terça-feira, 19 de março de 2013

No meio da tempestade e da guerra politica


No meio da tempestade e da guerra

Quem é que no meio de uma tempestade consegue prever que a próxima vaga irá atirar ao mar sete ou oito dos doze marinheiros que constituem a tripulação de uma traineira? Ou quem é que numa batalha consegue prever o número de homens que irão morrer no primeiro embate? Ninguém. Quanto muito, poderão precaver-se, tanto o comandante como o general, do rumo a tomar para que os danos sejam menores. Mais nada.
Como é que agora, certos cavalheiros querem assacar responsabilidades ao ministro das finanças porque os números não foram os previstos, no meio da tempestade ou da guerra, provocadas pelos dois governos anteriores e pela contextualização europeia? Quando no mesmo barco estão vários técnicos, igualmente habilitados, das várias instituições europeias que compõem o conjunto dos credores. E quando são os próprios credores a delinear as estratégias.
Razão tinha o Governo em querer livrar-se o mais rapidamente possível da Troika. Mas foi criticado pelos do costume que achavam um absurdo e pediam mais tempo. Que agora repelem. Ou seja, não sabem o que querem.
Como razão tinha o Doutor Salazar quando dizia que tinham de se apressar porque o povo português não tinha muita paciência.




Franklin Delano Roosevelt

Oito dias depois de ter tomado posse e de ter declamado o discurso (4 de Março de 1933) onde proferiu a famosa citação [“A única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo”], Franklin Delano Roosevelt tinha delineado (e posto em prática) um pacote de leis que dariam corpo ao famoso New Deal, programa que tinha como objectivo combater todas as sequelas da Grande Depressão. Teve, no entanto, uma grande força de bloqueio: o Supremo Tribunal. Onde viu morrer muitas das suas propostas.
Franklin contornou a situação, e o que o Supremo lhe havia recusado pela força, acabou por lho dar de livre vontade. Mas houve consequências. E se não tivesse surgido a Grande Guerra, muito provavelmente o programa teria falhado por causa do Supremo. A guerra contribuiu para dar emprego a milhões de desempregados.
O que acontece em Portugal? A investigação à possível cartelização bancária iniciou-se em 2013 e terminará em 2015. Mas Portugal não é a América. O sistema político é bem diferente. E assacar responsabilidades ao governo português é uma verdadeira “tontaria”. Como o será (e apenas opinamos como cidadão comum, os juízes farão, cremos, o que terá de ser feito), um possível bloqueio do Supremo.

Porque não trilham o caminho do general? Aqui temos um homem justo

Golpe de Estado dos intocáveis

Nem quisemos acreditar! Como é que certos cavalheiros defendem que o Primeiro-ministro do Governo de Portugal deve ser substituído? Assim como o Ministro das Finanças? Mais. Defendem que deveria ser escolhido um novo Primeiro-ministro, na mesma área da maioria. Porque a haver eleições (antecipadas) não haveria maiorias! Isto é de loucos!
Será que o país anda mesmo louco como no tempo da primeira República? Estes cavalheiros julgam-se donos do país? São eles as únicas cabeças pensantes?
Pelos vistos, não foi por acaso que levaram o país à bancarrota. Quando viram o país a afundar-se, calaram-se, agora que alguém o tenta tirar do abismo gesticulam.
A acontecer o que esses cavalheiros preconizam, está-se perante um golpe de Estado! E a subverter as regras mais elementares (BÁSICAS) da Democracia!
Felizmente o povo português não irá nisso, porque não é estúpido. Nem a Europa (ou seja, o Sacro Império Romano!).
Que razões levarão os ditos a alardearem tanto? Como se adivinha, foram-lhes ao bolso. Houve sempre, em Portugal, um certo número de “intocáveis”. A quem se não podia “mexer”. Pagavam os do costume (o povo, o Zé pelintra, os desprotegidos, os deserdados da sorte), livravam-se os do costume (os intocáveis). Desta vez não se safaram porque a senhora do Sacro Império não vai em futebóis.
Vale a pena lembrar a estes cavalheiros que, além de todas as patifarias (realizadas entre 2005 e 5 de Junho de 2011) que arruinaram a vida de milhões de portugueses, a nossa desgraça se deveu, em grande parte, à fuga de capitais, ocorrida entre Abril de 2010 e Abril de 2011, que tiraram do país 78 mil milhões, devido às politicas desastrosas até aí desenvolvidas. Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar só tomaram posse a 5 de Junho de 2011!


Chipre

O que nos mostra o caso de Chipre é que a crise já identificou os verdadeiros culpados. Em Portugal, os bandidos que nos levaram ao desastre continuam a pavonear-se nos melhores restaurantes, e por aí fora, enquanto nas sociedades civilizadas vão sendo presos. O caso do ministro inglês que irá para a gaiola por ter conduzido a uma velocidade não permitida, diz bem da diferença.
Mas também mostra outra coisa. A chanceler alemã, ao contrário do que certos Chicos – espertos querem fazer crer, é uma mulher muito inteligente. Com a medida de congelar as contas bancárias evitou que fossem os seus contribuintes a pagar aquilo que foi provocado por dinheiros de origem duvidosa como o dos oligarcas russos.
Mas a medida onde parece ter já havido recuo para os pequenos montantes, foi um rombo tremendo para a União, porque precipitada, põe em causa princípios que deviam ser intocáveis.
A Europa está a trilhar caminhos perigosos. Ao congelar contas bancárias e quando mexe nos salários, principalmente nos dos mais desfavorecidos.
Armando Palavras


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