“Há, porém, algo que conservo, como uma alma secreta e que o tempo não apagará, enquanto se conservar em mim um só tijolo da minha edificação… as memórias.” … “Por isso e para que as memórias não se extraviem é preciso aconchegá-las. Que esta evocação seja o aconchego que a escrita permite à memória, tornando-a imortal.” (Página 14)
Depois da leitura de “Terra d`Encontros”, obra publicada em 2016, de Carla Guerreiro em coautoria com Lídia Santos, e que bastante me agradou, o lagoaceiro (El)Miro Barbeiro, primo por afinidade, ofereceu-me, com a devida dedicatória, “Memórias da Casa Grande”, da autoria de Clara Guerreiro, licenciada em Português-Inglês, investigadora e autora ligada ao ensino da língua portuguesa e à literatura, cuja leitura contribuiu para um melhor conhecimento das gentes transmontanas, da sua mentalidade e forma de ser e estar.
Carla Guerreiro, com “Memórias da Casa Grande”, homenageia a capacidade de resistência do povo transmontano, com enfoque nos moradores das aldeias do concelho de Freixo de Espada-à-Cinta, pela capacidade de ultrapassar o isolamento e os custos da interioridade, recusando-se a abandonar o torrão natal.
"Ai se as
paredes falassem…", ouvimos dizer... E foi desta ideia que nasceu este
projeto da Carla Guerreiro cuja leitura vivamente recomendo, sobretudo aos
membros do Grupo “Amigos de Lagoaça”, para que as memórias se aconcheguem e não
se percam.


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