BARROSO da FONTE
Acaba de ser editado pela Âncora e na Coleção Raízes, mais um livro do
Padre Lourenço Fontes. Desta vez a Coordenação foi feita por três nomes
diferentes, do Clube UNESCO da Maia: Adalberto Costa, Carlos Meireles e Pedro
Pereira. A nota prévia é assinada por Carlos Meireles.
E começa assim: «o
desafio surgiu à mesa, na degustação de um bacalhau com broa, no final de 2018.
O projeto de compilar e editar os trabalhos do Padre Fontes publicados ao longo
dos anos, no Notícias de Barroso». Mas logo esclarece esta nota prévia: «quando
começámos a receber os primeiros textos digitalizados, constatámos que era
menos moroso escrevê-los de novo no processador de texto do computador do que
importar ou converter em Adobe, para Word, pois o resultado era uma tremenda
desformatação dos ditos!» Após uma visita a Vilar de Perdizes, «apercebemo-nos
da tarefa ciclópica que nos esperava. Ler todos os 259 números do Notícias de
Barroso, referentes aos anos de 1972 a 2005, quando este deixou a direção do
Jornal». Esclarece Carlos Meireles que foi necessária a ajuda preciosa de
Carlos Gonçalves, de Vilar de Perdizes, «que se encarregou da transcrição dos
textos em Adobe PDF para o Word, publicados entre 1972 a 1990. Além deste
material o Pe. Fontes enviou mais textos inéditos. Ao todo foram selecionados
cerca de mais 150 artigos». Finalmente o autor desta necessária e muito útil
nota prévia, adianta que a «leitura destes 259 números do Notícias de Barroso
foi um prazer renovado por dignificar os seus usos, costumes, tradições e
história, preservando a sua memória».
Lourenço Fontes explica-se nas pp 13 e 14, «à guisa de apresentação»,
confessando que se fez padre por admiração de um colega mais velho e define-se
como um cidadão de alguns ideais e objetivos, sempre na linha dos interesses
regionalistas, culturais e etnográficos.
Marina Pignaterlli, docente no Instituto Superior de Ciências sociais e
Políticas assina um saboroso Prefácio de cinco páginas, no qual batiza este
clérigo Barrosão, como «embaixador do Alto Tâmega» que, nas suas próprias
palavras, «escreve sem redação prévia e às vezes sem correção posterior».
Lourenço Fontes nasceu em 1940, num tempo muito difícil para o país e para a
Europa. O regicídio, as duas guerras mundiais e a do Ultramar Português
empobreceram o país e a sociedade foi profundamente abalada. A abertura do
Seminário de Vila Real, em 1930, abriu as portas aos jovens que ou optavam
pelos liceus e colégios ou pelos seminários e ordens religiosas.
Lourenço Fontes foi um dos 2316 seminaristas que optaram pelo Seminário. Aí
encontrou espaço e ambiente para aventuras que fizeram dele um jovem astuto,
aventureiro e atrevido. O pai que estivera na América deu-lhe meios que o
fascinaram, a começar por um rádio, o 1º da aldeia, que colocava na varanda
para dar notícias aos vizinhos. O bispo perdoava-lhe tudo e até lhe perdoou um
namorico em aldeia vizinha. Lá pelo seminário, às escondidas, escrevia diários,
cartas e versos que foi amontoando e que, agora, em paz e sossego, ordena que
sejam passados a livro.
As memórias que agora vêm a público e que a Âncora Editora vai trazendo, às
pinguinhas, contam com a experiente competência gráfica de Baptista Lopes.
Lourenço Fontes teve sempre intuição para singrar entre os seus pares. Este seu
irrequieto bairrismo e predisposição permanente para falar com todos, nos
moldes natos e hospitaleiros que fazem dele um homem simples, popular e sem que
algo lhe fique mal. A autarquia sempre soube aproveitar as suas ideias que têm
sido boas, exóticas e pioneiras. Os 34 congressos de medicina popular, as
Sextas-feiras 13, e a adesão às feiras do Fumeiro, foram sempre correspondidas
pelos políticos que ainda hoje, já dispensado das Paróquias e atos religiosos,
apoiam os seus projetos.
O mais mediático reitor de Vilar de Perdizes colocou Trás-os-Montes no mapa da
«última Província Portuguesa». Tem vindo a ser o Frei Bartolomeu dos Mártires
do nosso tempo. A apresentação deste livro decorreu em 22 de Fevereiro, dia dos
82 anos de vida do Padre Fontes.
Barroso da Fonte
FONTE: https://www.portugalsos.pt/memorias-do-barroso-novo-livro-do-padre-fontes/
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