Falou da economia, do governo, do
Presidente, de combustíveis e dos seus últimos patrões, os carismáticos Soares
dos Santos e Américo Amorim
Palha da Silva: Amorim e Soares
dos Santos “mantêm distância higiénica” da gestão
(Fotografia de Diana Quintela )
01/06/2013 | 00:16 | Dinheiro
Vivo
É considerado um dos melhores gestores portugueses. Integrou o conselho de administração de grandes empresas, como a Cimpor e a Jerónimo Martins. Foi, aliás, presidente executivo da dona do Pingo Doce entre 2004 e 2010.
Atualmente é vice-presidente da
Galp. Entrou na petrolífera pela mão do principal acionista, o empresário
Américo Amorim. Apesar da vocação para gestor, não resistiu à política: foi
secretário de Estado da Distribuição e Concorrência no último governo de Cavaco
Silva e, mais recentemente, em 2011, diretor de campanha do atual Presidente da
República, sucedendo a Miguel Relvas, que tinha ficado conhecido como o
Mourinho de Cavaco.
Além de gestor de empresas também
é economista, a mistura ideal para nos ajudar a perceber o que vivemos. Esta
semana, a OCDE veio dizer-nos que, ao contrário do que o governo prevê, 2014
não vai ser o ano da retoma. Até o défice não mexe e ficará longe dos 4%
combinados com a troika. Afinal, a política do governo falhou?
Se perguntarmos à generalidade
dos portugueses que têm sofrido a política de austeridade, que apesar de tudo
reconhecemos como necessária para o país, ficaremos com a ideia de que este
período de tempo tem sido muito prolongado e os efeitos não estão totalmente
dentro da linha que inicialmente se perspetivava, cerca de dois anos. No
entanto, se ouvirmos as instituições internacionais que nos seguem, ficamos com
a sensação de que Portugal, apesar de tudo, fez um caminho razoável. Lembro-me
de ter visto o plano do Ministério das Finanças de estratégia para as contas
públicas e o primeiro grande objetivo era restabelecer a credibilidade do país.
Neste capítulo, acho que o governo não falhou, antes pelo contrário. Os resultados
são visíveis: o nosso rating deixou de se degradar; o nosso custo de capital, e
consequentemente o custo de capital das empresas, também se reduziu; reduziu-se
a volatilidade, a ansiedade nos mercados. Estamos à porta de nos sentirmos à
vontade para regressarmos sozinhos ao mercado. Nessa perspetiva, julgo que não
há falhanço. Agora, calendário, isso é outra coisa. Quando refere a OCDE, de
facto, aquilo que perpassa é a diferença entre os resultados alcançados e o que
se pensava há algum tempo. Mas a OCDE diz muito claramente que Portugal tem uma
margem de manobra muito limitada, tendo em conta que é uma economia aberta, que
está muito dependente da evolução do exterior. Se a economia dos nossos
principais parceiros não está bem, temos muito mais dificuldade em tomar a onda
do crescimento. Por outro lado, também fica claro que o caminho que se
pretendia seguir passava por reformas estruturais e estas são mais difíceis de
gerir com resultados no curto prazo. E não se pode esperar que, com a economia
em depressão, com as economias dos nossos parceiros em depressão, as reformas
estruturais acelerem em vez de, como é normal, demorarem algum tempo.
A política do governo é a
adequada, o calendário é que não?
Não, também não disse isso.
Lembro--me de um documento, muito sólido, do Conselho para as Finanças
Públicas, que diz que qualquer atraso na persecução destas reformas estruturais
vai implicar sacrifícios muito superiores no futuro. Portanto, não deverá, de
maneira nenhuma, ser posto em causa o caminho de reformas estruturais,
nomeadamente o controlo da despesa pública. Aquilo que vamos ter de medir,
neste momento, é se a credibilidade que já conseguimos conquistar se consegue
coadunar com alguma flexibilidade dos nossos principais credores e parceiros. Acho
que isso conseguimos. Aquilo que tem vindo a ser permitido a Portugal, de
flexibilização dos prazos de acomodação de défices orçamentais, revela que, com
credibilidade, há mais facilidade em obter essa adequação dos calendários.
Mas a economia não cresce, o
défice também não é reduzido ao nível que Portugal se compromete, logo a dívida
não encolhe. O que é que correu mal?
Estou habituado, em qualquer
instituição - e o Estado na sua gestão não é diferente -, quando pretendemos
apurar desvios ou responsabilidades, encontramos sempre algumas coisas que poderíamos ter feito melhor e algumas
variáveis exógenas que explicam um bocadinho os limites em que poderíamos ter
evoluído ou não. Entre as variáveis exógenas, já falámos na evolução negativa
que têm tido as economias. Há dois anos, pensava-se numa economia um bocadinho
mais positiva do que a que encontramos na Europa neste momento. Essa é uma
variável exógena que se tem de levar em linha de conta para explicar alguns
atrasos que, eventualmente, possa haver em relação aos planos iniciais. Uma
segunda área, que não pode ser minimizada, é que o caminho das reformas
estruturais foi sofrendo, aqui e ali, alguns percalços. O grande problema da
economia portuguesa era um problema de despesa e durante algum tempo, talvez
por falta de consenso político, fomos adiando o corte nas despesas. Embora
esteja devidamente consciencializado na sociedade portuguesa que é através do
corte das despesas e não do aumento das receitas que as coisas vão acontecer,
estamos com um problema muito sério de escolhas e prioridades. Pode dizer-se
que, durante estes dois anos, o caminho seguido não foi sempre direitinho no
que é o problema da economia portuguesa, o excesso de despesa.
A dívida pública acima dos 130%
do PIB assume dimensões gravíssimas. Poderemos estar mais próximos da Grécia,
ou seja, de um haircut?
Não, os números não são
diametralmente opostos às previsões do governo. Com uma forte disciplina
orçamental será possível, com alguma demora, reduzir a dívida pública. Mas não
se pense que é de imediato. Temos um sistema que continua a rolar e, portanto,
durante algum tempo, a dívida tenderá a não baixar, ou mesmo crescer. Isso não
deve ser encarado com um drama em si mesmo, se se insere num plano, se por
detrás estão as reformas estruturais necessárias. Não entendo isso como um
sinal de total alarme, de que vem aí outro grande problema, ou um haircut, mas
como a flutuação de um programa que só tem resultados passados uns anos. O que
nos aproxima do haircut é a falta de contenção, a falta de disciplina
orçamental, isso é que vai fazer disparar a dívida pública para valores
insustentáveis. Desde que estejamos a controlar as despesas, e julgo que há um
esforço muito grande nesse sentido, quase todos os economistas acham que
atrasar não vai ser a solução, vai ser provavelmente exigir mais sacrifícios às
gerações futuras.
O Presidente da República tem
razão quando insiste que é preciso pôr cobro à espiral recessiva e concentrar
esforços no crescimento?
Acho que toda a gente pensa da
mesma maneira. Mas como? Pois, esse é o tal caminho muito estreito que Portugal
tem. A OCDE diz isso, que temos pouquíssima margem de manobra. Deixar subir o
endividamento não é um caminho, é um dos lados do precipício.
Mas Cavaco Silva não sugere que
se interrompa a austeridade?
Não me parece. O que o Presidente
sempre tem dito é que estamos num caminho muito estreito, precisamos de
continuar os esforços de disciplina orçamental e de reformas estruturais, mas,
ao mesmo tempo, abrir espaço para as políticas de crescimento.
Mas Cavaco Silva fala da fadiga
da austeridade.
Mas é isso mesmo. Ninguém duvida
de que estamos num caminho estreitíssimo. Se resvalamos para uma política mais
gastadora nas áreas económicas, vamos forçosamente, mesmo que façamos esforços de
corte nas despesas, entrar numa espiral de subida da dívida pública. Isso não
interessa ao país porque não é sustentável. Se continuamos com uma política de
austeridade, se no exterior a economia não melhorar, se as reformas
estruturais, como parece provável, demorarem a realizar... Temos de fazer
escolhas muito bem feitas, para que os recursos disponíveis possam ser
utilizados em função do crescimento. Este caminho é tão estreito que o
Presidente tem chamado a atenção para a necessidade de consenso à volta desse
caminho estreito, porque parte do emagrecimento desse caminho vem da falta de
consenso político à volta das prioridades a definir nos cortes na despesa.
Mas a austeridade torna mais
difícil o objetivo das contas públicas.
A austeridade mal encaminhada,
sim. Sabe-se que a austeridade conduz, no curto prazo, a algum decrescimento.
Mas a austeridade significa o emagrecimento dos custos do Estado, significa que
as empresas e os cidadãos vão ter mais vontade de investir e de trabalhar e, no
longo prazo, é bom que a austeridade funcione no sentido da disciplina
orçamental. Agora, há aspetos de uma mecânica económica que são de curto prazo.
Por exemplo, se estamos a gastar menos, a procura interna é menor; se lá fora
as exportações não crescem, nós temos um efeito negativo no curto prazo. O que
não significa que, apesar de todos os sacrifícios, no longo prazo não seja
positivo.
Cavaco Silva tem sido criticado
pela sua passividade e insistência na necessidade de consensos. O Presidente
tem estado à altura?
Para já, quando ouço uma crítica
sobre o Presidente, fico sempre a pensar que tudo o que ele faça, por alguma
crítica ou por alguma opinião, será sempre encarado como negativo. Será sempre
preso por ter cão e preso por não ter. Acho que ele tem gerido com enorme
equilíbrio a prioridade que dá sempre ao interesse nacional, em detrimento das
opiniões que possa ter em cada momento. Ele intervém quando considera ser do
interesse nacional, julgo que não deixa de intervir, mesmo quando adivinha que
haverá algumas críticas. Quanto à vontade de consenso, pela leitura que faço da
Constituição, é exatamente aquilo que se espera de um Presidente, já que não
tem poderes para governar ou para indicar caminhos a seguir, ou de disciplina
orçamental. Dado que o caminho é estreito, se se sabe que diferenças grandes de
opinião sobre as prioridades para a economia podem tornar o caminho ainda mais
estreito, é obrigação dele tentar consensualizar. Não creio que isso seja, de
maneira nalguma, uma passividade, antes pelo contrário, dentro das regras
constitucionais, parece-me da maior proatividade.
Tem nas suas mãos um poderoso
indicador, um barómetro do poder dos consumidores, que é o consumo de
combustíveis. Na Brisa, por exemplo, no primeiro trimestre deste ano, as
receitas das portagens começaram a cair menos, o que já não acontecia há três
anos. O que lhe dizem os dados mais recentes e as estimativas dos gabinetes de
estudo da Galp?
Ainda não estamos a notar aquilo
que pode ser visto na Brisa, ou seja, tem havido um decréscimo grande no
consumo de combustíveis. Se a taxa de crescimento foi menos negativa do que em
trimestres anteriores, talvez tenha sido, mas há outros efeitos a considerar. O
efeito Páscoa, por exemplo, pode ter alguma influência nos números de um
trimestre. Agora, se me pergunta como vejo o futuro...
Ao contrário do que diz a OCDE,
em 2013 ou em 2014 já se poderá sentir inversão da tendência?
A OCDE não sente isso, mas tenho
visto outros analistas dizer que a partir do segundo semestre talvez comecemos
a ver a luz ao fundo do túnel. Alguns indicadores avançados, que não o consumo
de energia, parecem indicar que talvez se entre num período de estabilidade
que, espera-se, antecipe uma pequenina retoma. Será otimismo? Não podemos
prever. Há uns anos julgávamos que, em 2013, já haveria alguma retoma no
consumo de combustíveis e isso não aconteceu. As empresas devem fazer o que a
Galp faz, estar preparadas para ciclos mais longos de menos consumo.
Vem do sector da distribuição,
onde tudo se vende, mesmo nos piores momentos. Com a crise, a venda de gasolina
e gasóleo ressentiu-se bastante. O que é que a Galp pode fazer para potenciar
as vendas?
Os bens mais essenciais têm uma
menor flutuação em função do crescimento da economia e os produtos energéticos
têm uma forte sensibilidade à variação da economia. Em primeiro lugar, porque
uma parte importante do consumo de combustíveis é realizada pelas empresas. Se
as empresas estão a trabalhar menos, obviamente há menos quilómetros
percorridos e há menos combustíveis gastos. Depois, embora Portugal não seja
exatamente um país subdesenvolvido, o público em geral não considera que o
gasto individual em combustíveis de transporte seja absolutamente
imprescindível e, portanto, resiste a consumir. O que fazemos é jogar em todas
as nossa variáveis comerciais. Temos um serviço que consideramos exemplar nas
estações de serviço, uma linha de produtos completa, lojas de conveniência nas
bombas, tentamos jogar com todos estes elementos para encontrar segmentos de
mercado menos sensíveis à crise.
Os descontos negociados com o
Continente da Sonae já são o último suspiro?
Sempre tivemos uma política de
adequar os preços não apenas ao sentimento do consumidor, que hoje está muito
atento ao preço, mas também à estrutura de custos. Para ter sucesso num negócio
em que se desce volume temos de reduzir os custos. À medida que conseguimos
reduzir custos, também fazemos um esforço maior para passar parte dessa maior
eficiência para os consumidores. Com o Continente temos uma política de grande visibilidade,
acabamos por cobrir uma parte muito grande da população, daí que tenhamos
investido bastante nesta colaboração, tem sido uma das maneiras de evitar
maiores quedas de volumes.
Não deixa de ser curioso ter
negociado uma parceria com o Continente da Sonae e não com a Jerónimo Martins e
o Pingo Doce, onde trabalhou durante tantos anos.
São coincidências. Mas a
colaboração da Galp com o Continente já vem de há tantos anos que não posso ser
acusado de traição à minha antiga casa.
Ponderam vir a negociar outras
parcerias para conseguirem mais descontos nos preços?
Julgo que há um equívoco na
cabeça de muitas pessoas. Em Portugal, apenas uma parte pouco relevante, muito
menos de metade das pessoas, não acede a vendas de produtos de combustíveis sem
descontos. Há milhares de cartões espalhados por todo o país, na carteira de
qualquer pessoa. Apenas uma pequena percentagem dos consumos de combustíveis do
país é vendido ao preço tabelado e que se vê nas autoestradas. As companhias de
distribuição em Portugal não estão a passar por bons momentos de rentabilidade
financeira. Tentar demonstrar que, além dos descontos que já fazem, ainda é
preciso fazerem muito mais, pode ajudar na perspetiva de que vem aí mais
poupança para as famílias e para as empresas, mas creio que não é um caminho
sustentável porque, neste momento, a rentabilidade das empresas é baixa.
Trabalha numa empresa de um
sector que é olhado de lado pelos consumidores, acusado de cartel, de falta de
concorrência e de transparência nos preços. O governo ao impor às gasolineiras
privadas uma quota de mangueiras de combustíveis low cost não está
implicitamente a concordar com essa leitura?
Não tenho ideia de qual será o
último projeto ou decreto-lei. O sector petrolífero, quer a nível europeu quer
a nível nacional, é talvez um dos mais escrutinados por todas as agências de
vigilância de preços. A Autoridade da Concorrência tem a incumbência de
realizar relatórios trimestrais de de-senvolvimento da competitividade e
concorrência no sector dos combustíveis, e tem sido muito clara, tem feito
análises profundas e não tem encontrado motivos para que se pense na existência
de um cartel. Que um qualquer comentador, um qualquer jornalista venha dizer
que passa numa autoestrada e vê os preços todos iguais e diga que há cartel é
uma conclusão tão precipitada como injusta. Uma coisa é as empresas
juntarem--se para definir um preço, outra coisa é alguém seguir um preço
internacional, e os outros, com mais ou menos décalage, subirem ou descerem os
seus preços, em função do que faz o líder de preço. Isso não é cartel, isso é o
mesmo que dizer que 30 mil donos de snack-bars se juntaram para definir o preço
da bica em 50 cêntimos e que, por isso, há um cartel. Não tem o mínimo sentido,
portanto, quero crer que o governo, nas suas boas intenções de aumentar a
competitividade na economia de produtos energéticos mais baratos, irá pensar
numa lei adequada.
Mas o governo, ao intervir e
“obrigar” empresas privadas a praticarem preços mais baixos, não está a passar
uma imagem ao mercado de que de facto as empresas praticam preços altos?
Essa leitura é possível, mas não
tenho a certeza que seja essa a intenção. Pode ser essa a leitura, mas não me
parece que o governo tenha passado por cima da leitura daquilo que diz a Autoridade
da Concorrência sobre o sector. Portanto, julgo que reconhece que todas as
empresas, de uma maneira ou de outra, fazem os seus esforços de preços, que,
infelizmente, dados os custos que existem na atividade, é organicamente
impossível reduzir mais os preços, pelo menos neste momento. Claro que todas as
empresas têm de fazer um esforço para aumentar a sua eficiência, para reduzir
os seus custos e para transpor uma parte desses benefícios para o consumidor.
Chegou à Galp pelas mãos de
Américo Amorim. É um dos homens mais ricos do país e um importante empresário
conhecido pela sua discrição. Como é trabalhar com ele, enquanto chairman da
empresa?
O sr. Américo Amorim tem um
segredo que é, não estando presente todos os dias, faz-nos saber que segue
muito atentamente todos os negócios. Portanto, se me pergunta se estou todos os
dias com o sr. Américo Amorim, não, não estou. Julgo que o vejo, normalmente,
duas ou três vezes por mês, uma vez por semana nos melhores momentos, mas
percebo sempre que estou com ele que lê atentamente tudo o que existe na
empresa, todos o problemas por que passamos, e que existe uma enorme
solidariedade dele em relação à equipa de gestão. Deixa uma grande liberdade
para trabalharmos e não anda ali permanentemente, embora tenha toda a
legitimidade para isso porque tem um investimento enorme na Galp, mas não tem
essa intervenção no dia a dia. Como chairman, é isso exatamente que se espera,
uma vigilância atenta ao trabalho de-senvolvido pelo conselho de administração
e pela comissão executiva, na qual ele tem manifestado toda a confiança.
Consideramos como uma forte motivação que ele mantenha essa atenção muito
grande, sem estar presente. Portanto, julgo que executa com perfeição o
trabalho de chairman.
Na Jerónimo Martins, teve como chairman
outro grande empresário, Alexandre Soares dos Santos. Já terá pensado
seguramente nas diferenças entre os dois.
As pessoas são todas diferentes.
Talvez preferisse partilhar aquilo que vejo como semelhanças e depois ver se me
consigo lembrar de diferenças. Primeiro, são pessoas da mesma idade, nascidos
no mesmo ano, e que têm em relação a uma pessoa ligeiramente mais nova do que
eles, como eu, a distância típica da idade. Têm a mesma maneira de olhar,
confiança, motivação, sempre a tentar gerir ao mesmo tempo o bem-estar da
empresa e das pessoas que trabalham com eles, e com essa distância semelhante
da idade, que lhes permite sentirem--se num patamar superior, que eu reconheço
pela experiência, pelos conhecimentos. Mas, ao mesmo tempo, têm uma atitude,
diria que quase paternal. Eles não têm de ter qualquer obrigação de se sentir
paternais em relação aos seus gestores, mas a verdade é que essa distância é
igual e as suas idades também, e há uma atitude mais ou menos semelhante na
atenção que dão aos seus gestores. Depois, acho que são ambos ótimos chairmen:
são pessoas que interferem sem interferir, interferem sobretudo questionando,
que acho que é a melhor maneira de um gestor poder ter as suas convicções mais
profundas; é ter quem nos questiona no momento certo e quem nos força a ter
todas as justificações para as decisões que tomamos. E ambos mantêm uma
distancia higiénica das decisões do dia a dia, mas com uma atenção enorme sobre
o negócio. Depois, têm ambos uma atitude interessante, que é a de serem
investidores audazes. A grande diferença entre os investidores audazes e os
menos audazes é talvez a apetência para o risco. Quando estou numa empresa e
alguém me diz, de uma forma muito clara, “eu prefiro essa decisão e, por isso,
temos de sacrificar a outra”, sei que é uma pessoa que gosta do risco, porque
vai para aquela atividade e sacrifica outra que também poderia dar,
eventualmente, bons resultados. Vejo nos dois essa mesma apetência pelo risco,
isso é interessante.


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