Desfolhados alguns jornais de
Sábado passado (16 de Março), não deixa de ser curiosa a análise de alguns
articulistas que, sedentos de sangue, não perderam a ocasião de dar umas
bordoadas no Governo. Esta gente (grande parte gestores) não consegue perceber
que neste momento (de bancarrota provocada pelos socialistas do período de
No meio desta ignorância existe
sempre gente madura, avisada, que sabe da poda e leu o “Pato Donald”.
Silva Lopes, da área socialista,
em entrevista à TSF no mesmo Sábado, em resposta à pergunta da jornalista [Disse, mais do que uma vez, que Portugal não tem
alternativa a esta austeridade imposta pela troika. Quase dois anos e sete
avaliações depois, o país continua assim, sem alternativa?], responde: “Infelizmente continua. Só temos duas alternativas à
austeridade: ou conseguimos que nos emprestem mais dinheiro ou conseguimos que
aumentem bastante as exportações. A austeridade tem aqueles custos terríveis,
como o desemprego, as pessoas que não têm o suficiente para viver decentemente,
etc., mas o problema é que o país tem, neste momento, para gastar quase 20%
menos do que tinha em 2008, antes de começar a crise. Hoje produzimos 8% menos
do que produzíamos nessa altura, pagamos mais juros ao estrangeiro das dívidas
que acumulámos – cerca de 2% – e também reduzimos o recurso ao endividamento
externo. Produzimos menos, já não nos podemos financiar lá fora para gastarmos
cá dentro, por isso, hoje os portugueses têm, em média, 18% menos para gastar”.
E Pedro Reis, da área ideológica
social-democrata, em entrevista, no Domingo, à TSF/DN que defende que não
existe economia que se sustente apenas de exportações, e que para isso vai ser
necessário tratar da economia doméstica, respondeu desta forma ao jornalista: “
estou profundamente convencido de que o que fizemos até hoje era necessário.
Tínhamos chegado ao fim da linha. Era insustentável o caminho. Entrámos em
falência técnica, precisámos de estender a mão a credores que nos deram a mão.
E tivemos de recuperar e mostrar credenciais, de recuperar credibilidade”. E
adianta sobre a acção positiva do Governo: “ E aí vejo, como aspectos
positivos, o facto de se ter conseguido o equilíbrio externo, de 90% do
envelope financeiro estar neste momento concretizado, o que quer dizer uma
prova de confiança no País. O bom andamento do programa de privatizações. O
facto de a nível da consolidação orçamental ter-se conseguido, em dois anos, 18
mil milhões de euros, e o facto de a taxa de rendibilidade das nossas
obrigações a dez anos – deixem-me lembrar isto, porque é uma vitória do País –
em Janeiro de 2012 estavam a 15%, em Março de 2013 estão a 6%!”. Segue dizendo
que é positivo a cedência de mais um ano para atingir as metas e que em 2014
estamos fora do programa de assistência, ou seja, de regresso aos mercados.
Sobre o Primeiro-ministro diz: “ Há várias características pelas quais tenho
uma profunda admiração pelo senhor primeiro-ministro. E uma delas é,
justamente, a sua sinceridade e a sua coragem para enfrentar as questões
difíceis e mostrar a realidade ao país […] acho que o primeiro-ministro tem
mostrado uma dose de frontalidade e de verticalidade na defesa do que acredita
que é o melhor para o País. E isso, para mim, é o condimento mais importante,
não é na comunicação, é numa relação do primeiro-ministro com o País: é falar a
verdade, ser honesto intelectualmente e ser sincero em relação aos desafios que
tem pela frente e em relação ao caminho que propõe”.
Peguemos no jornal Público, um
jornal mais equilibrado. Sofia Rodrigues inicia a sua peça desta maneira: “ Uma
velocidade mais lenta para concretizar os cortes de despesa estrutural do
Estado foi uma das reivindicações que o Governo conseguiu ver satisfeitas pela
Troika”. Só isto, por si, nos dá indicações sobre a apreciação que as
instituições internacionais fazem deste Governo que a todo o custo tenta tirar
o país da bancarrota. Nas páginas um e dois, Sérgio Aníbal descreve com
realismo toda a operação e a apreciação de todas as instituições internacionais
sobre a conduta do Governo: Positiva!
Não tardou a que os despeitados
socráticos viessem a terreiro argumentar que o sucesso do Governo se devia ao
BCE, a Draghi, e por aí fora. Qualquer individuo culto sabe isso, talvez melhor
que eles. Porque muito antes do sr. Draghi fazer aquele anúncio, houve gente
sem formação académica em economia e finanças que chamou a atenção para isso,
dando o exemplo de vários bancos centrais: o americano, o inglês e o japonês.
Mas eles, com formação na área só agora o disseram. É esta a sua competência!
Mas a dado passo Sérgio Aníbal
acrescenta: “ Apesar dos elogios, para que a avaliação seja considerada
positiva e seja dada autorização para a entrega de mais uma tranche do empréstimo (de cerca de 2000
milhões de euros), a Troika diz que irá ainda esperar pela apresentação, até
Maio, do relatório com a estratégia orçamental detalhada de médio prazo, o
documento onde o Governo dará a conhecer quais as medidas de redução permanente
da despesa que irão ser implementadas em 2013, 2014 e 2015” .
Quer isto dizer que se o relatório
não estiver bem feito, em Junho não há vencimentos para ninguém! Foi a isto que
os socráticos nos trouxeram!
Entretanto anda para aí outro
grupo de pressão da “esquerda moderada”, a movimentar um manifesto contra a
austeridade para entregar ao Presidente da República.
Resta-nos a leitura de gente
séria como Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas:
jornal Público (18 de Março, XIII,
p.47), com o titulo “Fazer parte da solução”. Obrigado professor.
Se não querem ler Oliveira Martins,
leiam, ao menos, o “Pato Donald”!
Armando
Palavras
Tudo gira em volta do dinheiro,
ou seja, do dólar, no mundo do Pato Donald (1943-1967). Não há ninguém da nossa
geração que não conheça os heróis destas histórias passadas a banda desenhada:
os três espertos jovens Huguinho, Zezinho e Luisinho que conseguem sempre
salvar a situação com inteligência, capacidade de improvisação e valentia; o
seu despótico tio Donald, duro de cabeça, que bloqueia todas as inovações e o
imensamente rico Tio Patinhas, inalcançável, poderoso e moralmente questionável.
E estas pranchas apresentam-nos
os ingredientes para escrever uma história de sucesso sobre o capitalismo:
ambição, cobiça, vontade de fazer carreira e temor constante do fracasso. O
que, à primeira vista nos parecem simples travessuras divertidas constituem, na
verdade, as leis do mercado livre.
Enriquece-se, explora-se os outros e apropria-se de recursos alheios à custa de
terceiros se necessário for. O fundamental é que, no fim da linha, se tenha
conseguido êxito e dinheiro.
O tio Patinhas representa os
Estados Unidos da América, mas Carl Barks inventou ainda os irmãos metralha que
representam os comunistas, que procuravam apropriar-se do dinheiro do poderoso
Patinhas.
Estas histórias representam, no
fundo, o êxito do capitalismo e do poderoso Estados Unidos da América dos anos
40, 50 e 60 do século passado.




Sem comentários:
Enviar um comentário