sábado, 22 de junho de 2013

Entrevista de Pedro Ferraz da Costa ao Dinheiro Vivo


Pedro Ferraz da Costa: “Se eu estivesse na cadeira do dr. Seguro acenderia uma velinha”

Diana Quintela

22/06/2013 | 00:00 | Dinheiro Vivo

O presidente do Fórum para a Competitividade diz que o líder do PS só tem a ganhar se Passos Coelho concretizar a reforma da administração pública, senão a batata quente passa-lhe para as mãos. Ainda assim, acha que daqui a dez anos estaremos pior.


Comecemos pelo pagamento do subsídio de férias aos funcionários públicos. Compreende a decisão do governo?

Tenho algumas dúvidas em dar opiniões sobre assuntos que não conheço em profundidade. Tenho a impressão, desde o início do programa de ajustamento, que o Estado tem um problema de gestão da sua própria tesouraria porque continuamos a ter défices recorrentes, continuamos, e isso é cada vez pesado, a ter de rolar uma dívida antiga e a ter de pagar os juros da dívida existente. Portanto, suponho que a tesouraria esteja muito curta.

Há indicação do governo de que há dinheiro até ao fim do ano e que o problema não é de tesouraria.

Eu, se fosse tesoureiro, era capaz de aconselhar que se ficasse com alguma folgazinha porque há muitas coisas que têm corrido pior do que as previsões.

Não lhe parece que isto foi muito mal conduzido?

Talvez. Mas talvez esteja mais preocupado com o essencial do problema do que com a forma como foi comunicado.

Mas há um impacto na vida das pessoas…

Claro. Nós só temos tido notícias desagradáveis nos últimos tempos. Como empresário sempre fui muito sensível ao cumprimento pontual das obrigações para com as pessoas que trabalham connosco.

Estamos a meio da legislatura e este e outros episódios provocaram enorme desgaste. Ainda há espaço político para executar algumas reformas?

Se eu estivesse sentado na cadeira do dr. Seguro quase que acenderia uma velinha todos os dias para que o governo pudesse cumprir este penoso ajustamento. Se o governo não o cumprir, será o seguinte que terá de o fazer. Uma parte do ataque político do PS ao governo, sem pôr em causa que poderia ter havido uma colaboração mais próxima e que era, com certeza, muito útil, faz que estejamos a caminhar para uma situação que dá uma imagem de instabilidade que torna tudo mais difícil.


 

 

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