A casa de Aristides de Sousa Mendes,
cônsul português em Bordéus que salvou mais de 30 mil pessoas durante a II
Guerra Mundial, vai ser alvo de obras de reabilitação, revelou hoje o
secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.
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| Aristides de Souza Mendes |
Lusa 20 Jun, 2013
| Barreto Xavier - Secretário de Estado da Cultura |
"A
casa foi-se degradando ao longo dos anos, e está hoje em ruínas, nem telhado
tem. A possibilidade de ser reabilitada é muito importante porque é um espaço
simbólico", salientou o secretário de Estado da Cultura.
Esta
intervenção vai ser hoje comunicada a um grupo de sobreviventes da II Guerra
Mundial que foram salvos pelo cônsul de Portugal em Bordéus, e que estão hoje a
visitar Cabanas de Viriato.
"Não
me foi possível deslocar lá, mas é uma boa oportunidade de anunciar isso hoje
ao conjunto de descendentes que vão visitar a casa", salientou o
responsável sobre o momento simbólico de reencontro com a memória de Aristides
de Sousa Mendes.
O
secretário de Estado da Cultura disse à Lusa que, na sequência de contactos com
a Fundação, foi garantido um primeiro financiamento de 300 mil euros "para
fazer uma cobertura e conter os danos, mas terão de ser dados passos no futuro
para continuar o processo de reabilitação integral".
Sobre
a origem das verbas, Jorge Barreto Xavier indicou que se trata de um
financiamento europeu via Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do
Centro e da Direção Regional de Cultura do Centro.
Relativamente
à data de início das obras, o secretário de Estado disse que "dado o passo
de aprovação do montante, vai seguir os procedimentos legais para iniciar as
obras", e espera poderem começar ainda este ano.
Quanto
à possibilidade de a casa de Aristides de Sousa Mendes poder vir a funcionar
como uma casa-museu, o secretário de Estado indicou que "a Secretaria de
Estado da Cultura está a promover a discussão com a Fundação e o município de
Carregal do Sal sobre o trabalho, destino e o modo de gestão desta casa
memória".
"Foi
um ato notável de consciência e de coragem que salvou, através de Portugal,
mais de 30 mil judeus. Aristides de Sousa Mendes foi contra as ordens
superiores que recebeu e realizou a tarefa que considerou justa", salientou
Jorge Barreto Xavier.
Recordou
ainda que, "pelo seu ato, o cônsul foi destituído do cargo e passou o
resto da vida na penúria, sofrendo duramente com aquela postura de generosidade
e de justiça".
O
grupo de sobreviventes iniciou no passado dia 09, em França, uma viagem que
pretende homenagear a memória de Aristides de Sousa Mendes.
A
iniciativa é organizada pela Fundação Sousa Mendes (Estados Unidos da América),
pela comissão nacional francesa de homenagem a Aristides de Sousa Mendes e pela
AJPN -- Anónimos, Justos e Perseguidos durante o período Nazi.


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