Por Maria da Graça
JOSÉ AUGUSTO COSTA PEREIRA
= 6 DE DEZEMBRO DE
1938 - 19 DE ABRIL DE 2022 =
JOSÉ AUGUSTO COSTA
PEREIRA, como no II volume do "Dicionário dos mais ilustres
Transmontanos e Alto Durienses", já se fez constar, Costa Pereira é um
ferrenho regionalista amigo da sua terra e região que defende e divulga com
fervor à mais de meio século, ora na comunicação social, ora nos ambientes que
frequenta e se proporcione falar de terras e gente do norte.
Amigo de viajar e muito
viajado, tem pela vertente histórica e biográfica uma especial atracção de que
resulta fazer dessas viagens a radiografia monográfica dos sítios por onde
passa. Assim aconteceu com visitas que já fez aos Açores, Madeira, Angola,
Moçambique, França, Itália, Jerusalém e outros lugares que descreveu em páginas
de jornal, e mais recentemente, após aposentação, usando da tecnologia virtual
em blogs da Sapo que subordinadas ao título "Aquimetem" ele alimenta,
e verte também em páginas semelhantes, como Tempo Caminhado, Netbila, quando
não, no jornal O Povo de Basto e A Voz de Trás-os-Montes que são ultimamente os
jornais onde com mais assiduidade colabora.
Amigo da liberdade
responsável, em busca dela, o Costa Pereira cedo dobrou as cumeadas do Marão e
da Lameira, primeiro para Vila Real, onde confiado no apoio paternal deixou a
"bacia de prata formada pelo Marão", para do outro lado da Serra
aprender a profissão que por respeito a quem lhe facilitou aprendizagem, nunca
trocou por outra. Muito jovem, inicia a sua caminhada e, a pulso seu, alcança,
feliz, a confortável situação de todo aquele cidadão que vê cumprida a tarefa
de fazer um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Mas nunca acomodado.
Após trabalhar em diversas
terras nortenhas, nos finais de 1962, este transmontano de Basto chega a
Lisboa. agora definitivamente disposto a trocar a magia do Tâmega e do Rio
Cabril, pela opulência de um Tejo quase a entrar na foz. Levou como ferramenta
e carta de apresentação, a arte de barbeiro, a de iniciado na arte de ilusionar
os sentidos e a de publicista regional, que não tardou lhe granjeassem no
bairro (Santa Maria de Belém), a fama de "mestre dos três ofícios":
barbeiro, ilusionista e jornalista.
Nestes ofícios se
consagrou, conquistando amizades nos mais diversos sectores da sociedade;
conheceu terras, onde trabalhou, actuou em salões e palcos prestigiados, como
Coliseu dos Recreios, Casino Estoril e da Figueira da Foz, Club os Fenianos do
Porto, São Luiz Teatro, e colaborou em muitos órgãos de informação. A par
disso, também nos meios recreativos e associativos a que esteve ligado se
distinguiu quer como membro directivo, quer como promotor de festas e convívios
regionais.
Da sua odisseia de viagem,
cantou:
" Rodando desci do
Monte
Para a ponte atravessar
No caminho tanta ponte
Que me perdi no contar.
Vim parar à capital,
Deste país de navegantes,
Onde no
"Restelo" doutrora
Os mesmos
"Velhos" d`agora,
Continuam
triunfantes".
Não é exagero dizer que se
trata de um dos mais destacados e dinâmicos divulgadores do concelho de Mondim,
que se notabilizou e ficou conhecido em toda a região de Basto, quando, na
década de 60, ferido no seu amor à terra-berço, por três artigos publicados no
diário A Voz, de Lisboa, nos números 5, 9 e 12 de Setembro de 1965, vem a
terreiro rebater, no Notícias de Basto, a tese do seu autor. Ao mesmo tempo que
arranja modo de conquistar a generosidade de um jurista seu amigo, Dr. Primo
Casal Pelayo, que pôs os pontos nos " ii ", e clarificada a situação,
o Santuário de Nossa Senhora da Graça é por justiça confiado em definitivo a
São Pedro de Vilar de Ferreiros.
Cristão convicto, com
particular devoção a São Josemaria Escrivá; cultor de amigos e amizades,
que tem em todas as classes sociais, jamais se serviu delas em proveito
próprio, até mesmo nos jornais nunca escreveu para agradar aos amigos, mas sim,
dizer o que a sua consciência lhe dita.
Além de colaborador da
Imprensa, com mais de meio século de tarimba, Costa Pereira é autor de "As
Ferrarias entre Tâmega e Douro" (esgotado), "Vilar de Ferreiros - na
História, no Espaço e na Etnografia" (esgotado) e recentemente, Fevereiro
de 2014, com a chancela da Chiado Editora publicou "Nossa Senhora da Graça
- na Fé dos Mareantes", onde constam todas as paróquias desde o Minho aos
Açores, consagradas a NS da Graça, além do mais.
In III Volume dos
Dicionários dos Mais Ilustres Transmontanos e Alto Durienses


O Senhor Costa Pereira será eterno para quem o conheceu de "perto"... era um diamante puro e já não há mais. Refilava quando mereciam, ajudava sem perguntar porquê, elevava quem fosse integro e honesto, e atirava a matar em quem estivasse a tramar o seu semelhante. Obrigado...
ResponderEliminarDe onde está, veja se dá um jeito, de a Justiça actuar em Portugal, estamos quase a ter que vender o Território que tanto custou a conquistar.
Estes rafeiros nem têm a noção de onde vieram e quem lhes legou o terreno para ter onde caírem mortos!
Até sempre companheiro!