Comentário:
O que
se tem assistido nestas últimas duas semanas é, de todo, inqualificável. Dois
antigos presidentes apelaram ao actual Presidente da República, para que demita
o governo e o Provedor de Justiça fez um apelo análogo, embora o tenha
desmentido posteriormente. É bom lembrar que o governo é apoiado por uma
maioria parlamentar (e tem legitimidade
de origem[1], como diz, e bem, o doutor
Pulido Valente). E quando assim é, só é justificável a sua queda por
procedimentos parlamentares, nunca por ameaças violentas ou insultos ao
Presidente da República, traduzidos em manifestações de rua. Até porque aquilo
que se pretende transmitir com estas manifestações é de muito duvidosa sensatez
– que o actual Governo já não dispõe de apoio popular. Uma recente sondagem do
jornal i indica precisamente o
contrário: cerca de 54% dos portugueses querem que o governo acabe a
legislatura. Que governe até 2015!
Se
o actual Governo não dispusesse de apoio popular considerado, há muito que o
líder do maior partido de oposição teria apelado aos deputados da maioria
parlamentar para retirarem o apoio ao Governo. Nunca o fez! Porque admite as
responsabilidades no despesismo que conduziu a vinda da troika e, portanto, à ruína do país[2].
Mal
iria o país se o Presidente da República, ao mínimo coro de protestos de rua da
esquerda radical, ou apelos de algumas personalidades na comunicação social, se
deixasse influenciar no sentido de demitir um governo legítimo (pelo voto
popular) e legitimado por uma maioria parlamentar.
[1] Sobre a qual se não poderá dizer o mesmo da primeira
governação socialista de 2005-2009.
[2] Não adianta que um certo “narrador” utilize o serviço
público de televisão para, em vez de comentar, faça política, tentando
construir uma realidade que não existe. O facto de, durante um ano, ter andado
pelos bancos da filosofia, não lhe acrescenta autoridade alguma na narrativa.
Bem pelo contrário. Torna-o mais sofisticado para os “papalvos”, mas não o
iliba de ter conduzido o país à bancarrota!

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