domingo, 25 de outubro de 2026

“MEMÓRIAS DA CASA GRANDE” – CARLA GUERREIRO

LEONEL DIAS


“Há, porém, algo que conservo, como uma alma secreta e que o tempo não apagará, enquanto se conservar em mim um só tijolo da minha edificação… as memórias.” … “Por isso e para que as memórias não se extraviem é preciso aconchegá-las. Que esta evocação seja o aconchego que a escrita permite à memória, tornando-a imortal.” (Página 14)

Depois da leitura de “Terra d`Encontros”, obra publicada em 2016, de Carla Guerreiro em coautoria com Lídia Santos, e que bastante me agradou, o lagoaceiro (El)Miro Barbeiro, primo por afinidade, ofereceu-me, com a devida dedicatória, “Memórias da Casa Grande”, da autoria de Clara Guerreiro, licenciada em Português-Inglês, investigadora e autora ligada ao ensino da língua portuguesa e à literatura, cuja leitura contribuiu para um melhor conhecimento das gentes transmontanas, da sua mentalidade e forma de ser e estar.

A autora, neste Livro, empresta voz, emoções e memória à Casa Grande sita na imaginária povoação transmontana de Benquerença, aldeia do concelho de Freixo de Espada-à-Cinta, encrustada entre Portugal e Espanha e berço dos seus afetos (o que leva a pensar tratar-se da aldeia de Lagoaça), dando-nos ao longo de 11 capítulos contos de amor, afetos e ternura falando das suas memórias afetivas e pequenos dramas que foram relevantes para si, criando personagens e histórias ficcionais, num território isolado do resto do país onde, talvez por esse isolamento, essas tradições foram preservadas e que a escrita tornará imortal.

Carla Guerreiro, com “Memórias da Casa Grande”, homenageia a capacidade de resistência do povo transmontano, com enfoque nos moradores das aldeias do concelho de Freixo de Espada-à-Cinta, pela capacidade de ultrapassar o isolamento e os custos da interioridade, recusando-se a abandonar o torrão natal.

"Ai se as paredes falassem…", ouvimos dizer... E foi desta ideia que nasceu este projeto da Carla Guerreiro cuja leitura vivamente recomendo, sobretudo aos membros do Grupo “Amigos de Lagoaça”, para que as memórias se aconcheguem e não se percam.

 

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