dono da c🅾️🅾️perativa ™ X
@donocooperativa
1h
☢️ Reflexão da Cooperativa: dois médicos portugueses decidiram ir para Gaza numa flotilha. Não foram por falta de alternativas. Sendo médicos, podiam ter procurado corredores humanitários reconhecidos, organizações médicas internacionais, missões clínicas, etc
[Organizações médicas ocidentais e internacionais como a OMS, EMergency Medical Teams, UK-Med, Médicos Sem Fronteiras, Medical Aid for Palestinians, International Rescue Committee, Palestine Children’s Relief Fund, MedGlobal, FAJR Scientific e o Comité Internacional da Cruz Vermelha têm ou tiveram equipas médicas a operar em Gaza, por vias mais úteis e menos teatrais do que uma flotilha.]
Mas isso não lhes permitia sair do anonimato e, pouca cenografia, e claro, demasiado arriscado. E esta malta não quer apenas ajudar; quer que o mundo veja a pureza moral com que ajuda.
➡️➡️A flotilha não é bem uma missão humanitária. Nunca foi. É show off. Toda a gente sabe como acaba. Parte-se em direcção a Gaza, Israel intercepta, há gritaria, há comunicados, há indiganação, há selfies e no fim regressam todos moralmente promovidos, como quem fez uma espécie de Erasmus no sofrimento alheio. O risco é calculado ao milímetro camaradas. Israel não pode dar um passo em falso sem ter meio Ocidente a espumar na praça pública, e estes cruzeiros da virtude vivem precisamente desse teatro.
E da festa, muita, pelo caminho, que o soformento dos outros é para celebrar convenientemente.
Depois aparece o Ben-Gvir, ministro grotesco que mais parece ter sido desenhado por um caricaturista com uma piela do catano, e resolve fazer da coisa um número tabernóide. Troça, gozo, pose de valentão satisfeito, tudo aquilo que um Estado sério não devia oferecer de bandeja aos seus inimigos. É pouco recomendável, sim. É grotesco, sim. É politicamente estúpido, sim. Mas chamar a isto a grande humilhação civilizacional do século exige uma ginástica emocional que só a esquerda performativa consegue fazer sem partir uma vértebra.
⚠️Humilhação verdadeira é uma família ser arrancada de casa por terroristas. É uma rapariga ser levada como troféu. É um refém desaparecer meses dentro de um túnel enquanto o mundo discute se terrorismo é na realidade resistência!
Mas aí a indignação passa por abstenção violenta com facilidade. Quando foram assassinados, violados e sequestrados civis no dia 7 de Outubro, houve sempre uma nota de rodapé, uma contextualização, um "pois, mas", uma arqueologia moral para explicar que a barbárie, afinal, pode ter um contexto que explica. Já quando uns ativistas adultos, instruídos, voluntários, embarcam num cruzeiro político sabendo perfeitamente o que os espera, aí treme a humanidade, proclama-se que a dignidade humana foi atirada ao chão porque alguém foi tratado sem respeito pelos direitos humanos por um ministro israelita armado em chefe de claque.
Adiante camaradas.
Voltamos aos nossos 2 médicos. Ironia amarga. Porque um médico, por definição, devia saber distinguir cura de espectáculo. Devia saber que o sofrimento humano não é palco, que a ajuda não precisa de plateia e que a medicina, quando é mesmo medicina, não se mede às milhas náuticas nem em espetáculo. Se queriam ajudar Gaza, havia caminhos duros, discretos, burocráticos e mais eficazes, talvez menos românticos, ok, mas mais úteis. Escolheram a flotilha. Escolheram o simbolismo, o embate previsível. Escolheram entrar numa peça cujo guião já vinha escrito. Demasiado fácil, até.
Paara vossa eventual reflexão.
o dono da cooperativa
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