segunda-feira, 1 de abril de 2013

“Non olet”

A Grécia aqui tão perto!
O País está numa situação de emergência nacional. Porque as governações do “comentador de Paris” nos puseram de mão estendida. Habituados ao folclore da democracia e do “deixa andar que tudo se há-de resolver”, alguns pensavam que, com a ajuda da Europa, se apertaria o cinto durante uns dois ou três anos, e tudo voltaria ao regabofe do costume. Enganaram-se. O aperto é para uma geração. Alguns dizem que já não podem ir ao cabeleireiro (mas ganham 7.000 euros mensais!), outros que já não podem comer três lagostas por dia. Que comam duas, porque há gente que começa a comer feijão com feijão e não se queixa tanto.

O Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no passado dia 27, junto do primeiro-ministro sueco, apelou para a responsabilidade de todos perante o momento histórico. E fez bem. A História não perdoará aos que tiverem responsabilidade na queda deste governo (que podia ser outro qualquer) neste momento.
Na política doméstica as coisas não têm corrido como o governo e os credores previam e pretenderiam. E porquê? Porque o país foi conduzido a falência técnica (versus bancarrota) por aqueles que querem agora derrubar um governo que, a todo o custo, nos tenta livrar do abismo! Dizer que o país continua a aumentar a divida, como trunfo político, é o mesmo que dizer que se não percebe nada de economia ou se não entende nada de politica. Um país com défice só com muita dificuldade consegue pagar a divida. E para verificar esta premissa ausculte-se um orçamento familiar.
O mesmo se não poderá dizer da política externa. O país, com o esforço dos portugueses, conseguiu, muito antes de tempo, emitir divida pública e o comportamento dos mercados tem sido excelente.
Se o Tribunal Constitucional (TC) não tiver em conta o momento histórico e chumbar as medidas que está a analisar, o governo não terá alternativa. Nessa altura deverá fazer o que tem de fazer: abdicar.
À responsabilidade histórica não ficará ninguém impune. Porque tudo o que se ganhou de credibilidade em dois anos, vai perder-se num mês.
Ao abdicar, o governo cumpre a sua missão. O país terá de ir a eleições. Os credores cortarão o financiamento e os portugueses, no mês seguinte, deixarão de receber o vencimento. A austeridade será tremenda, pois o país terá de negociar um novo resgate. Só nessa altura, o povo português entenderá no atoleiro em que foi metido. Mas, se calhar, tem de passar por isso; para aprender de vez, já que lhe não serviu de emenda o período escabroso da Primeira Republica.
E o actual governo não será responsável pela situação. Seja aos olhos do povo, seja aos olhos da História.
O cidadão Pedro Passos Coelho deve recandidatar-se. O TC, ver-se-á, nessa altura, a ceder o que havia recusado. E jamais recuperará, perante os portugueses, a estima de hoje.
O povo é que sabe, e os juízes também.
Numa situação de emergência, são necessárias medidas de emergência.





Franklin Roosevelt


Sobre esta questão já haviamos escrito alguma coisa neste site:






Vespasiano
A tal propósito, citemos um episódio ocorrido na Antiga Roma. Vespasiano (cujo nome completo era Tito Flávio Vespasiano), não era de origem nobre, era filho de um prestamista. Foi o primeiro imperador de origem humilde, embora o seu pai fosse uma pessoa abastada, permitindo-lhe assim uma boa educação e facilitado a entrada na carreira politica e militar. Vespasiano distinguiu-se como general e foi eleito cônsul no reinado de Nero.
Coliseu na Roma Antiga
Quando Vespasiano se tornou imperador, o Estado estava desagregado. Tinha, pois, de sarar as feridas da guerra civil e sanar os arruinados cofres públicos. Vespasiano tinha a noção do dever. Conseguiu pôr as finanças em ordem e teve mesmo a ideia de tributar a urina das latrinas públicas que era utilizada para curtir peles.
O filho de Vespasiano discordou da medida, mas ele, pegando em algumas moedas que pertenciam ao primeiro pagamento do novo imposto, colocou-lhas debaixo do nariz dizendo: “Non olet” (“Não cheira”).
Armando Palavras


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