sábado, 21 de maio de 2022

O julgamento do sargento russo Vadim Shisimarin


A 28 de Fevereiro deste ano, o sargento russo Vadim Shisimarin e mais quatro militares, viram-se debaixo de fogo ucraniano, no Nordeste do país. Para escaparem roubaram uma viatura que os levou em direcção de Chupakhivka, uma povoação de 2000 habitantes, situada a 80 Km da fronteira.

Aí chegados, depararam-se com um civil que circulava numa bicicleta e aparentemente comunicava através de um telemóvel. O sargento russo (um miúdo de 21 anos), pressionado por um superior, disparou a sua AK-47 sobre o civil, para o impedir de denunciar a posição dos militares. O civil, um homem de 62 anos, morreu com vários tiros na cabeça e Vadim Shisimarin compareceu a 18 de Maio num tribunal de Kiev.

O caso foi disseminado pelas televisões e pela internet. E, para as pessoas sensatas, não passou de propaganda.

Os ucranianos têm, neste momento, todas as razões do mundo para odiarem os russos (quando na verdade, esse sentimento deveria ser dirigido a Putin, um assassino à solta – se é que odiar resolve alguma coisa …). Mas não devem perder o sentido de Humanidade. O miúdo que matou o civil, estava apenas a cumprir o dever militar. Se alguém tem que ser julgado, são os seus superiores, sobretudo Putin.

Os soldados russos que lutam na Ucrânia cumprem um dever militar e não devem ser julgados desta forma (sobretudo individualmente).

Em Nuremberga foram julgados os comandantes superiores, não os soldados ou comandantes inferiores.

Se a Ucrânia teve coragem para enfrentar um invasor bárbaro e totalitário, numerosas vezes superior, deve também ter a coragem de ser justa nos julgamentos, sob pena de ir perdendo o apoio moral dos cidadãos livres que com ela estiveram desde o primeiro dia de combate e resistência!

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