domingo, 8 de setembro de 2019

Andam a roubar o Verão



Mário Adão Magalhães

Alguém anda a roubar os dias. Estão cada vez mais pequenos, escrevia eu nos últimos dias de Agosto de há um ano.

Há um ano – fim de Agosto de 2018 – e (parece que) foi ontem, eu circulava na viatura ao derredor do jardim da Praça da República, na minha cidade, que por mor de uma ventania mais violenta, se encontrava cheia de diversas folhas caídas – a fazer-me lembrar “Folhas Caídas”, de Almeida Garrett, mais a sua muito amada Rosa de Montúfar. Um quadro bucólico e saudoso, realmente, nostálgico a fazer recordar e recuar no tempo.
Folhas caídas é coisa que em pequeno, da escola primária, aí, sim, tomava contacto com várias folhas, que a professora nos outonos, pedia que levássemos, da maior diversidade para as nossas actividades. Muitas outras vezes também as colocávamos num pano na parede.
Na escola primária a professora tinha na parede um grande pano azul-celeste-escangalhado, que mais parecia um reposteiro e nós, alunos, levávamos as folhas com as formas, a espécie, a cor, o estado - mais ou menos caducas. Na cortina se ostentavam as melhores redacções e os ditados – numa escala que ela atribuíra – e mensurara ofereceria um prémio bem bom ao melhor. Até que um dia as pautas das notas desapareceram.


Indicava que o meu prémio, nicles de bitocles. O estímulo que a muito jovem professora, que vinha todas a Segundas do Porto – estava no seu início de carreira - queria impor, terá sido atingido ou não… Não sei. Não sei já, não sei.
Agora, o contacto com as folhas caídas é na praça. Há um ano, depois de eu saber da trombazita de água em regiões ao derredor entendi melhor.
Há dias lembrei-me desse facto em Agosto. Por ser Agosto, no final de Agosto…
Hoje vi-as efectivamente no chão esvoaçando a dizer adeus, sem gosto a Agosto e ao Verão. Eu sou daqueles que dizem que Agosto, sobretudo a segunda metade, já não é de fiar.
É o Verão – é o Verão que se vai. Filha da mãe. Já falta menos de um mês, e há dias estava à espera que passasse o Outono, ruim; o Inverno, que valha-me deus; a Primavera, ameaçadora. Instável ou zangada. Veio o Verão. Nesse dia (primeiro dia de Verão) eu lembrei: que diabo! A partir de agora os dias começam a minguar.
E assim tem sido. Até que, folhas caídas, adeus Verão! Até porque para mim férias, já em pequeno – hunhhee! Reitero: segunda metade de Agosto já não é de fiar. As férias acabam. Ei-lo. Ei-las a acabar.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Os debates da segunda volta ...

  Esta segunda volta para as presidenciais de 2026, merece uma reflexão. Por mais simples que seja. Tanto o Dr. António José Seguro, como o ...

Os mais lidos