sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A propósito de Costa Pereira e… da Senhora da Graça



Para adquirir o livro -

No passado Sábado (22 de Fevereiro), num local aprazível (a Biblioteca de São Lázaro em Lisboa), estivemos presente no lançamento público do livro “Nossa Senhora da Graça – na fé dos mareantes”, de Costa Pereira. Como estamos sempre que possamos ser úteis, sobretudo quando o apelo é feito pela alma transmontana.
Ali esteve reunido um grupo de amigos do autor (mas já lá vamos). Costa Pereira não é um Académico, nem sequer tem formação superior (à semelhança de António Aleixo – ou Rimbaud). É um homem simples. Mas é daqueles que adquiriu gosto pela escrita (que vem desenvolvendo há mais de 40 anos na imprensa não diária e  em monografias como a da sua terra natal), pela leitura; sobretudo pela cultura, o que é de louvar! E teve os seus mestres. A influência camiliana é notada na sua prosa.
Foi um encontro para registar, porque sendo um grupo restrito, a apresentação do “pequeno” volume (com cerca de 60 páginas) se transformou numa tertúlia, dirão alguns. Nós diremos num  pequeno simpósio. Onde os ouvintes rapidamente vestiram a pele de actores. E, em “familia”, foram abordadas questões e formuladas reflexões (sobre os livros e sobre a problemática editorial – cultura por assim dizer) que em multidão seriam impensáveis.
O mote foi dado por um transmontano do Barroso. E depressa alinhavado por outro oriundo de um recanto assinalável pelo “vinho dos mortos”. Para quem não sabe, de Boticas!
Quanto ao livro em si, não adiantaremos muito. Fá-lo-emos em primeira mão noutro local, no mês de Abril. Só depois o faremos aqui. Diremos apenas que é um belo guião sobre as paróquias agraciadas com o titulo da Senhora da Graça, base sustentável para outro tipo de desenvolvimentos. Aliás, como o autor assevera a dado passo: “Que sirva, que seja útil, pois foi com esse propósito que me dei ao trabalho de lhe dar corpo; vida, cabe aos que dele fizerem uso, tirar algum proveito que, na falta desta publicação, seria bem mais trabalhoso conseguir”.
Um guião onde o autor, além das paróquias continentais e ilhas adjacentes, se estende a locais recônditos onde a Portugalidade marcou presença, como no caso da Baía (Brasil) ou Benguela (Angola). É o próprio autor que no-lo diz a dada altura da narrativa: “ … ou São Pedro de Manteigas (Manteigas), donde partiu a devoção e a imagem da padroeira da paróquia de Graça, de Benguela (Angola). Destaque dá-se também a Nossa Senhora da Graça de São Salvador da Baia (Brasil) que graças ao insigne estudioso brasileiro Christovão de Avila soube foi a primeira Padroeira de terras de Santa Cruz”.
Contudo, não deixaremos para segunda via o seguinte: Costa Pereira possui uma experiência de vida como muitos escritores não possuem. A sua escrita não é pragmática, mas é fluida, como era a de Camilo. Como um arado sulca tempos e vivências, aproximando-a da crónica tradicional; do narrador Antigo.
Costa Pereira, transmontano de boa (e rija) cepa de Mondim de Basto, situa-se na linha daqueles que estão profundamente enraizados no povo; na sua religiosidade.
Congratulou-nos o seu ar de felicidade, o “momento alto e divino” descrito por Hermann Hess em Aquista, “que se pode comparar pela sua força e esplendor às vivências de felicidade das crianças!”. Mas este “momento alto e divino” foi também sentido pelo grupo que o acompanhou com a mesma “força e esplendor”. Só por isso valeu a pena o privilégio de sermos o orador convidado.
Bem haja!


Apresentação de "Nossa Senhora da Graça" - NetBila



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