Reflexões
JBM b_Junho 2022_«A Cibernética Base da Espionagem
Alargada de Putin
J. Barreiros Martins Prof. Cat. Emérito Jubilado da Universidade do Minho
http://tempocaminhado.blogspot.com/2022/06/a-cibernetica-base-da-espionagem.html
(1)
Eu tenho o testemunho do que aconteceu em
Moçambique.
Estaline criou em Moscovo a chamada “Universidade” Patrice Lumumba (Só para alunos coloridos e
outros da América Latina) Aí foi “lavado” o cérebro de Samora Machel. A troco
de uma “licenciatura” em “Ciências Sociais” as aulas principais eram de
Comunismo tal como ele era usado na URRS. Logo que Samora tomou conta do
governo de Moçambique tratou logo de usar em Maputo (o novo nome da cidade de
LMarques) os supraditos “famosos” Planos Quinquenais”. Como, praticamente,
todos os colonos tinham abandonado LMarques, as famílias que viviam nas
palhotas dos arredores foram ocupar os apartamentos dos prédios, muitos de 12
andares, levando para lá, além das pessoas, as suas galinhas, cabritos, etc. As
mulheres do 11º andar lavavam roupa na varanda das traseiras e as águas sujas
escorriam para a varanda do 10º andar, e assim sucessivamente até ao R/C, cujo
terreno circundante ficava uma “soupa”. Logo na 1ª viagem de Serviço que fiz a
Maputo Pós Independência, RG que foi meu bom aluno era Secretário de Estado de
Hidráulica levou-me a um desses prédios para eu dizer porquê o prédio estava a
sofrer assentamentos que partiam azulejos nas cozinhas, casas de banho, etc..
Fomos ambos lá e, perante o cenário acima referido logo RC ficou a saber as
causas de tais assentamentos. Por outro lado, em várias janelas havia vidros partidos,
por onde entrava chuva e ventos nos apartamentos. Claro que isso acontecia
porque só os operários do “Colectivo Municipal” possuíam o material e a arte
para colocar, vidros novos.
Uma vez no recinto
do LEM, resolvi ir visitar o Director, que nesse tempo era o Engenheiro Altamira
Vaz, o qual também foi meu aluno. Na conversa que tivemos Altamira Vaz disse-me
que morava no bairro do LEM, ali ao lado, e o portão da frente da casa ameaçava
ruir com a ferrugem que tinha. Ele, Altamira Vaz, resolveu por isso ir à loja
de ferragens A. Teixeira, na baixa, comprar 1 lata de ¼ de litro de tinta de
zarcão para limpar e pintar o portão. Não lhe venderam a lata de tinta, visto que
ele tinha de exibir cópia do “Plano Quinquenal” do LEM e mostrar que a dita
lata de tinta estava lá prevista.
Depois
dessas peripécias, Carlos Quadros também meu brilhante aluno levou-me, a mim e
um funcionário da embaixada da RDA (República
Democrática Alemã» Alemanha Oriental) em Maputo ao “Acampamento de Massingir.
Vou indicar as peripécias da minha viagem à Barragem de Massingir, a qual fica no rio dos Elefantes, um afluente do Limpopo, que desagua no Xaixai. Massingir fica a uns 350 Kms de L. Marques. Conduziu-me num jeep o meu ex-aluno, depois doutor (na Alemanha Oriental), professor engenheiro Carlos Quadros, que hoje tem uma empresa de consultoria e projecto de obras de Engenharia Civil com filiais nas principais cidades de Moçambique. No jeep foi também um funcionário da RDA. Parámos na Manhiça e fomos ao mercado comprar umas frutas: o melhor que encontrámos foi umas papaias e algumas mangas. Depois, já hora do almoço, chegámos ao “Choqué”, antigo Colonato do Limpopo, ainda a uns 150 Kms de Massingir. Havia nessa cidade, apenas um “restaurante”. Fomos lá e NADA havia para se comer: valeu-nos as frutas que tínhamos comprado na Manhiça. Finalmente, ao fim da tarde de um sábado, lá chegámos ao “Acampamento de Massingir”, a jusante da Barragem. Nesse Acampamento residiam vários “técnicos” vindos da URSS para fazer várias medições e registos na barragem: níveis de água, etc. etc. Esse grupo era “comandado” por um “vigilante” vindo da URSS, que achou por bem dar-me as “Boas Vindas” junto com o seu Pessoal. Um elemento desse Pessoal era o Emiliano, um paraguaio que fugiu do Paraguai (por pertencer ao Partido Comunista paraguaio, para o Brasil e daí para a URSS. Como sabia Português, pôde ir para Moçambique ganhar uns dólares, parte dos quais iam para o governo do Estaline e outra parte para a Mulher dele, russa, que tinha ficado em Moscovo. O Emiliano tinha tirado um curso de “Hidráulica” na “Universidade” Patrice Lumumba (Só para alunos coloridos e outros da América Latina) de Moscovo. Perguntei ao Emiliano que mal tinha feito no Paraguai para ser procurado pela polícia. Respondeu: “fiz muita besteira”, mas não especificou.
Perguntei também ao Emiliano se aí recebia salário. Disse-me que o
salário total dele era semelhante ao de outros técnicos, diplomados e em serviço
em Moçambique, mas pago em dólares, sendo 2/3 que Samora tinha de mandar para o
governo de Moscovo, para pagar a metralha que a URSS lhe tinha fornecido como
guerrilheiro, 1/6 para a mulher que tinha deixado em Moscovo e 1/6 para
depósito num banco de Moscovo em nome dele.
Contactei também com um búlgaro, que se dizia geólogo e se sentia
muito infeliz por estar longe da mulher e dos filhos. Quanto a salário o caso
era semelhante ao do Emiliano. Por esse tempo, havia muitos búlgaros a
trabalhar em Moçambique, os quais os naturais moçambicanos chamavam de “bulgaridades”...
Na área do acampamento havia uma antiga cantina de um tal “KANJEE”,
escrito na porta. Sobre isso, alguém escreveu: “CANTINA DO POVO”. Só que, no
tempo do KANJEE a cantina estava recheada de comidas, bebidas, combustíveis, etc.
Agora estava completamente vazia.
(Continua)


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