domingo, 23 de fevereiro de 2025

O elo perdido…

Nada nos assusta mais quando escrevemos sobre evolução humana do que a expressão “elo perdido”. Tem uma carga terrível neste campo desde a infame fraude do Homem de Piltdown, em 1912.

Três naturalistas amadores apresentaram então à sociedade científica britânica um fóssil como nunca ninguém vira: possuía uma amplitude craniana parecida com a da nossa espécie, mas a mandíbula era decerto simiesca. Encontrados em sucessivas campanhas, os fragmentos fossilizados pareciam provar o que os naturalistas esperavam há 50 anos: o homem-macaco, o elo linear perdido na evolução dos primatas para os hominídeos. A circunstância de emergir na Grã-Bretanha espicaçou ainda mais o orgulho inglês.

Não se conheciam então os fósseis africanos dos australopitecos, nem qualquer outro dos géneros humanos ancestrais. Tinham aparecido no século XIX os vestígios de outra espécie, o neandertal, ainda mal compreendidos e certamente sem a antiguidade suficiente para serem os candidatos desejados. Os métodos de datação eram básicos e o entusiasmo dos achadores parecia genuíno. O quadro, pintado em 1915 na sede da Sociedade Geológica Britânica (em cima), capturou para sempre a sua emoção.

FONTE: https://www.nationalgeographic.pt/edicoes/editorial-national-geographic-fevereiro-287-o-dilema-do-elo-perdido_5749

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