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Reflexões JBM_ABRIL_2021
O
25 de Abril também teve graves consequências para mim e minha Família:
No dia do acontecimento eu estava em LMarques (Moçambique) Eu dava aulas na Universidade de LMarques e a Albertina actuava no Instituto de de Investigação Médica. Eu logo me apercebia que tínhamos todos de regressar a Portugal continental e pelas matanças de brancos que tinham ocorrido na descolonização do Congo Belga logo imaginei que ela pudesse acontecer em Moçambique.
Todavia, a viajem correu
com toda a normalidade e o avião aterrou em MAVALE que fica a uns 7 ou 8 Kms
do centro da cidade de LMarques. As malas saíram bem e eu nem tinha bagagem de
porão. Porém, quando saí vi que não havia quaisquer meios de transporte para a
cidade. nem autocarros, nem táxis. Nada.
A Albertina ficou tão
chocada com essa decisão que nunca mais quis ir a Coimbra.
Rumámos de pois à Faculdade de Engenharia da
Universidade do Porto (A Albertina tinha lugar no IPO do Porto). Na FE o
Director era uma Assistente que me remeteu para o Departamento de Engenharia
Civil dirigido por um Aluno. Esse e os colegas receberam-me amavelmente e
disseram:” O Senhor Professor poderá vir e ser o responsável pela cadeira de
Mecânica Racional que agora se chama Mecânica Técnica. Porém, o Ensino terá de
ser feito da forma Revolucionária para o Ensino Superior: O Senhor Professor
fará o programa da cadeira que terá de dividir em 10 partes porque somos 250
alunos divididos em 10 turmas de 25 alunos. O Sr Prof terá de indicar os livros
de texto que contêm a matéria da disciplina e os exercícios que têm de ser
feitos pelos alunos nas aulas práticas, pelos alunos em “auto-ensino”; isto é,
os alunos estudam a matéria e discutem entre si a forma de resolver os
problemas propostos. O Sr Prof. estará ao lado a responder a dúvidas que os
alunos ponham. Quanto a exames, os alunos “auto-classificam-se”. Se na
atribuição da classificação a um aluno o “colectivo” dos alunos não chegar a
uma conclusão, haverá um exame oral com o colectivo a fazer perguntas ao aluno
e o Sr Prof ao lado servirá de árbitro”.
Claro que também neste caso respondi o mesmo
que disse aos Alunos em Coimbra: “Já sabia que os alunos universitários têm
grande imaginação, mas tanta não”.
Então rumámos a Braga onde
a Universidade do Minho era nascente. A Albertina tinha sido aceite pelo Hospital de
Barcelos para aí dar consultas. Quando cheguei à
Universidade do Minho recebeu-me o Reitor Lloyd Braga que me disse: “Nada
precisa de me dizer, assine aqui”. O Lloyd Braga tinha sido meu Colega na
Universidade de LMarques. A maior parte dos profs de LMarques que não eram das
universidades do Porto, e de Lisboa ou de Coimbra estavam na Universidade do
Minho. Nesse tempo a maior parte do meu trabalho na UMinho foi apoiar o Reitor
na construção de Instalações Provisórias e Definitivas em Braga e Guimarães,
serviço semelhante ao que eu tinha feito em LMarques no apoio a Veiga Simão na
Fundação da Universidade de LMarques.
Como acima já disse nessa
data existia o “Verão Quente” que melhor se podia chamar o “Verão Vermelho”.
Não havia aulas em nenhuma das Universidades.
(Continua)





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