quarta-feira, 20 de março de 2013

Leiam o Pato Donald!


Desfolhados alguns jornais de Sábado passado (16 de Março), não deixa de ser curiosa a análise de alguns articulistas que, sedentos de sangue, não perderam a ocasião de dar umas bordoadas no Governo. Esta gente (grande parte gestores) não consegue perceber que neste momento (de bancarrota provocada pelos socialistas do período de 2005 a Junho de 2011), só a emissão de divida, com sucesso, nos mercados, nos traz alguma estabilidade económica? Qualquer cidadão culto percebe isto. O que é que esta gente leu sobre economia e finanças? Leiam ao menos o “Pato Donad”!
No meio desta ignorância existe sempre gente madura, avisada, que sabe da poda e leu o “Pato Donald”.
Silva Lopes, da área socialista, em entrevista à TSF no mesmo Sábado, em resposta à pergunta da jornalista [Disse, mais do que uma vez, que Portugal não tem alternativa a esta austeridade imposta pela troika. Quase dois anos e sete avaliações depois, o país continua assim, sem alternativa?], responde: “Infelizmente continua. Só temos duas alternativas à austeridade: ou conseguimos que nos emprestem mais dinheiro ou conseguimos que aumentem bastante as exportações. A austeridade tem aqueles custos terríveis, como o desemprego, as pessoas que não têm o suficiente para viver decentemente, etc., mas o problema é que o país tem, neste momento, para gastar quase 20% menos do que tinha em 2008, antes de começar a crise. Hoje produzimos 8% menos do que produzíamos nessa altura, pagamos mais juros ao estrangeiro das dívidas que acumulámos – cerca de 2% – e também reduzimos o recurso ao endividamento externo. Produzimos menos, já não nos podemos financiar lá fora para gastarmos cá dentro, por isso, hoje os portugueses têm, em média, 18% menos para gastar”.
E Pedro Reis, da área ideológica social-democrata, em entrevista, no Domingo, à TSF/DN que defende que não existe economia que se sustente apenas de exportações, e que para isso vai ser necessário tratar da economia doméstica, respondeu desta forma ao jornalista: “ estou profundamente convencido de que o que fizemos até hoje era necessário. Tínhamos chegado ao fim da linha. Era insustentável o caminho. Entrámos em falência técnica, precisámos de estender a mão a credores que nos deram a mão. E tivemos de recuperar e mostrar credenciais, de recuperar credibilidade”. E adianta sobre a acção positiva do Governo: “ E aí vejo, como aspectos positivos, o facto de se ter conseguido o equilíbrio externo, de 90% do envelope financeiro estar neste momento concretizado, o que quer dizer uma prova de confiança no País. O bom andamento do programa de privatizações. O facto de a nível da consolidação orçamental ter-se conseguido, em dois anos, 18 mil milhões de euros, e o facto de a taxa de rendibilidade das nossas obrigações a dez anos – deixem-me lembrar isto, porque é uma vitória do País – em Janeiro de 2012 estavam a 15%, em Março de 2013 estão a 6%!”. Segue dizendo que é positivo a cedência de mais um ano para atingir as metas e que em 2014 estamos fora do programa de assistência, ou seja, de regresso aos mercados. Sobre o Primeiro-ministro diz: “ Há várias características pelas quais tenho uma profunda admiração pelo senhor primeiro-ministro. E uma delas é, justamente, a sua sinceridade e a sua coragem para enfrentar as questões difíceis e mostrar a realidade ao país […] acho que o primeiro-ministro tem mostrado uma dose de frontalidade e de verticalidade na defesa do que acredita que é o melhor para o País. E isso, para mim, é o condimento mais importante, não é na comunicação, é numa relação do primeiro-ministro com o País: é falar a verdade, ser honesto intelectualmente e ser sincero em relação aos desafios que tem pela frente e em relação ao caminho que propõe”.
Peguemos no jornal Público, um jornal mais equilibrado. Sofia Rodrigues inicia a sua peça desta maneira: “ Uma velocidade mais lenta para concretizar os cortes de despesa estrutural do Estado foi uma das reivindicações que o Governo conseguiu ver satisfeitas pela Troika”. Só isto, por si, nos dá indicações sobre a apreciação que as instituições internacionais fazem deste Governo que a todo o custo tenta tirar o país da bancarrota. Nas páginas um e dois, Sérgio Aníbal descreve com realismo toda a operação e a apreciação de todas as instituições internacionais sobre a conduta do Governo: Positiva!
Não tardou a que os despeitados socráticos viessem a terreiro argumentar que o sucesso do Governo se devia ao BCE, a Draghi, e por aí fora. Qualquer individuo culto sabe isso, talvez melhor que eles. Porque muito antes do sr. Draghi fazer aquele anúncio, houve gente sem formação académica em economia e finanças que chamou a atenção para isso, dando o exemplo de vários bancos centrais: o americano, o inglês e o japonês. Mas eles, com formação na área só agora o disseram. É esta a sua competência!
Mas a dado passo Sérgio Aníbal acrescenta: “ Apesar dos elogios, para que a avaliação seja considerada positiva e seja dada autorização para a entrega de mais uma tranche do empréstimo (de cerca de 2000 milhões de euros), a Troika diz que irá ainda esperar pela apresentação, até Maio, do relatório com a estratégia orçamental detalhada de médio prazo, o documento onde o Governo dará a conhecer quais as medidas de redução permanente da despesa que irão ser implementadas em 2013, 2014 e 2015”.
Quer isto dizer que se o relatório não estiver bem feito, em Junho não há vencimentos para ninguém! Foi a isto que os socráticos nos trouxeram!
Entretanto anda para aí outro grupo de pressão da “esquerda moderada”, a movimentar um manifesto contra a austeridade para entregar ao Presidente da República.
Resta-nos a leitura de gente séria como Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas: jornal Público (18 de Março, XIII, p.47), com o titulo “Fazer parte da solução”. Obrigado professor.
Se não querem ler Oliveira Martins, leiam, ao menos, o “Pato Donald”!
Armando Palavras









Papel de parede 'Pato Donald Happy Easter'O Pato Donald

Tudo gira em volta do dinheiro, ou seja, do dólar, no mundo do Pato Donald (1943-1967). Não há ninguém da nossa geração que não conheça os heróis destas histórias passadas a banda desenhada: os três espertos jovens Huguinho, Zezinho e Luisinho que conseguem sempre salvar a situação com inteligência, capacidade de improvisação e valentia; o seu despótico tio Donald, duro de cabeça, que bloqueia todas as inovações e o imensamente rico Tio Patinhas, inalcançável, poderoso e moralmente questionável.
E estas pranchas apresentam-nos os ingredientes para escrever uma história de sucesso sobre o capitalismo: ambição, cobiça, vontade de fazer carreira e temor constante do fracasso. O que, à primeira vista nos parecem simples travessuras divertidas constituem, na verdade, as leis do mercado livre. Enriquece-se, explora-se os outros e apropria-se de recursos alheios à custa de terceiros se necessário for. O fundamental é que, no fim da linha, se tenha conseguido êxito e dinheiro.
barks-painting-lg.jpgDonald é o eterno perdedor, o Tio Patinhas, um vencedor e o trio de espertos sobrinhos, os verdadeiros heróis da história. Possuem todas as qualidades que hoje se exigem em cargos de direcção: são sociáveis, flexíveis e com iniciativa própria. Dispostos a assumir riscos, pensam de forma criativa e planificada e possuem espírito de equipa.
O tio Patinhas representa os Estados Unidos da América, mas Carl Barks inventou ainda os irmãos metralha que representam os comunistas, que procuravam apropriar-se do dinheiro do poderoso Patinhas.
Estas histórias representam, no fundo, o êxito do capitalismo e do poderoso Estados Unidos da América dos anos 40, 50 e 60 do século passado.



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