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| JORGE LAGE |
Há mais de trinta anos que iniciei a colaboração no
Notícias de Mirandela, em 1986. Mais tarde, passei a uma colaboração mais
estreita. Primeiro com crónicas de opinião e a seguir com grandes textos,
alguns de investigação, exigindo pesquisa documental, oral e escrita. Mas, eram
longos e nem todos os leitores gostam de ler grandes textos, enveredei por
textos mais curtos e dei-lhes o título de Notas de Rodapé. Já lá vão uns quatro
anos e estes são o n.º 203. O título parece ser certeiro e invulgar (de início
recebi críticas), e já me vão imitando, aparecendo as «notas de rodapé» de
outros jornalistas da capital, o que me apraz registar. Os leitores, que são o
mais importante deste jornal, vão podendo escolher os títulos que mais gostam.
Porém, o meu objectivo não é eu escrever, mas antes que os leitores, sempre que
pegam no Notícias de Mirandela, sintam que sabem mais e se sintam felizes. É o
texto que provoca no leitor uma aprazível narrativa interior. Basta uma
palavra, um título, uma frase ou a força imensa da fotografia. Nas mais de três
décadas, tive convites para imprensa sonante, até para Director de jornais e
colunista. Apenas colaborei sem comprometer o Projecto Notícias de Mirandela.
Preferi declinar os convites a atraiçoar os leitores e o jornal. Colaborei em
revistas e jornais com uma participação temporal limitada. Assisti a várias
fases do Notícias de Mirandela e vi partir um seu Director, Arnaldo Pinto, um
amigo que não se enfadava com os amigos. Como mirandelense da diáspora,
procurei estar perto da nossa cidade e da nossa boa gente. Tentei fazer
críticas construtivas ao poder local, aplaudindo o que está bem e apontando o
que me parece mal, sempre na mira do melhor para Mirandela e mirandelenses. Há
quem não aceite reparos e outras soluções, mas gente que se turva com outras
opiniões não devia estar na política e temos muita. Um dia (que seja distante),
quando tudo terminar, para além da amizade e consideração que me prende ao
Director do jornal e a colaboradores, o que mais pesará na minha alma solitária
será o silêncio grato de muitos leitores, mirandelenses ou não, que no seu
ninho ou abrigo vão recordar os melhores momentos. Um Projecto de Escrita
destes nunca termina e não vou «deitar a toalha ao chão». Como me dizia o velho
Octávio, da Torre Dona Chama, após acompanharmos o escritor Nuno Nozelos à
última morada: - então não quer saber mais sobre as sardinheiras da Torre?
Claro que quero, amigo Octávio. Interessa-me registar tudo para memória futura.
Esta magra escrita é por paixão e preciso dela como do ar que respiro. Já tive
que explicar isto, mais que uma vez à família.

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