Alguém anda a roubar os
dias. Estão cada vez mais pequenos, escrevia eu nos últimos dias de Agosto de
há um ano.
Há um ano – fim de Agosto
de 2018 – e (parece que) foi ontem, eu circulava na viatura ao derredor do
jardim da Praça da República, na minha cidade, que por mor de uma ventania mais
violenta, se encontrava cheia de diversas folhas caídas – a fazer-me lembrar
“Folhas Caídas”, de Almeida Garrett, mais a sua muito amada Rosa de Montúfar.
Um quadro bucólico e saudoso, realmente, nostálgico a fazer recordar e recuar
no tempo.
Folhas caídas é coisa que
em pequeno, da escola primária, aí, sim, tomava contacto com várias folhas, que
a professora nos outonos, pedia que levássemos, da maior diversidade para as
nossas actividades. Muitas outras vezes também as colocávamos num pano na
parede.
Na escola primária a
professora tinha na parede um grande pano azul-celeste-escangalhado, que mais
parecia um reposteiro e nós, alunos, levávamos as folhas com as formas, a
espécie, a cor, o estado - mais ou menos caducas. Na cortina se ostentavam as
melhores redacções e os ditados – numa escala que ela atribuíra – e mensurara
ofereceria um prémio bem bom ao melhor. Até que um dia as pautas das notas
desapareceram.
Indicava que o meu
prémio, nicles de bitocles. O estímulo que a muito jovem professora, que vinha
todas a Segundas do Porto – estava no seu início de carreira - queria impor,
terá sido atingido ou não… Não sei. Não sei já, não sei.
Agora, o contacto com as
folhas caídas é na praça. Há um ano, depois de eu saber da trombazita de água
em regiões ao derredor entendi melhor.
Há dias lembrei-me desse
facto em Agosto. Por ser Agosto, no final de Agosto…
Hoje vi-as efectivamente
no chão esvoaçando a dizer adeus, sem gosto a Agosto e ao Verão. Eu sou
daqueles que dizem que Agosto, sobretudo a segunda metade, já não é de fiar.
É o Verão – é o Verão que
se vai. Filha da mãe. Já falta menos de um mês, e há dias estava à espera que
passasse o Outono, ruim; o Inverno, que valha-me deus; a Primavera, ameaçadora.
Instável ou zangada. Veio o Verão. Nesse dia (primeiro dia de Verão) eu
lembrei: que diabo! A partir de agora os dias começam a minguar.
E assim tem sido. Até
que, folhas caídas, adeus Verão! Até porque para mim férias, já em pequeno –
hunhhee! Reitero: segunda metade de Agosto já não é de fiar. As férias acabam.
Ei-lo. Ei-las a acabar.



Sem comentários:
Enviar um comentário