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| Silva Peneda |
Silva Peneda publicou uma carta
aberta ao ministro das Finanças alemão, no jornal Público (28 de Março, XIII).
Onde criticava as suas declarações sobre a invidia dos países. É claro que
Silva Peneda tem razão em muito do que escreveu, mas também sabe que o ministro
alemão tem alguma razão no que respeita à invidia. O que custa é ouvir a
verdade. E Silva Peneda sabe disso porque pertenceu a uma governação que tentou
e conseguiu (na Administração Pública portuguesa) numa percentagem relevante
combater a invidia. A governação do então Primeiro-ministro Cavaco Silva.
Queiram ou não queiram os seus adversários. Um momento de democracia quase
plena. Assim como o período de António Guterres em certas nuances.
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| O então Primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva |
Mas Silva Peneda é da geração de
políticos que tudo fizeram para a integração europeia. Não o deviam ter feito a
todo o custo (que agora estamos a pagar), mas fizeram. Que depois se fariam os
ajustamentos, diziam e argumentavam nas televisões e nos jornais. E estão a ser
feitos, mas a um custo terrível para o povo. Se fossem ajustamentos normais,
tudo estaria bem. Mas não foram, porque a sua causa está nas vigarices,
principalmente bancárias. A este propósito aconselha-se a leitura de Krugman.
Quanto à invidia que a geração de
Silva Peneda combateu com grande sucesso, e que a governação do “comentador de
Paris”, de novo, implantou, respigamos passagem de trabalho que estávamos a
realizar sobre o tema:
“Os temas da rivalidade, do ciúme
ou da invidia são tão antigos como a raiva de Saul perante a ascensão de David
e os escárnios escarrados por Tersites em Homero. É no ciúme fraternal que
assentam os alicerces da Roma Antiga. E os moralistas dos séculos XVII e XVIII
que prestaram uma particular atenção à invidia, foram, em muito, antecedidos
por Montaigne e, em muito mais por Juvenal e Marcial, ou mesmo Eurípides.
A invidia é característica da
própria natureza humana. O mais pérfido dos sentimentos no que respeita ao bem
geral (ao bem comum). Porque é ela a causadora da perda de vitalidade, de
energia daqueles que vão para lá da mediocridade: os criativos. Isto é
observável a nível das nações, mas, sobretudo, a nível das instituições:
escolas, repartições, etc.
É a invidia que distorce a
comunidade moral; que a corrompe. O aldrabão que se desembaraça dos
colaboradores honestos e eficientes, por meios trapaceiros assim que adquire
poder; o medíocre, vingativo e rancoroso que é colocado em posições superiores
às suas capacidades (ou seja, colocado no lugar errado), que participa na
“cruzada obscura dos incapazes” contra os melhores, hostilizando-os,
impedindo-os e obstruindo-lhes o trabalho sério; O medíocre que apenas procura
autoridade, que dificulta, que avança com objecções, retarda processos
(administrativos nas instituições), adia decisões. Ou seja, aquele tipo de
sabotagem que todos os burocratas, os funcionários bem conhecem; que destroem
em vez de construírem. Que transformam as instituições em lugares de delação e
mentira. Uma multidão de facínoras.
Se em tempos do passado os
medíocres alcançavam os seus objectivos com o terror, a intimidação, nas
sociedades modernas, distribuem dinheiro e privilégios; corrompem.
Enquanto isso, os funcionários
decentes que poderiam fazer progredir as instituições, sobretudo os mais
preparados e qualificados, são mantidos na ignorância das decisões mais
importantes, humilhados e ameaçados com frequência.
Só as leis justas permitem que a
inveja seja reduzida a uma dimensão que não cause malefícios aos indivíduos e
às sociedades. E permitem aos indivíduos justos, equânimes e imparciais,
desenvolver um trabalho criativo (livre), colocados a dirigir as instituições
para distribuírem os recursos com equilíbrio, onde não haja indivíduos
favorecidos e outros aonde lhes falta o essencial”.
É na Administração pública que
está o cancro do País. Ou se faz uma reforma profunda neste sector, ou o país
nunca mais se levanta.
É claro que só indivíduos com
estatura moral, despegados do “poder pelo poder”, visionários, com pujança
criativa, objectivos colectivos, defensores dos direitos e oportunidades
iguais, terão a força necessária para mudar, para reformar uma sociedade
arreigada a estas maquinações maléficas e destrutivas.
De Gaulle ao aperceber-se que não
conseguiria realizar o seu sonho, deixou o palácio do Eliseu, retirando-se para
a sua casa Colombey-Les-Deux-Églises, onde havia nascido pobre e morreu pobre,
depois de salvar a sua pátria por duas vezes; Garibaldi, um republicano, que
depois de conquistar um reino, o deu a Vítor Manuel de Sabóia, um monárquico,
por amor à Itália; finalmente, outro majestoso comportamento teve-o Cincinato.
Numa altura de aflição, Roma e os seus senadores foram-no chamar a um pequeno
campo onde este lavrava e nomearam-no ditador. Aceitou e venceu a guerra. Logo
a seguir deixou o poder e voltou para acabar o trabalho que havia interrompido.
Nota:
Duas obras fundamentais que
analisam este sentimento destrutivo são a Apologia
de Sócrates (escrita por Platão em defesa do mestre) e Os Sete pecados capitais de São Tomás de Aquino.




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