quinta-feira, 21 de maio de 2026

Pedaços da História em busca das origens - Romance de Elmiro Barbeiro

Não conheço, pessoalmente, este jovem de Lagoaça, do concelho de Freixo de Espada à Cinta. Contudo revejo-me na sua vinda a este destino em que chegámos na mesma geração. Trás-os-Montes e Alto Douro é a última Província lusófona. Calhou ter por berço o chão que nos embala, em tempos destas muitas guerras, cuja idade nunca foi, cientificamente, fixada. A história de Portugal diz-nos que nunca saberemos quando, e como, nasceu o espaço. E, não obstante os progressos planetários, a ciência já tem dado alguns passos para chegarmos à Lua. Já por aqui andaram muitas raças, muitos «bicharocos», gentes semelhantes, animais selvagens, com físicos mais valentes, mais robustecidos e mais agigantados. Possivelmente menos sabedores, de feições incríveis e de histórias nunca descobertas.

Estamos às porta dos 900 anos da «primeira tarde Portuguesa». Em 1071 deu-se a Batalha do Pedroso, travada em 18 de janeiro de 1071. Nesse combate morreu o conde Nuno Mendes, que provocou a extinção da linhagem condal galega que administrava o então Condado Portucalense. Essa linhagem tinha começado em 868, quando Vímara Peres recebeu, como prémio da expulsão dos muçulmanos, o Condado Portus Cale. Houve nove condes entre Vímara Peres e Nuno Mendes. O condado Portucalense renasceria em 1096, como dote matrimonial, aquando do casamento de D. Teresa com o borgonhês Conde D. Henrique, de cuja união nasceria o rei fundador da portugalidade: D. Afonso Henriques.

Voltando ao livro de Elmiro Barbeiro e os «Pedaços da História», confesso, na qualidade de decano dos jornalistas Portugueses vivos, que devo elogiar o autor deste documento bibliográfico, meu companheiro de quase tudo aquilo que leio «em busca das origens». Começo por lhe agradecer a dedicatória, ao me tratar por «brilhante escritor transmontano com elevada estima e consideração». Agradeço-lhe tão sonantes adjetivos, que não mereço, mas que me permitem felicitá-lo, por sua coragem, persistência e lição de vida. A minha resistência, tal como a sua, apenas divergem nos 11 anos de vida. Transmontano, escola primária, seminário, saída após 10 anos, serviço militar obrigatório, em Angola, oficial miliciano ranger, licenciatura aos 42 anos, mestrado e doutoramento, com teses publicadas, docente do ensino superior, entre 1998-2008.

Pelo meio de tão arriscadas ocupações, ambos tivemos de ir à guerra (e eu com mais quatro irmãos); o Elmiro Barbeiro como sargento miliciano, na Guiné; eu em Mafra, Lamego, Abrantes, Dembos, de onde alguns heróis fugiram e alguns ficaram.

Paralelamente, as nossas vidas prestaram-se ao fadário que a sociedade mostra e que o oportunismo social esconde. Aparecemos numa geração diabolizada, faminta de tudo e cruel para quem remasse contra a maré.

Este seu quarto livro, em prosa e verso, denuncia os seus 78 anos de vida real. Não se escondeu do pior, não reclamou o melhor, mas conformou-se com aquilo que o destino lhe impôs. Já li alguns dos seus poemas, revoltantes aqui e ali. E, não podendo dizer tudo, enuncia, nestas 318 páginas, os seus sucessos, os amargo de boca e as injustiças que sentiu, na sua vida ativa.

Desde o prefácio, ao prólogo, passando pelo epílogo, «procurou, por todos os meios, levar uma informação fidedigna que lhe indicasse o caminho certo na procura dos seus descendentes. É sério, humano e liberal. E dedica este exemplar livro aos seus antepassados, emigrantes, e a quantos, de forma forçada, se viram na necessidade de procurar lá fora meios de subsistência para si e para os seus.

Armando Palavras e Belmiro Barbeiro são dois transmontanos que vivem no centro do país, mas que convivem quando visitam as origens, na mais distante Província de Trás-os-Montes. Um e outro e muitos mais, com idêntica itinerância, se reúnem por bons motivos. A cultura, a sociabilidade e o fraquinho pelo berço são fatores de aproximação. Estes dois quase conterrâneos ombreiam pela positiva. Revejo-me neles e fazem falta na Academia de Letras de Trás-os-Montes. Reúnem todos os requisitos. E eu, na qualidade de quarto outorgante da fundação da Academia, em 2010, em Bragança, na Biblioteca Municipal, tenho o maior gosto em propô-los como associados. Fica o desafio.

Pedaços da História – Em busca das origens é uma edição do Autor, executado na Tipografia Rápida de Setúbal, em Abril último.

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Pedaços da História em busca das origens - Romance de Elmiro Barbeiro

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