Nada
nos assusta mais quando escrevemos sobre evolução humana do que a
expressão “elo perdido”. Tem uma carga terrível neste campo desde a
infame fraude do Homem de Piltdown, em 1912.
Três naturalistas amadores apresentaram então à
sociedade científica britânica um fóssil como nunca ninguém vira: possuía uma
amplitude craniana parecida com a da nossa espécie, mas a mandíbula era decerto
simiesca. Encontrados em sucessivas campanhas, os fragmentos fossilizados
pareciam provar o que os naturalistas esperavam há 50 anos: o
homem-macaco, o elo linear perdido na evolução dos primatas para os hominídeos.
A circunstância de emergir na Grã-Bretanha espicaçou ainda mais o orgulho
inglês.
Não
se conheciam então os fósseis africanos dos australopitecos, nem qualquer outro
dos géneros humanos ancestrais. Tinham aparecido no século XIX os vestígios de
outra espécie, o neandertal, ainda mal compreendidos e certamente sem a
antiguidade suficiente para serem os candidatos desejados. Os métodos de
datação eram básicos e o entusiasmo dos achadores parecia genuíno. O quadro,
pintado em 1915 na sede da Sociedade Geológica Britânica (em
cima), capturou para sempre a sua emoção.

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