdadeiros nacos de cultura ressuscitada dos tempos idos.
  Limitar-me-ei ao elogio rasgado ao arqueólogo de longo curso, Manuel José Carvalho Martins, pelos 35 páginas sobre o Mosteiro no Convento e pelas 77 páginas sobre a Chaves Romana – A Vila Romana XVII que forma um opúsculo notável e autónomo que, para os sócios constitui uma espécie de brinde suculento e delicioso. Do mesmo modo saúdo Alípio Martins Afonso e Maria Aline da Silva Ferreira Caetano, pelos trabalhos que ofereceram à revista e que muito esforço intelectual lhes mereceram.
Permitam-me os leitores que me debruce, essencialmente sobre o mais extenso estudo que João Soares Tavares, sendo Beirão de nascença e alfacinha de vivência permanente, revela um carinho muito grande por Montalegre. Se outras provas não tivesse dado ao longo de quase um quarto de século de dedicação quase exclusiva, bastaria a investigação que preparou para esta edição da revista Aquae Flaviae, sobre «o enigmático Pelourinho de Montalegre e a Terra de Barroso».  Essas  85 páginas de pesquisa apurada, equivalem a resmas de páginas de prosa corrida que sobre as Terras de Barroso, se têm multiplicado, a ritmo apressado e que, espremidas, não dão sumo para que o leitor mais ingénuo, refresque a garganta com um saibo que perdure alguns instantes.
João Soares Tavares, ao invés, escreve apenas sínteses do muito e proveitoso que desbrava do passado de quem por aqui  nasceu e sobreviveu, legando-nos  um património histórico e  simbólico para que tenhamos, hoje, raízes ancestrais dessa antropologia cultural que esborda e  transborda, descobrindo-se em cada sulco do arado ou da enxada.
Os pelourinhos remontam à idade média e eram erguidos em lugares públicos, em forma de colunas em granito trabalhado, simbolizando o poder feudal  ou religioso. Em torno do pelourinho  se expunham os criminosos, se davam as leis e se reuniam as comunidades para tomar decisões.
Nas suas visitas a Barroso o Dr. João Soares Tavares não só descobriu o lugar da Lapela (Cabril), onde João Cabrilho nasceu, sempre descobre inspiração para  abordar em artigos de imprensa e em livros de historiografia  de enorme valia monográfica. Sobre Cabrilho ninguém até hoje foi capaz de tanto e tão seguro. Já realizou filmes sobre os caminhos do descobridor da Califórnia, já publicou dois ou três livros, já usou a imprensa local para, em diversos artigos relacionados com o povoamento da vila e do concelho, fornecer interessantes ângulos sobre a demografia e, agora, oferece à revista Aquae Flaviae um documento informativo que é do melhor que se conhece sobre Montalegre. Aquando da minha primeira visita a esta vila nos anos setenta do século passado, «avistei quase por acaso um monumento isolado numa extremidade da Praça do Município. Assemelhava-se a um pelourinho. Soube depois, pretende ser a réplica do pelourinho de Montalegre». Na altura escrevi artigos de opinião. Finalmente, muitos anos depois, chegou o dia da publicação». Começa por explicar o que  são forais, pelourinhos e outros símbolos epigráficos. E conclui que aquele que ali se encontra presentemente «não é uma réplica do pelourinho original. É, antes, «o corolário de uma série de equívocos conforme demonstra entre a pagina 91 e 174». Com dezenas de fotos de boa qualidade e a cores, o notável investigador, em linguagem técnica mas clara  precisa e concisa fala desembaraçadamente, com uma dose de respeito e de simpatia por uma terra que conheceu e à qual tem dado muito do seu saber. Os barrosões devem-lhe muito. Em tudo do que entendeu falar, não teve papas na língua. Poucos barrosões, até hoje, fizeram tanto e tão bom. Sabemos que a Câmara lhe fez promessas que ainda não cumpriu. Quando ali apresentou, no Ecomuseu – Espaço Padre Fontes, o seu último livro sobre Cabrilho que a autarquia, louvavelmente patrocinou, foi-lhe prometido distribuir  esse livro por todas as escolas do concelho. Até hoje não foi cumprido esse pedido. Nem lhe foi dada qualquer explicação. João Soares Tavares merece o aplauso de todos os Barrosões e serviços institucionais.
                                                                                           Barroso da Fonte



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