domingo, 15 de setembro de 2019

A minha colaboração no Notícias de Mirandela

JORGE LAGE

Há mais de trinta anos que iniciei a colaboração no Notícias de Mirandela, em 1986. Mais tarde, passei a uma colaboração mais estreita. Primeiro com crónicas de opinião e a seguir com grandes textos, alguns de investigação, exigindo pesquisa documental, oral e escrita. Mas, eram longos e nem todos os leitores gostam de ler grandes textos, enveredei por textos mais curtos e dei-lhes o título de Notas de Rodapé. Já lá vão uns quatro anos e estes são o n.º 203. O título parece ser certeiro e invulgar (de início recebi críticas), e já me vão imitando, aparecendo as «notas de rodapé» de outros jornalistas da capital, o que me apraz registar. Os leitores, que são o mais importante deste jornal, vão podendo escolher os títulos que mais gostam. Porém, o meu objectivo não é eu escrever, mas antes que os leitores, sempre que pegam no Notícias de Mirandela, sintam que sabem mais e se sintam felizes. É o texto que provoca no leitor uma aprazível narrativa interior. Basta uma palavra, um título, uma frase ou a força imensa da fotografia. Nas mais de três décadas, tive convites para imprensa sonante, até para Director de jornais e colunista. Apenas colaborei sem comprometer o Projecto Notícias de Mirandela. Preferi declinar os convites a atraiçoar os leitores e o jornal. Colaborei em revistas e jornais com uma participação temporal limitada. Assisti a várias fases do Notícias de Mirandela e vi partir um seu Director, Arnaldo Pinto, um amigo que não se enfadava com os amigos. Como mirandelense da diáspora, procurei estar perto da nossa cidade e da nossa boa gente. Tentei fazer críticas construtivas ao poder local, aplaudindo o que está bem e apontando o que me parece mal, sempre na mira do melhor para Mirandela e mirandelenses. Há quem não aceite reparos e outras soluções, mas gente que se turva com outras opiniões não devia estar na política e temos muita. Um dia (que seja distante), quando tudo terminar, para além da amizade e consideração que me prende ao Director do jornal e a colaboradores, o que mais pesará na minha alma solitária será o silêncio grato de muitos leitores, mirandelenses ou não, que no seu ninho ou abrigo vão recordar os melhores momentos. Um Projecto de Escrita destes nunca termina e não vou «deitar a toalha ao chão». Como me dizia o velho Octávio, da Torre Dona Chama, após acompanharmos o escritor Nuno Nozelos à última morada: - então não quer saber mais sobre as sardinheiras da Torre? Claro que quero, amigo Octávio. Interessa-me registar tudo para memória futura. Esta magra escrita é por paixão e preciso dela como do ar que respiro. Já tive que explicar isto, mais que uma vez à família.

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