Mário Adão Magalhães
Jornalista
O inquérito foi conduzido pela Fundação
Gulbenkian e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e
revela um país refém de ordenados baixos e de fortes desigualdades sociais e
educacionais no que toca ao acesso à cultura, diz o Expresso.
A propósito desse estudo dado à estampa
pela comunicação social, sobre a literacia e iliteracia dos portugueses, não
posso calar:
O rapaz não sabia pegar na esferográfica
e na vida nunca tinha lido um jornal. Nem um jornal de desporto, perguntei-lhe
eu a ver se vingava, confessa-me ele ante a minha terrífica incredulidade.
E eu pensei. Pensei muito: como é que
aquele rapaz, havendo sido meu colega de escola, presente nas mesmas aulas, nos
mesmos minutos, nos mesmos segundos, no mesmo tempo, ali, naquela sala da
escola primária, naquele tempo! não aprendera o mínimo, o básico!
E eu pensei. Pensei muito. E não soube,
não sei elaborar a escrita para definir tão relevante paradoxo.
Eu, eu que quase não tenho feito mais
nada - sem qualidade - é certo, ao longo da minha vida que não sei escrever.
Há alguém que deve olhar isto com olhos
de ver.
Mário Adão Magalhães
2022/02/19
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