No meio da tempestade e da guerra
Quem é que no
meio de uma tempestade consegue prever que a próxima vaga irá atirar ao mar
sete ou oito dos doze marinheiros que constituem a tripulação de uma traineira?
Ou quem é que numa batalha consegue prever o número de homens que irão morrer
no primeiro embate? Ninguém. Quanto muito, poderão precaver-se, tanto o
comandante como o general, do rumo a tomar para que os danos sejam menores.
Mais nada.
Como é que agora,
certos cavalheiros querem assacar responsabilidades ao ministro das finanças
porque os números não foram os previstos, no meio da tempestade ou da guerra,
provocadas pelos dois governos anteriores e pela contextualização europeia?
Quando no mesmo barco estão vários técnicos, igualmente habilitados, das várias
instituições europeias que compõem o conjunto dos credores. E quando são os próprios
credores a delinear as estratégias.
Razão tinha o
Governo em querer livrar-se o mais rapidamente possível da Troika. Mas foi
criticado pelos do costume que achavam um absurdo e pediam mais tempo. Que
agora repelem. Ou seja, não sabem o que querem.
Como razão tinha
o Doutor Salazar quando dizia que tinham de se apressar porque o povo português
não tinha muita paciência.
Oito dias depois de ter tomado
posse e de ter declamado o discurso (4 de Março de 1933) onde proferiu a famosa
citação [“A única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo”], Franklin
Delano Roosevelt tinha delineado (e posto em prática) um pacote de leis que
dariam corpo ao famoso New Deal,
programa que tinha como objectivo combater todas as sequelas da Grande
Depressão. Teve, no entanto, uma grande força de bloqueio: o Supremo Tribunal.
Onde viu morrer muitas das suas propostas.
Franklin contornou a situação, e
o que o Supremo lhe havia recusado pela força, acabou por lho dar de livre
vontade. Mas houve consequências. E se não tivesse surgido a Grande Guerra,
muito provavelmente o programa teria falhado por causa do Supremo. A guerra
contribuiu para dar emprego a milhões de desempregados.
O que acontece em Portugal? A
investigação à possível cartelização bancária iniciou-se em 2013 e terminará em
2015. Mas Portugal não é a América. O sistema político é bem diferente. E
assacar responsabilidades ao governo português é uma verdadeira “tontaria”.
Como o será (e apenas opinamos como cidadão comum, os juízes farão, cremos, o
que terá de ser feito), um possível bloqueio do Supremo.
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| Porque não trilham o caminho do general? Aqui temos um homem justo |
Golpe de Estado dos intocáveis
Nem quisemos acreditar! Como é
que certos cavalheiros defendem que o Primeiro-ministro do Governo de Portugal
deve ser substituído? Assim como o Ministro das Finanças? Mais. Defendem que
deveria ser escolhido um novo Primeiro-ministro, na mesma área da maioria.
Porque a haver eleições (antecipadas) não haveria maiorias! Isto é de loucos!
Será que o país anda mesmo louco
como no tempo da primeira República? Estes cavalheiros julgam-se donos do país?
São eles as únicas cabeças pensantes?
Pelos vistos, não foi por acaso
que levaram o país à bancarrota. Quando viram o país a afundar-se, calaram-se,
agora que alguém o tenta tirar do abismo gesticulam.
A acontecer o que esses
cavalheiros preconizam, está-se perante um golpe de Estado! E a subverter as
regras mais elementares (BÁSICAS) da Democracia!
Felizmente o povo português não
irá nisso, porque não é estúpido. Nem a Europa (ou seja, o Sacro Império
Romano!).
Que razões levarão os ditos a
alardearem tanto? Como se adivinha, foram-lhes ao bolso. Houve sempre, em
Portugal, um certo número de “intocáveis”. A quem se não podia “mexer”. Pagavam
os do costume (o povo, o Zé pelintra, os desprotegidos, os deserdados da sorte),
livravam-se os do costume (os intocáveis). Desta vez não se safaram porque a
senhora do Sacro Império não vai em futebóis.
Vale a pena lembrar a estes
cavalheiros que, além de todas as patifarias (realizadas entre 2005 e 5 de
Junho de 2011) que arruinaram a vida de milhões de portugueses, a nossa
desgraça se deveu, em grande parte, à fuga de capitais, ocorrida entre Abril de
2010 e Abril de 2011, que tiraram do país 78 mil milhões, devido às politicas
desastrosas até aí desenvolvidas. Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar só tomaram
posse a 5 de Junho de 2011!
O que nos mostra o caso de Chipre
é que a crise já identificou os verdadeiros culpados. Em Portugal, os bandidos
que nos levaram ao desastre continuam a pavonear-se nos melhores restaurantes,
e por aí fora, enquanto nas sociedades civilizadas vão sendo presos. O caso do
ministro inglês que irá para a gaiola por ter conduzido a uma velocidade não
permitida, diz bem da diferença.
Mas também mostra outra coisa. A
chanceler alemã, ao contrário do que certos Chicos – espertos querem fazer
crer, é uma mulher muito inteligente. Com a medida de congelar as contas
bancárias evitou que fossem os seus contribuintes a pagar aquilo que foi
provocado por dinheiros de origem duvidosa como o dos oligarcas russos.
Mas a medida onde parece ter já
havido recuo para os pequenos montantes, foi um rombo tremendo para a União,
porque precipitada, põe em causa princípios que deviam ser intocáveis.
A Europa está a trilhar caminhos
perigosos. Ao congelar contas bancárias e quando mexe nos salários,
principalmente nos dos mais desfavorecidos.
Armando
Palavras




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