Embora a exploração dos minerais
tivesse começado antes, foi em 1903 que o Estado Português lhe concedeu
concessão, aliás a primeira concedida a uma empresa mineira, que salvo erro era
Belga.
Teve a sua grande evolução
durante a guerra de 1938-1944, ano em que foi encerrada por decreto do governo,
durante dois anos.
Nessa altura trabalhavam aqui
milhares de pessoas e viviam centenas de famílias.
Reabriu em 1946 e depois passou
por crises laborais, com várias paragens e retomas, tal como entre 1958 e1962,
onde chegou a haver aqui estrema necessidade.
Tinha além da Lavaria Nova, onde se procedia à lavagem e primeira escolha dos diversos materiais vindos da mina; na chamada Lavaria Velha, que funcionava como afinagem, eram moídos e novamente lavados e separados os minerais.
Os “apanhistas”, eram assim
chamados aqueles que possuíam autorização para explorar dentro da concessão, à condição
de venderem à empresa o produto explorado, facto que era minimamente cumprido,
pois no mercado negro o volfrâmio, pagava-se mais caro do que aqui separado. Em
1948, passou a ter a central da Mesa do Galo, que produzia a energia eléctrica
necessária para a elaboração da empresa, e uma moderna fundição, mais sofisticada
do país, e única onde o volfrâmio era transformado em Tungsténio, para ser
exportado em barris, creio que a Alemanha era o seu principal destino.
A sua paragem definitiva
aconteceu em fevereiro de 1986, continuando ainda a funcionar durante mais um ano
como manutenção subsidiada pelo Estado.
O volfrâmio perdeu a sua cotação
no mercado, os sindicatos que sempre procuraram viver à custa da empresa, não
produzindo e impedindo a produção, abreviaram o seu encerramento.
Em 1992, foi vendida em hasta pública,
quase em segredo para cobrir dívidas às finanças e à Segurança Social.
A Câmara de Montalegre deixou
perder um património considerável, na época a única indústria existente no
Concelho.
Ninguém fez nada para a reconversão da empresa que com os resíduos existentes era possível conservar talvez meia centena de empregos, com as areias podiam ter fundado uma fábrica de blocos, manilhas, vigas e postes, que seriam a garantia de sobrevivência de algumas famílias, o que constituía uma mais-valia numa terra onde não existe mais nada.
A esta terra isolada, só pelos
anos 1950, chegou o progresso e a civilização; o Bispo de Vila real colocou
aqui como capelão das Minas da Borralha, o Rev. Padre João Adelino Alves
Ferreira, fundador da Igreja e da Escola Profissional, anos 1955-1956, o que muito
contribui para engrandecer a prosperidade destas terras, digo destas, porque
não só de Salto, como das vizinhas freguesias da Venda Nova, Campos e Ruivães,
assim como de várias aldeias do concelho de Montalegre, também beneficiaram
muitos alunos, porque não havia mais nada, a não ser em Montalegre, Vieira do
Minho e Cabeceiras de Basto, ou Braga.
Aqui fizeram os seus estudos
secundários, os primeiros Doutores e Engenheiros daqui, assim como muitos
profissionais capacitados em vários ramos que, não teriam oportunidade de o
fazer se esta escola não existisse. Eu que nunca trabalhei nas Minas da
Borralha, nem frequentei a dita escola, porque ela não existia no meu tempo de
estudo, rendo a minha sincera homenagem e admiração a esse homem; é de pessoas
assim que precisa a nossa degradada sociedade.
Hoje quando passo na Borralha,
sinto uma profunda tristeza e tenho saudades do movimento e da riqueza dos seus
tempos áureos.
As famílias dispersaram-se e a
história da Borralha, cairá no esquecimento e na ignorância dos vindouros.
Todos os que me conhecem, sabem
que não gosto de falar do que não conheço, a história da Borralha, é merecedora
de ser memorizada em livro.
As brechas abertas no terreno
estão quase tapadas, e as escombreiras cobertas de vegetação, muitas casas
alagadas, brevemente não haverá vestígios dignos de registo da grandiosidade desta
exploração mineira que durou quase 100 anos.
Júlio
F. Vaz de Barros



Há um grande livro sobre as Minas da Borralha, que dá para fazermos ideia aproximada do que era aquela vida - " A Fárria" do Escritor barrosão Bento da Cruz. Um livro que vale a pena!
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