quarta-feira, 19 de abril de 2023

JOSÉ AUGUSTO COSTA PEREIRA = 6 DE DEZEMBRO DE 1938 - 19 DE ABRIL DE 2022 =


Observando do alto da Senhora da Graça ...
 
Faz hoje um ano que faleceu o distinto mondinense Costa Pereira. Colaborou neste blogue durante 12 anos.



Por Maria da Graça

 

JOSÉ AUGUSTO COSTA PEREIRA

= 6 DE  DEZEMBRO DE 1938 - 19 DE ABRIL DE 2022 =

 

JOSÉ AUGUSTO COSTA PEREIRA, como no  II volume do "Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses", já se fez constar, Costa Pereira é um ferrenho regionalista amigo da sua terra e região que defende e divulga com fervor à mais de meio século, ora na comunicação social, ora nos ambientes que frequenta e se proporcione falar de terras e gente do norte.

Amigo de viajar e muito viajado, tem pela vertente histórica e biográfica uma especial atracção de que resulta fazer dessas viagens a radiografia monográfica dos sítios por onde passa. Assim aconteceu com visitas que já fez aos Açores, Madeira, Angola, Moçambique, França, Itália, Jerusalém e outros lugares que descreveu em páginas de jornal, e mais recentemente, após aposentação, usando da tecnologia virtual em blogs da Sapo que subordinadas ao título "Aquimetem" ele alimenta, e verte também em páginas semelhantes, como Tempo Caminhado, Netbila, quando não, no jornal O Povo de Basto e A Voz de Trás-os-Montes que são ultimamente os jornais onde com mais assiduidade colabora.

Amigo da liberdade responsável, em busca dela, o Costa Pereira cedo dobrou as cumeadas do Marão e da Lameira, primeiro para Vila Real, onde confiado no apoio paternal deixou a "bacia de prata formada pelo Marão", para do outro lado da Serra aprender a profissão que por respeito a quem lhe facilitou aprendizagem, nunca trocou por outra. Muito jovem, inicia a sua caminhada e, a pulso seu, alcança, feliz, a confortável situação de todo aquele cidadão que vê cumprida a tarefa de fazer um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Mas nunca acomodado.

Após trabalhar em diversas terras nortenhas, nos finais de 1962, este transmontano de Basto chega a Lisboa. agora definitivamente disposto a trocar a magia do Tâmega e do Rio Cabril, pela opulência de um Tejo quase a entrar na foz. Levou como ferramenta e carta de apresentação, a arte de barbeiro, a de iniciado na arte de ilusionar os sentidos e a de publicista regional, que não tardou lhe granjeassem no bairro (Santa Maria de Belém), a fama de "mestre dos três ofícios": barbeiro, ilusionista e jornalista.

Nestes ofícios se consagrou, conquistando amizades nos mais diversos sectores da sociedade;  conheceu terras, onde trabalhou, actuou em salões e palcos prestigiados, como Coliseu dos Recreios, Casino Estoril e da Figueira da Foz, Club os Fenianos do Porto, São Luiz Teatro, e colaborou em muitos órgãos de informação. A par disso, também nos meios recreativos e associativos a que esteve ligado se distinguiu quer como membro directivo, quer como promotor de festas e convívios regionais.

Da sua odisseia de viagem, cantou:

 

" Rodando desci do Monte

Para a ponte atravessar

No caminho tanta ponte

Que me perdi no contar.

Vim parar à capital,

Deste país de navegantes,

Onde no "Restelo" doutrora

Os mesmos "Velhos" d`agora,

Continuam triunfantes".

 

Não é exagero dizer que se trata de um dos mais destacados e dinâmicos divulgadores do concelho de Mondim, que se notabilizou e ficou conhecido em toda a região de Basto, quando, na década de 60, ferido no seu amor à terra-berço, por três artigos publicados no diário A Voz, de Lisboa, nos números 5, 9 e 12 de Setembro de 1965, vem a terreiro rebater, no Notícias de Basto, a tese do seu autor. Ao mesmo tempo que arranja modo de conquistar a generosidade de um jurista seu amigo, Dr. Primo Casal Pelayo, que pôs os pontos nos " ii ", e clarificada a situação, o Santuário de Nossa Senhora da Graça é por justiça confiado em definitivo a São Pedro de Vilar de Ferreiros.

Cristão convicto, com particular devoção  a São Josemaria Escrivá; cultor de amigos e amizades, que tem em todas as classes sociais, jamais se serviu delas em proveito próprio, até mesmo nos jornais nunca escreveu para agradar aos amigos, mas sim, dizer o que a sua consciência lhe dita.

Além de colaborador da Imprensa, com mais de meio século de tarimba, Costa Pereira é autor de "As Ferrarias entre Tâmega e Douro" (esgotado), "Vilar de Ferreiros - na História, no Espaço e na Etnografia" (esgotado) e recentemente, Fevereiro de 2014, com a chancela da Chiado Editora publicou "Nossa Senhora da Graça - na Fé dos Mareantes", onde constam todas as paróquias desde o Minho aos Açores, consagradas a NS da Graça, além do mais.

 

In III Volume dos Dicionários dos Mais Ilustres Transmontanos e Alto Durienses

 

1 comentário:

  1. O Senhor Costa Pereira será eterno para quem o conheceu de "perto"... era um diamante puro e já não há mais. Refilava quando mereciam, ajudava sem perguntar porquê, elevava quem fosse integro e honesto, e atirava a matar em quem estivasse a tramar o seu semelhante. Obrigado...
    De onde está, veja se dá um jeito, de a Justiça actuar em Portugal, estamos quase a ter que vender o Território que tanto custou a conquistar.
    Estes rafeiros nem têm a noção de onde vieram e quem lhes legou o terreno para ter onde caírem mortos!
    Até sempre companheiro!

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